Rubens k - Qualquer Merda que der na Telha

Enquanto aguardo mais alguns Pastorius adentrarem no meu computador – to baixando mais umas músicas do cara, virou vício! - Tava dando uma olhada numa revista que a minha mulher assina...caramba... numa das entrevistas, uma mulher americana, diz que o amor faliu. Que o casamento como sinônimo de felicidade não existe mais, ou melhor, nunca existiu. Porra...nunca pensei que casamento e felicidade pudessem ser sinônimos...apenas gosto de morar com a mulher que eu amo. Nem sou casado em igreja ou cartório. Sou casado com ela mesmo. Pra mim tá bom assim. É o nosso contrato particular de casamento, e eu levo isso a sério. Sei que ela também leva , e muito. Ela vai mais longe ainda, a americana, diz que a excessiva exposição do corpo pra vender tudo que é merda acabou tendo o efeito contrário. Que não existe mais sensualidade na vida, e sim uma obrigação de felicidade "orgásmica" do ser humano...hum...não sei... acho bacana bunda peito e pernas...sou hétero nesse mundo "transgênico" ou "trangênero", como queiram. Lembrei que o Mário falou a mesma coisa lá no blog dele. Que ele tá feliz com a mulher que ele ama e tudo mais. Estamos ultrapassados graças a deus...perseguir as novas tendências é pra quem tem muita energia pra gastar e eu já fiz as minhas cagadas e descobertas e opções. Tá bom assim. Ah! A outra mulher é interessante também.Não vou citar os nomes delas por que não to a fim, isso não tem pretensão nenhuma de critica ou debate. É só um comentário, só isso . Tem uma parte da entrevista dela que fala mais ou menos assim "...escute seu filho senão ele nunca mais vai contar nada pra você. Se sua filha ficou com dois caras na mesma festa, não brigue com ela, isso é normal hoje. Não a julgue pelos seus padrões de comportamento, mas se ela deu pros dois, aí você tem de falar pra ela que esse comportamento não é aceitável. Converse com ela sobre os riscos desse comportamento, etc.." interessante. Julgá-la então pelo padrão de quem? Da vizinha que, se souber vai dizer que a tua filha é uma puta? Pelo padrão da tua filha, que é chegada em uma suruba e para ela isso é mais que normal? E se seu filho chegar em casa e falar que comeu duas garotas em uma festa? Meio confuso essa história de se meter no tesão dos outros. E no casamento então? Olha, na boa...dêem pra que vocês quiserem, comam quem vocês quiserem mas não fiquem teorizando a coisa. Pode Ter alguém meio volúvel lendo essas merdas. Daí entram os psicólogos com suas teorias de ajuda, que na minha opinião não resolvem porra nenhuma. E sexólogos que viram prefeitos, engolidores de espadas, adestradores de cães, piromaníacos em geral ...daí entram os amigos que te perguntam: Porra você é casado a dez anos? E com a mesma mulher? Porra, to me sentindo um ET por aqui...

rkjazz - 31/05/2004 às 12h32 AM

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Pode não parecer, mas é um bom conselho...para as mulheres...

