Rubens k - Qualquer Merda que der na Telha

Fechado para balanço...

Bom, depois dessa semana, a gente ainda tá tentando "se ajeitáááá!". O happines perdido tava foda. Depois que esqueci dos debates – o que o Mário e o Rodrigo participaram também não conseguiu decolar, apesar do Mário tentar fazer a coisa funcionar - me diverti pra caralho. Não teve jeito. Os "teóricos" conseguiram deixar a coisa chata e eu vazei pro bar. Lá o debate era melhor. O Leminski iria aprovar isso. Debates de bar. Então, nesse dia tinha uma tiazinha lá que falava com as crianças - Crianças?! Um mediador que não sabia onde é que tava exatamente e desistiu. Um poeta que vendeu 27.000 cópias do seu trabalho, um público com perguntas surreais demais e o Rodrigo Garcia e o Mário Bortolotto que tentavam colocar a coisa toda num nível bacana. Gostei da parte que a tiazinha botava pra fora o que ela tinha colocado na "lista de compras" dela e, lá atrás, o Bortolotto assoava o nariz...cara...perfeito! bom, que se fodam esse debates. Acontece que foi muito bom poder passar um tempo com esses caras. Agora em casa, comecei a ler, ver e ouvir as coisas que a gente ganhou, comprou, roubou, etc. Bom, devorei ontem mesmo o Lourenço Mutarelli. Puta que o pariu. O trabalho do cara é muito, é muito bom. Não consegui parar de ler. Foi tudo de uma vez (O Dobro de Cinco, o Rei do Ponto a Soma de Tudo 1 e 2, Mundo Pet e ainda o Cheiro do Ralo, ou será do Rabo?). Como é bom Ter alguém inteligente em casa, no caso a minha mulher, que entrevistou o Lourenço e ele a presenteou com a sua excelente obra. Sonhei com o detetive e outras coisas que não sei da onde vieram, só sei que foi um sonho em preto e branco, em nanquim. Lá pelas 4:30 da manhã, botei o CD do Rodrigo Garcia, "Polivox" – porra Rodrigo, "Polivox" também era uma gravadora e, se não me engano, uma marca de equipamentos eletrônicos...brincadeira cara. Entendi o que você falou sobre não mudar os arranjos. Tá tudo muito bem cuidado e colocado. Parabéns cara. Grande trabalho. Aliás não poderia ser diferente. O patife do Sidney Giovenazzi, Neuza Pinheiro e outros caras que souberam fazer um trabalho que enriqueceu os teus textos. Muito bom. As sabiás já começavam a cantar quando voltei pro livro que tinha começado a ler no aeroporto. Porra Pinduca (pra quem não sabe, Pinduca é o apelido do genial, e boa gente pra caralho, Ademir Assunção)...muito obrigado cara. Ainda estou devorando a "Adorável Criatura Frankenstein". E ainda tem o livro do Daniel Galera, "Até o dia em que o Cão Morreu" e o livro da Clarah Averbuck, "Vida de Gato". O cão e o gato juntos. Mas nesse caso não vão haver problemas não, pelo contrário. Falando em Clarah, muito bacana o show dela. Gostei. Ela, apesar de eu não Ter falado quase nada com ela, também me surpreendeu. Primeiro que ela é grandona. Imaginava ela um pouco menor. Segundo que ela canta bem mesmo. O Mário tinha me falado já. Terceiro que ela me pareceu gente boa pra caralho. Que bom. Então vamos lá "Adorável Criatura Frankenstein"... já desliguei o telefone...temos um pacto agora.

rkjazz - 27/09/2004 às 02h43 PM

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Perhappines...

Muito bom o show do GRUVOX ontem no Memorial. Tirando o espaço que não ajuda acusticamente, o show foi impecável. Os músicos são de primeira, os arranjos muito bacanas (punk, pop e até jazz) , boas letras e o Flávio me surpreendeu na performance. Fora do palco ele me parecia ansioso e nervoso. Metade era justificada pela leitura de Morte e Vida Severina, que estava rolando lá. Puta troço chato. O cara parecia que ia ler a porra toda, pra desespero do time rock’roll presente. A outra metade se dissipou quando ele, enfim, subiu no palco. Mandou um Marcos Prado (não consegui identificar, pois a voz é inaudível no Memorial – parabéns ao arquiteto) e foi logo dizendo a que veio. Gostei. Acho que a rapaziada "mais nova" precisava ver as "tias" mandando bala. Precisão e conteúdo. Bom, a "organização" desse Perhappines está deixando muito a desejar. A escolha do local onde estão sendo realizados os shows foi péssima. As bandas veteranas ainda conseguem dominar um pouco a selvageria dos ecos, que deixa tudo inaudível, mas as bandas mais novas devem se sentir muito mais desconfortáveis. Vamos torcer pra que dê certo. Outro detalhe significativo é o nível dos debates. Só vi o primeiro dia, onde o tema em questão era "Blogger". Uma mesa formada por Lucio Ribeiro, Daniel Pellizzari , Cecília Giannetti e tendo como mediador Ricardo Sabbag (como esse povo gosta das letrinhas dobradas, dá-lhe nn,zz,bb, etc), tinha tudo pra ser um debate bem bacana. Não foi. A tendência foi individualizar a coisa toda, tipo eu sou, eu fui e tudo é uma merda, não me pagaram...por aí, que cansou - eu saí fora quando ia começar as porras das perguntas do público, que soube depois, também foi catastrófica. O destaque fica para Lucio Ribeiro, que foi o único a trazer a tona questões pertinentes e importantes do tema. Muito ruim. O segundo dia não vi, culpa dos imprevistos, mas soube, através do Rodrigo Garcia, que também ficou aquém do imaginado. Disse ele que, dessa vez, foi o mediador  Fabrício Carpinejar (eia gauchada) , que "apareceu demais". Porra, assim é difícil. Resta esperar pela melhora do conteúdo dos debates. Hoje tem o Mário Bortolotto, o Rodrigo Garcia e Luci Collin e o mediador é o Jaques Brand. Conheço o Mário e conversei com o Rodrigo ontem. Espero que seja bem legal, pois os caras não tem papas na língua não e inteligência, experiência e conteúdo, de sobra. Vamos conferir e quem sabe desta vez aprender um pouco.