E as coisas do lado de cá continuam desabando...caramba! até o frio decidiu cair em cima das nossas cabeças. Hoje foi um dia particularmente interessante, não que eu não esteja acostumado as merdas do destino não. Não é isso. E nem tô a fim de ficar de "reclamão". Acontece que vida de artista é só pra quem é artista mesmo, do contrário desiste. Quem, em sã consciência, continuaria com uma coisa que só vai te deixar quebrado, psicológica e financeiramente? Ninguém, eu acho. Acontece que a gente já nasce com essa sina e até se diverte com as amarguras dessa vida. Quando você acostuma é até divertido. Acontece mais ou menos assim: você vai dormir pensando nas contas atrasadas, mas se lembra que tem uma quantidade razoável de shows e outros bicos que podem até cobrir os rombos que aparecem no percurso. Quando acorda, tudo foi desmarcado. Incrível. É como ser investidor na bolsa. Você dorme milionário e acorda fudido. Mais ou menos assim. Lembrei de quando caí na asneira de abri um bar...porra...não façam isso!!! A menos que você e seu sócio não bebam, senão, você corre um sério risco de não dar certo no ramo. Sério! Experiência própria. Não dá certo. Tirando os filhas das putas que acham que, porque você abriu um bar, está dando cervas de graça...porra, tem de tudo nessa merda de vida. Bom, voltemos ao dia de hoje. Acontece que sou cozinheiro também. Com curso e tudo. Imagine só onde fui me meter. Na cozinha. Acontece que não sou daqueles caras que ficam fodendo o arroz e feijão em casa. Não sou não. Tenho o maior respeito. Cozinhar é que nem música. Vai aprendendo aos poucos. Não existe essa coisa de ensinar a por sal & tal...você aprende fazendo cagada mesmo. Acontece que arrumei, pra variar, um bico num restaurante de um amigo meu. Cara....trampo de cozinha é pra macho mesmo! É muito foda. Quem é cozinheiro sabe do que eu to falando. Não tô falando desses mariquinhas que ficam puxando o saco da Ana Maria Braga. To falando dos caras que levam a merda da cozinha nas costas pra que esses viadinhos façam as cagadas deles na tv. A cozinha é o olho do furacão. Tem o período da calmaria...e você acha que vai se dar bem. Que vai poder até tomar uma cervejinha depois & tal...ilusão...chegam os ventos fortes. Cara, alguém aí sabe o que é comandar sete tipo de pratos quentes, entradas, saladas, sobremesas...e ... a carne. A carne. Adoro carne. Adoro fazer carne. Mas porque as pessoas resolvem descontar a ira na carne? Porra, e eu com isso que foderam a vaca que tava lá pastando calminha? Não sou pago para pensar sobre isso numa cozinha. Sou pago para fazer a carne. Agora, o que as mulheres, em particular, tem contra a carne? As mulheres são, na minha opinião, as piores clientes de um restaurante. Nunca nada está bom. Como se elas soubessem cozinhar. Talvez seja a herança de uma sociedade machista, onde elas ficavam em casa e se enchiam de crias e até aprendiam a cozinhar. Acontece que mulher não pode ver sangue...nem nas suas calcinhas que fazem aquela cara de nojo. Porra, tudo bem não poder ver sangue...mas aprendam a pedir a merda da carne então. Ou então comam só a salada e vão para casa com fome. Vou falar mais uma vez...todo e qualquer restaurante no mundo funciona assim: você pede a carne ...o garçom, educadamente, pergunta: ao ponto? Ao que a vadia responde, SIM, sem saber que ele não está perguntando se ela faz ponto, ou aonde. Sei lá o que passa na cabeça da maldita nessa hora. O cara só tá tentando saber se eu, o filha da puta do cozinheiro, deixo a carne "comível", com o gosto da carne e do acompanhamento, ou se ela, a cliente, quer que eu queime aquilo e sirva pra ela tentar quebrar um dente ou coisa parecida. As mulheres são as maiores transformadoras de filé mignon em carne de terceira com músculo. Incrível...cada restaurante tem um cozinheiro diferente, então, cada restaurante do mundo, tem um ponto diferente. Então, convém perguntar qual é o ponto do cozinheiro. "Chef", para os moderninhos. Eu vou até a merda da mesa e explico. Sério, vou mesmo. Na boa. Agora, se você, mulher, não quiser me ver, um conselho muito bom e que funciona: Peça para passar "um pouquinho" do ponto. Já sabemos que é para uma mulher a carne. Que vamos Ter que fazer tudo de novo se não obedecermos a esse sutil comando, então não vamos errar. Pode ser em qualquer lugar do mundo. Não tem erro. Confie em mim. Cozinheiro odeia Ter que fazer tudo de novo porque você não soube pedir a carne. Sério. Pode acreditar. Pode Ter certeza que ele tá te xingando daquilo que você só gosta de ouvir na cama. Que você está atrasando todo o andamento da cozinha. Então aprenda!!!!! E vá à merda quem disser o contrário. Cozinhar não é matemática, é experiência. Bom, sobre o meu dia...melhor eu parar por aqui...

rkjazz - 29/05/2004 às 12h25 AM

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Li lá no blog do Iris que a gente tá confirmado pra tocar no prêmio Saul Trumpete. Porra, com o maior prazer do mundo. Não só por que já passaram pelo palco do evento, na minha opinião, grandes músicos daqui. Até o próprio Saul deu uma canja uma vez. Não é só por isso não. É que eu cresci na janela do bar que o Saul tinha ali na rua Cruz Machado. O Saul Trumpete. Era mágico. A gente era uns piazinho de merda querendo desvendar aquelas notas fantásticas que vinham lá de dentro. Me lembro que ficava tentando decorar como soava um "walking Bass" pra quando chegasse em casa, tentar soar como aqueles caras...Boldrini, Belém (porra que coincidência os dois "Bês"). Mas é a pura verdade. Lembro uma vez que estávamos durangos, como sempre estamos, e eu e o Luciano (Luciano Vassão, baterista da Jully et Joe na época) juntamos os trocados pra comprar um "xis" picanha do Valdo, que ficava ali do lado - isso por que a gente nem almoçava, vivíamos na rua. Imagine a fome que a gente tava!!!! Caramba!! Só que o Valdo era do lado do bar do Saul...porra...dançou o rango. Era quase a entrada dos dois. Conversamos um pouco com o Saul e ele falou – entra aí, porra! E ainda descolou dois "chops" pra gente. Caramba, foi a primeira vez que eu entrei no boteco e pude acompanhar de perto as gigs. Mágico. Não consigo descrever. A mais ou menos uns dois anos atrás, eu encontrei o guitarrista que tocava lá no bar do Saul em outro bar boêmio, o Gato Preto. Aquele guitarrista da barriga avantajada...que a gente comparava ao Coelho...e paguei umas cervas pro cara. Ele não lembrava de mim, mas quando falei que ficava ouvindo e tentando ver lá de fora, pela janelinha, ele riu e falou – porra, o Saul achava o maior barato ver a molecada sacando o som da gente...teve um dia que ele deixou a rapaziada entar & tal...porra...não sei se foi o meu dia, aquele que eu entrei, mas só consegui agradecer ao cara (não lembro o nome dele) por Ter me mostrado o jazz. Sim, isso mesmo. Na prática, tocando de verdade, quem me mostrou o jazz foi a banda do Saul. Tinha ainda um dos melhores bateras que já passou pela face da terra, o Tiquinho. Cara, como o Tiquinho tocava!!!! Suave...perfeito...preciso...que deus cuide bem desse cara, ele merece. E você encontrava aquilo lá fervilhando de músicos de tudo quanto é espécie...e cantoras famosas. Porra, era fantástico. Me lembrava filme americano de jazz. Era uma energia incrível. Aqueles caras não paravam de tocar nem quando o sol nascia e já tava bem alto no céu da Cruz machado. Quem tinha carro, dava um cochilo ali e depois ia pro trampo ou pra casa. Quem não tinha, eu no caso, encostava mais um pouco na janelinha até dar a hora de ir embora, à pé, até a praça Carlos Gomes pegar o ônibus. Eu ia sonhando com o dia em que ia poder tocar aquelas musicas. No dia em que ia me "transformar" em músico. Porra Saul...é o maior prazer...com certeza...

rkjazz - 28/05/2004 às 06h49 PM

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Esse é o link do Iris na trama virtual...sintam-se a vontade...

http://www.tramavirtual.com.br/iris

rkjazz - às 12h35 PM

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Essas aí são as considerações do nosso amigo Carlão sobre a viagem dele com o OAEOZ pra Porto Alegre. Pra quem não conhece, o blogger deles tá linkado aí do lado (Ivan/Adri). Eu, particularmente, acho a banda bem bacana. Os caras foram passar frio por lá e parece que rolou uma acolhida bem calorosa...bacana pessoal...estamos esperando os cds por aqui...

Ninguém vai dormir!!!

Ou uma viagem rápida à Porto Alegre

A vizinhança ficou de cara quando a Vanzona parou na frente da casa do Ivan, na verdade nós todos ficamos, e dela desceu o baixinho, Milton, todo prestativo, guardamos os instrumentos e pé na estrada!!!

O Ivan começou como co-piloto, se embalaram na conversa e acabamos fazendo uma pequena tur pelo centro de curita, depois voltamos a direção certa. Mal entramos na avenida das Torres o fundão já berrava...POSSSTO!!! O medo do Rodrigo é que ele tinha quase certeza de que uma garrafa de conhaque era pouco, na verdade a gente tinha uma garrafa pequena de cachaça do Ivan e um vinho do André, mas isso ele nem contou. Antes de sair do posto ele teve a grande idéia de comprar o tal do "chocoleite" para tomarmos uns deliciosos choconhaques.

Minha memória não me ajuda a contar o que aconteceu depois, vou tentar contar segundo os depoimentos de terceiros, com mais alguma ajuda da minha criatividade somada com algumas conclusões lógicas, avante...

Não sei tantas quantas foram aquelas doses de choconhaque, mas o grande desafio não era matar as doses e sim se equilibrar pra que não caísse no estofado da van e nos outros também, deve ter sido uma cena ridícula, bêbados segurando o copo levantado, tentando amortecer ao máximo os impactos. Lembro-me que uma hora a Patrícia acordou e disse que eu havia derrubado nela, disse que ela estava mentindo, ela me mostrou o nosso acolchoado manchado pelo chocolate... é pelo menos tinha evitado o estofado.

Daí tem uns flash's que lembro mais ou menos - lembro que todos começaram a pegar no sono e eu comecei a gritar "ninguééémm vai dormiiiir!!!" - lembro que o rodrigo tava tomando uns gole de cachaça e resolveu misturar com chocoleite, o Ivan Acordou e pegou a garrafa de volta - lembro que certa hora eu disse "André me alcança o violão vamos fazer um som!", o violão tava impossível de ser afinado, encostei a cabeça no corpo do violão para me concentrar e afinar. Segundo a Patrícia ela me acordou depois de um tempo e pediu pra que eu guardasse o violão, pois já tava dormindo e continuava na mesma posição de afinação.

Daí o que eu lembro é que eu tava voltando de um dos bwc do posto e o Rodrigo me diz "agora é com você Carlão" não entendi, mas aos poucos fui acordando e sendo acordado, havia chegado a minha hora, era a hora de proteger o motorista das artimanhas de Morfeu, era a minha hora de não deixar o motorista dormir. Me lembro que depois do Ivan foi o André conversar com o Milton, fez bem a função, só que quase não participou da roda de choconhaque, por ficar um pouco mais longe. Na vez do Rodrigo ele sentou, cumprimentou o motorista , trocou meias palavras e começou a roncar do lado do cara. Depois veio o Camarão, ele comprimentou o motorista e não falou mais nada, também não dormiu (era a forma dele de dar uma força). Aí tinha chegado a minha vez. Eu estava um pouco assustado com esse troço de fazer uma viajem longa e ainda de noite, diretão, com um monte de maluco junto, são aquelas histórias que as "avós" contam, que vive morrendo músico na estrada da "fama", e havia chegado a minha vez...a vez de não deixar o Milton dormir. E eu morrendo de sono e bebaço. Claro que quando eu digo não deixar o cara dormir, eu tô exagerando, não é bem assim, o cara é profissional, já tinha dormido de tarde pra pegar estrada, ele só queria uma companhia do lado, para ir mais tranquilo, e agora sua companhia era eu. Dei três tapinhas no capô e disse,"vou falar três hora sem parar, até a gente chegar". Falei um pouco mais que 3 horas, gosto de conversar, a paisagem do Rio Grande do Sul me ajudou, fiquei impressionado, tudo bem plano, o horizonte, quanto gado, o Rodrigo disse que dormiu ouvindo eu conversar empolgado, acordou umas duas vezes e eu continuava empolgado. É, o que um pouco de medo e alguns goles de choconhaque não fazem. Chegamos sãos e salvos.

Chegando lá foi tudo muito legal, divertido, rápido e inesquecível. Como eu já escrevi demais vou acabar por aqui. Quem quiser saber como foi o show lê o texto do Ivan, que tá bem detalhado ou me pague umas cervejas que eu conto, ou melhor vá a um show do OAEOZ e veja o que os caras tão aprontando. Só vou dizer que o show do Deus e o Diabo, eu gostei bastante, deu pra ver o que eles podem aprontar com esse troço de "sentimento musical", levando a gente a se envolver e assistir com sinceridade. Como o show não foi inteiro, ficou aquela vontade de ver logo até aonde vai aquele transe todo, como é que me sentirei depois que assistir um show completo. Por enquanto, vou me alimentando com o cd, que tá muito bom, quem não conhece, favor se informar!

 

carlão zubek

rkjazz - às 11h39 AM

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Para meu irmão Sérgio...a vida nos prega algumas peças mano, mas somos mais fortes...pelo menos assim eu espero...

Eu não quero morrer triste...Eu não quero morrer triste, bêbado e sozinho...Pelo menos não agora que ainda posso olhar para cima. Não agora, que ainda tenho forças para desafiar deus ou o que quer seja. Não agora que a minha loucura me deixou tão lúcido. Eu não quero ser como todos aqueles que eu sempre critiquei, mas amei em segredo. Não, não posso perder agora que minhas mãos estão no melhor da forma. Que minhas pernas ainda suportam todos esses roundes. Que meus lábios ainda são sinceros...Não, não posso!Se você ver que eu estou fraquejando...Se você perceber em mim qualquer sinal de cansaço...grite alto para que eu possa te ouvir e revidar todos esses golpes...

rkjazz - 26/05/2004 às 01h02 AM

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Algumas das impressões do cd BIZRI, do Iris...

Enfim o Igor me arrumou um cdzinho do íris, até então não tinha ouvido. Tô aqui trabalhando e ouvindo atentamente em estéreo e digo que é um puta de um cd, bem gravado bem tocado e bem sacado. O trabalho fica mais fácil com essa trilha, sabe como é, mais embalado. Cês têm que dá um jeito de divulgar mais esse cd pra fora daqui, com certeza terão boas respostas o material é muito bom e quem estiver disposto a ouvir uma boa música sem classificações, ficará, como eu fiquei de cara!!! VALEU PELO CD E SORTE A NÓS!

carlos zubeck - guitarrista do sabadá e oaeoz

 


rkjazz - 25/05/2004 às 06h10 PM

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Billy the kid

Quando eu tinha três anos de idade eu andava armado.Hoje não mais.Tem caras que tem todos os dentes e um bom emprego.Eu não.Tem caras que quando me vêem atravessam a rua.Vão para o outro lado da calçada.Tô começando a me achar indigno de andar do mesmo lado que eles.De olhar prás suas mulheres esguias.De me ver refletido no vidro dos seus carros caros.De não Ter nada prá levar nas mãos e nem nos bolsos.De não poder usar o mesmo banheiro .Tô pensando e tenho pensado muito em recuperar os meus revólveres.

 

rkjazz - 24/05/2004 às 02h01 AM

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Barfly

Mas, e daí que é o mesmo lugar que eu vou sempre?Que tem sempre as mesmas pessoas, e daí?E daí que nós vamos falar as mesmas coisas e ouvir as mesmas músicas de sempre? E daí?E daí que vamos dar risada das mesmas besteiras e que vai Ter uma hora que eu vou ficar bêbado e socar aquele cara... como é mesmo o nome dele? E daí?E daí que nós vamos rolar escada abaixo e depois nos abraçar e chorar como criancinhas, e daí?E daí que eu só vou aparecer em casa de manhãzinha? E daí???Então me diga: por que é que tenho que por essa maldita roupa e ir prá essa porra de jantar onde eu não conheço ninguém, não conheço as músicas e não sei quem eu posso socar?Porquê??

rkjazz - às 01h50 AM

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A fuga...

Eu não sei o que me deu. Só sei que queria sair dali o mais depressa possível. E foi o que fiz. Não conseguia pensar em outra coisa a não ser correr. Não importava a direção, apenas correr e correr só parando quando cansar. Quando parei, estava em um lugar que eu não conhecia. Mas achei que poderia ficar ali. Ninguém me conhecia também e isso era bom. Poderia recomeçar a viver nesse lugar. Esse pensamento me deu uma certa tranqüilidade. Dormi por bastante tempo entre uns arbustos. Escutava o barulho dos carros e das conversas das pessoas, mas estava tranqüilo ali. Ninguém me conhecia. Algumas pessoas que me viam ficavam com medo. Eu tenho um tamanho que impressiona e não sou exatamente bonito de se ver. Principalmente à noite. Acho que é isso que deixa as pessoas com medo. Fiquei três dias sem que nenhuma novidade acontecesse. Fui me virando do jeito que dava naquele lugar. Um dia tinha comida perto da onde eu costumava dormir. Estranho. Olhei para os lados e não vi ninguém. Como estava com fome, comi. Estava muito boa a comida. No outro dia, comida de novo. A coisa começou a ficar realmente estranha. Alguém sabia que eu estava ali, mas quem? Eu nunca via ninguém colocando a comida. Acho que a pessoa ficava espreitando para ver quando eu saia para agir. Resolvi descobrir quem estava por trás disso enquanto devorava uns pedaços de frango sem osso. Então, no dia seguinte, pus em prática o meu plano para desvendar o mistério. Segui pela rua e fingi que pegava a próxima de baixo e fiquei escondido entre o capinzal de um terreno baldio. Esperei um tempão até que uma mulher de casaco vermelho abriu o portão da casa quase em frente da onde eu passava as noites. Reparei bem e ela tinha um embrulho nas mãos. Era ela. A pessoa misteriosa. Ela olhou para os lados e colocou cuidadosamente a comida sobre um pedaço novo de papel. Levantou-se depressa, olhou novamente para os lados e entrou na casa. Pude notar que ela ficara espreitando por trás do vidro da sala. Por que ela fazia isso? Esse era o meu medo. Ela parecia simpática e cozinhava bem, mas tinha alguma coisa de errado no comportamento dela. Não sei exatamente o que, mas tinha. A maioria das pessoas fingia me ignorar o tempo todo. Por que ela decidiu me alimentar? Alguns dias passaram sem que eu conseguisse decifrar esse enigma, até que dois caras apareceram. Saíram de um carro, desses de segurança, e começaram a gritar coisas e vir na minha direção. Apresar de eu ser grande, decidi que não era uma boa idéia enfrentar os dois. Dava pra ver que eles estavam armados. Era melhor correr, e foi o que eu fiz. Pude sentir o mato se quebrando conforme eu passava por ele. Ouvia também os passos dos dois atrás de mim. Pulei uma vala enorme e saí na outra rua. Agora eles tinham se separado,  um vinha à pé e o outro com o carro. Nunca corri tanto. Só quando fugi da onde eu morava. Os dois estavam decididos a me capturar. Pensei se tinha algo a ver com a casa que eu morava. Só podia ser isso, ou pior. Um deles tentou me laçar, mas sou ágil e passei pelo lado direito, rente à perna dele. O outro veio esbaforido agitando as mãos para fechar a minha passagem. Isso me distraiu e não vi que o laço estava perto demais da minha cabeça. Erro de cálculo e lá estou eu preso. Mas não ia ser tão fácil assim. Estava disposto a vender caro a minha liberdade. Foi aí que vi a mulher do casaco vermelho chegando em um carro. Agora entendi a comida e esses dois caras atrás de mim...

rkjazz - 21/05/2004 às 12h14 AM

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E conforme a Adri/Ivan e Guto Gevaerd me alertaram...deu no "Trabalho Sujo" sobre o CPF, a participação do Iris...acho que é para isso mesmo que o Iris toca...pra fazer a trilha sonora...perfeito...na minha maneira de entender...

 O Íris, em seguida, com aquele famoso "som de Curitiba" (que parece muita coisa, não chega a empolgar e funciona muito bem como trilha sonora) serviu para ambientação na Pedreira - e encontrar uma enorme quantidade de compadres, conhecidos, chicas e comadres. E novos velhos amigos - eram em quantidade suficiente para serem mencionados como um grupo.

Alexandre Matias *

*é só clicar no nome do cara aqui pra ler a matéria inteira...

 



 
 

rkjazz - 19/05/2004 às 11h02 PM

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Eu recebi trintão de cachê este mês...porra, que bacana!

 Quem falou que música não dá dinheiro? Mentira! Este mês recebi um belo cachê de trinta reais. Maravilha. Posso me considerar um cara de sorte. Diante da escassez de palcos remunerados, meus "trintão" são mais que bem vindos. Estou pensando se abro uma poupança no banco do brasil ou na caixa econômica. Muito sério esse assunto. Esse é o primeiro passo para a independência do "eu" músico. Quem sabe, somado a outros tantos "trintão", chego a tão sonhada casa própria e digo adeus ao aluguel. Resta saber se ainda estarei vivo até os próximos "trintão". Estou muito feliz com isso. E existe a possibilidade deles, os "trintão", se multiplicarem, pois temos show sábado. Pra quem não sabe ou não se tocou ainda, é o cartaz da japonesinha etílica aí em baixo. Imagine se recebo outros "trintão"! Porra, felicidade eu Ter escolhido essa carreira. Se você pensar bem, não pago impostos, e tenho plano de saúde gratuito. É sim, o do governo. Basta levantar às 3 da matina pra ficar na fila e aventurar uma consulta, o que para quem está meio mal de saúde, não é nada. Não pago luz, não pago água, não pago nada. Agora estou na cola do governo e seus projetos para pessoas que ganham até "trintão" por mês. Salve a música bem remunerada e seus "trintão" caprichosos. Tenho de confessar que todo esse dinheiro está despertando os mais vis sentimentos que eu não sabia que tinha. Fico entre a casa própria e um jogo de cordas novo. Claro que tenho que economizar um pouco ainda, mas sou otimista. Eu conseguirei. E os amigos, aqueles que só se aproximam quando você tem dinheiro. Esses já começaram a me ligar para tomar umas & tal. Minha mãe havia me previnido sobre isso. Não estou. Em casa agora, só secretária eletrônica. Não irão ver um centavo dos meus suados e honestos "trintão". Não vão não. Em conversa com a minha mulher, percebi que já recebi mais ou menos 1% do salário dela. Porra, não há como negar o avanço. Posso até me dar ao luxo de entrar em projetos mais conceituais...essas coisas que a gente sabe que nunca vai dar certo e que nunca vai dar dinheiro. Dinheiro pra quê? Se colocar meus "trintão" à juros...por uns cem anos...porra, não faço idéia da quantia astronômica que isso deve gerar. Mas deve ser algo emocionante de ver no extrato bancário. Não há como negar, obrigado a essas pessoas maravilhosas que me proporcionaram essa felicidade, a de repartir um cachê. Obrigado aos donos de bar que remuneram os músicos com dignidade, que repassam o couvert artístico em sua totalidade, que não dão calote com as entradas, muito obrigado. São pessoas assim, como vocês, que nos fazem sonhar...com o inferno cada vez mais rápido. E não é para mim não...

rkjazz - às 09h56 PM

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...

Ela tinha desistido de muita coisa na vida. Muita coisa que ela achava que era importante. Muita coisa que ela tinha sonhado quando ainda não era ela. Ela vivia dizendo que quando fosse ela, as coisas seriam de outro jeito. Pra começar teria um emprego que fosse importante. Não importante no sentido mesquinho de importância. Ela nunca foi mesquinha. Importante no sentido de mostrar o que é certo e o que não é. Isso era importante. A visão de mundo dela era importante. É claro que isso não durou muito tempo. Mas isso é outra coisa. Ela sempre achou que as pessoas eram melhores do que aparentavam ser. E sempre se decepcionou com elas. Na minha vez de avisar eu avisei. Mas aí já era tarde demais, eu acho. Ela já tinha deixado esse mundo sem importância entrar nela...sei lá o que aconteceu...ela começou a querer mudar certas coisa e eu falei, hum, isso vai acabar de um jeito torto...e acabou. Não que ela tenha feito a coisa errada. Longe disso. Ela nunca fez a coisa errada, só que sofrer pelos outros é a coisa errada na minha opinião. Na dela não. Tá bom então. Decepção de novo. Cair de novo, e eu me perguntando  -  até onde ela vai aguentar isso tudo? Porra, ela é forte mesmo! Engano. Ela não é nem nunca foi forte. Só tava tentando fazer a coisa certa. Cê tá entendendo do que eu tô falando? Agora eu tô vendo que tá difícil pra ela juntar os pedaços. Eu falei que ela tinha se fragmentado demais, acreditado demais, sofrido demais e esquecido que ninguém tem razão nessa merda de vida. Tá difícil pra ela e eu não consigo achar a ponta do fio e ela me pergunta o tempo todo. E eu falo que não sei na maior sinceridade. Eu não sei!!! A diferença entre eu e ela é que eu não acredito mais em nada a muito tempo. Só vivo essa grande farsa sem quebrar nada mais que um braço ou a cara. Ela não. Se quebra por dentro. Difícil arrumar isso. Por dentro. Acontece que ela tá lá agora. Em pedaços e eu não consigo saber o que fazer. Eu sei que ela esperava mais de mim...mas a muito tempo eu já desisti disso tudo. Eu falei pra ela! E agora?

 

rkjazz - às 12h15 AM

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Quando minha vó foi embora...

 O destino se vingou disso tudo...foi o que eu consegui ouvir do que a minha vó falou. Só isso. Depois ela simplesmente deixou de existir. Fiquei olhando pra ela, ou o que era ela. Não entendo essa coisa de morte. Nunca fui bom com isso. Minha mãe começou a chorar. Eu não consegui. Só fiquei com uma sensação estranha. Não sei o que sentir nessas horas. Quando morre alguém que a gente conhece, as pessoas donas do morto esperam que você diga alguma coisa que console elas. Eu não consigo dizer nada. Acho tudo muito longe da realidade...que aquela pessoa não vai mais levantar dali, dar bom dia...essas coisa. Minha vó fazia o almoço todos os dias. E era só isso que eu lembrava quando pensava nela. No almoço que ela fazia. Minha mãe começou a falar alguma coisa sobre se sentir culpada da vó Ter morrido. Ela já bem era velhinha. Isso ia acontecer. Quando falei isso pra minha mãe ela me atirou uma coisa. Acho que um sapato. Sei lá o que deu nela. Não quis falar mal da vó. Só acho que isso um dia ia acontecer. Me deu vontade de comer frango de panela que a vó faz. O da minha mãe é bom, mas não tão bom quanto o da vó. Meu pai sempre falava isso. Daí minha mãe ficava uma fera e ninguém mais comia nada. Acabava o almoço. Tinha dias que eu chegava da rua morto de fome. Sentava na mesa e servia o prato como se fosse a última coisa que eu iria fazer da vida. Daí meu pai começava a falar e eu já sabia que tinha que comer bem rápido. Era sempre a mesma coisa. Não sei porquê eles não iam cada um prum lado. Era a mesma coisa com a vó. Ela e minha mãe viviam brigando. Uma falava da outra pra vizinha, pro açougueiro. Mas nenhuma tinha a coragem de ir embora. De deixar a outra. Eu pensava que se isso acontecesse comigo, eu iria embora na hora. Nunca entendi porquê elas ficavam ali. Lado a lado e brigando o tempo todo. Minha vó sempre foi velhinha pra mim. Ela me contou que me fez andar. Com um cabo de vassoura. Eu não lembro disso. Não mesmo. Até fiz força, mas é daquelas coisas que você faz quando é muito pequeno. Não tem jeito de lembrar. Nem do vô eu lembro. Ele morreu bem antes da vó. Só isso que parece que me lembro. Agora do dia que minha vó morreu eu vou lembrar. Vou mesmo.

rkjazz - 16/05/2004 às 09h46 PM

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Bom, os comentários estão liberados até um "desgraçadinho" aparecer e eu ter que perder tempo deletando o infeliz...por isso não fodam...essa porra é diversão e não guerra...se não sabe brincar, vá à merda...não venha aqui.

 

 

rkjazz - às 09h36 PM

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Tá, é babação mesmo. Mas o que eu posso fazer? O cara foi e continua sendo o maior baixista do mundo. Quando eu a e Rosi nos mudamos pro apartamento que a gente mora agora, a escrivaninha ficava em frente a janela. Em frente, um final de tarde fantástico. Eu tava no computador escutando um Pastorius com o Weather Report, do álbum 8:30, música A Remark you made...com o fone de ouvido!! A Dusty curiosa com tudo fora do lugar. Babação total pro som que o cara tem a manha de fazer. Cara, mágico. Podem esperimentar...deu nisso aí em baixo.Babação cara, eu sei... 

 

O som das 8:30 – para John Francis Pastorius III

Da onde estou só consigo ver o céu de inverno começando a fazer o seu trabalho. Vagaroso, como se estivesse envolto em um fantástico véu de areia bem fina.Uns poucos pedaços de azul, o tão sonhado azul.Destino de todos os fiéis.De todos os papas .Assim eles esperam.E eu espero o céu fazer o seu trabalho.Seja ele qual for.O fantástico é deixar ele te surpreender.O gato perambulando por aí,curioso com a mudança em seu mundo . Buscando um pouco de sol pra por os pêlos em ordem. E tem esses caras fantásticos tocando uma coisa bem próxima do paraíso. Soa como... o céu...ou o que eu acho que poderia ser o céu.O som vindo aos poucos .Nada óbvio...O papa não precisaria se preocupar se conhecesse Pastorius, ao contrário, deveria apertar a sua mão e dizer aquelas coisas que os padres sempre dizem...O sentimento vem bem devagar...contrapontos de baixo e teclados e, como se não bastasse, tem o sax da criação.O mesmo que deus usou para criar o mundo.Só pode ser. E a calmaria da bateria ...Tudo é muito fácil de baixo do céu certo,da música certa, por isso coloquei o aparelho pra ficar repetindo a mesma música várias vezes. Acho que ele vai fazer isso pra sempre se ninguém interferir, se eu morrer e se não acabar a luz.A luz também está perfeita hoje. Alguém precisa por o céu para ficar repetindo também. Da onde estou não posso ver lá embaixo e por isso não existe lá embaixo. Só o céu e seus anjos caídos tocando uma música fantástica que não tem mais fim. Obrigado aos deuses por esses minutos de paz.Por esses seus anjos que resolveram por um pouco de ordem nas coisas do caos. Por esses caras que inventam aparelhos que reproduzem esses caras fantásticos.Por todo esse momento, cheguei a fazer as pazes com deus...

rkjazz - 15/05/2004 às 02h24 AM

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Old man

O velho leste me deixou com a garganta seca. Poeira e tristeza. Não sei ao certo qual mais que a outra. Tinha tanta coisa pra fazer que comecei a pensar logo qual era a mais importante. Meu pai tinha ficado pra trás. Coisa de velho, pensei. Ainda não aceitou tudo isso. Bom, fui tirar umas peças do trator antes que os caras do banco chegassem. Ainda valiam alguma coisa e a gente ia precisar agora. Pensei nisso e fui logo abrindo o porta malas do carro atrás de alguma ferramenta. Precisei por um pedaço de pau pra segurar a tampa. Não sei quantas vezes me prometi arrumar isso, não sei. O vento castiga forte por aqui. Quem não tá acostumado logo sente a areia nos olhos. É melhor assim. Muitos desistem e logo vão embora. Só ficam os entulhos das tentativas dos caras da cidade por aqui. Alguns tentam durar mais mas são, invariavelmente, vencidos. Não é o caso do meu pai. Ele nasceu com essa terra e areia nos olhos e por todos os poros. Acontece que quando minha mãe morreu, ele não conseguiu mais ser a mesma pessoa. Como se tivesse alguma coisa consumindo ele por dentro. Lentamente. Isso já faz algum tempo. O filtro de óleo do motor do trator soltou e esguichou o líquido preto pra todo o lado. Meu pai sempre me disse que eu era um "distraído crônico". Que não tinha jeito com as coisas que tem de ser feitas com as mãos. Mas que diabos...o que é que a gente não faz com as mãos? Não importa. A casa bem que ficaria boa de novo com uma boa pintura e algumas tábuas novas. Talvez um tom mais claro. Minha mãe sempre pediu isso pra ele. Uma tinta de tom mais claro. Mas a casa, desde o tempo em que a gente morava nela, sempre foi marrom escuro. Mesma cor da terra. Ele dizia que gostava da cor e ponto final. Sempre foi assim. Sempre punha um ponto final em tudo que pudesse render uma discussão, e claro, era sempre "o seu ponto final". Minha mãe tinha galinhas e outros bichos por aí. Lembro bem dos gansos. Bichos indóceis e teimosos. O problema todo era que os gansos ficavam em um cercado onde meu pai plantou as árvores com frutas. Esse era o problema. Caso contrário, não teria nada contra eles. Desde manhãzinha, quando eu cheguei, até agora, o pai não falou uma palavra. Não fez um som sequer. Não sei se ele vai agüentar muito tempo longe disso aqui. Longe das lembranças todas. Não sei como é que ele vai lidar com a cidade. Sinceramente não sei. Pra onde a gente vai agora não tem muito espaço. Não tem "lá fora". Acho que o velho iria adorar ficar aqui ao lado da minha mãe. Nessa terra poeirenta. Ia sim...

rkjazz - 14/05/2004 às 02h00 PM

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pra lavar a alma do cpf...

 

rkjazz - às 03h25 AM

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primeiros passos

os primeiros passos sempre são foda. aprender a andar é foda. você cai pra caralho. algumas vezes até se machuca. mas e daí? uma hora ou outra você aprende a lidar com as coisa que estão no caminho e a tendência é seguir adiante. comecei hoje essa coisa doentia que é escrever nesses blogs da vida. já me conformei com a minha doença. até fiquei um tempo afastado dessa parafernalha aletrônica. mas a solidão vem forte e daí tu começa a imaginar uma saída qualquer...pode ser que seja essa...vamos ver aonde vai dar...

 

 

rkjazz - às 02h54 AM

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