rkjazz - 23/09/2004 às 12h00 PM

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Tem alguma coisa dentro de mim, lá no fundo, crescendo, independente, tomando forma. Eu sei que sim, posso sentir. Durante anos tentei esquecer que isso acontecia comigo. O tempo todo ela sempre esteve lá, crescendo. Outra hora parava e ficava me observando. Já cheguei a tentar extirpá-la – Doutor, isso é sério? Não sei se ele entendeu a dimensão que ela poderia chegar se eu não tomasse as minhas precauções –Não, você pode viver com isso. Era o que achava, mas ele não a sentia como eu sentia. Parecia, para quem estava de fora, uma superficialidade qualquer da minha cabeça. Mas não era. Ela estava lá e eu podia sentir. Cada passo, cada respiro, expandindo-se lentamente. Cheguei a ficar sem dormir por dias pensando se ela iria recuar, vendo que eu estava alerta. Que nada. Prosseguiu adiante, cautelosa, mas sempre adiante . E os  momentos em transe então? Sintonia com a coisa que germinava dentro de mim mesmo...era assustador. Comecei a tentar conviver com ela. Tentava distraí-la e me distrair ao mesmo tempo. Funcionou, em parte. Ela começou a se tornar mais exigente com o programa "distracional" que eu inventara. Percebi que poderia perder o controle. Será que já era tarde? Nunca soube. Depois ela começou a minar as minhas energias. Eu andava sempre reclamando disso ou daquilo. Era ela. Estava tomando definitivamente o controle da situação, de mim. O pior é que as pessoas não percebiam. Soltavam uns – Você me parece mais cansado, não? Era ela. Me dominando, me existindo, me extinguindo. Era ela. Me tornando parte dela. Me deixando pequeno...pequeno...pequeno demais para reagir. Ela estava no seu auge. Feliz. Nada que eu fizesse a satisfazia. Era um inferno a minha vida. Nenhuma cor que eu enxergava servia. Nada, absolutamente nada, que eu pudesse fazer poderia pará-la. Era preciso por um ponto final nela ou em mim. Ela decidiu, como sempre. Morri em uma Segunda-feira ensolarada. Ninguém soube a verdadeira razão. Todos, sem exceção, achavam que eu tinha enlouquecido. Mas como não enlouquecer com ela por perto, por dentro e por fora? Como?

rkjazz - 19/09/2004 às 12h16 AM

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Hoje, quando tava limpando a mesa da sala, comecei a fazer a dança da chuva - aquela que a gente vê os índios fazendo na tv - só de sacanagem. Fiquei lá dando voltas e fazendo meus uhs! Foi quando ela chegou...olhei pra ela e seus olhos tavam cheios de lágrimas. Foi a aí que percebi que com coisas sagradas, não se brinca.

rkjazz - 18/09/2004 às 05h18 PM

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Para Johnny Ramone

Eu tenho uma casa uma mulher e um gato. É tudo que eu tenho. Me sinto orgulhoso disso. Já falei antes. Tenho também um quarto cercado de amplificadores e instrumentos. Baixos. É o que eu faço da minha vida. Toco baixo. Quando olho pro lado, não sei o que minha mulher vê em mim. To ficando meio cansado dessa coisa de levar as caixas pra trabalhar. Mas não posso desistir. Não tenho aposentadoria. Sou 24 horas. Quando eu ficar mais velho, vou Ter um monte de coisas, amplificadores ultrapassados na cabeça, vou citar nomes que ninguém conhece. O Arnaldo não me faz inveja. Eu sei o que ele tá falando. Eu posso citar alguns nomes agora. Não me faz inveja. A vida também não. Tenho uma em que acreditei e acredito. Meu irmão disse que não se vende...eu também não. Só fico puto achando que poderia estar ali tomando cerveja sem a preocupação com a conta. Tem coisa boa nisso. É tocar com gente mais nova. Hoje o Fabiano fez o trabalho muito bem. Já faz tempo que ele vem fazendo isso bem. Tentei fazer ele desistir e se formar em alguma coisa que ele possa pagar uma aposentadoria. Estamos na América pobre. É preciso que as pessoas saibam disso. Mas ele é teimoso e insiste em perseguir isso tudo que a gente já fez um dia. Tem talento. O que eu queria era falar pra ele o quanto eu já me desiludi com isso. Não tenho coragem. Ele é novo e vai ver por si só. Talvez se dê bem. Tomara. Estou torcendo. Só queria, um dia, chegar em casa e poder respirar. Sem Ter que começar tudo de novo no dia seguinte. Não estou me divertindo mais como antes.

rkjazz - 17/09/2004 às 04h18 AM

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Parece que alguém finalmente nos ouviu...heim Jorge?

PJ Harvey e Libertines confirmam shows no Brasil

A organização do Tim Festival, que acontece em São Paulo nos dias 5, 6 e 7 de novembro, confirmou mais dois nomes que vão figurar entre as principais atrações do evento. PJ Harvey e a banda Libertines vão se apresentar no festival em São Paulo.

No fim de agosto, a organização do evento já havia confirmado também as presenças do Primal Scream e do Kraftwerk. Outros nomes internacionais como 2 Many Djs, Soulwax e Kinky também farão shows nos palcos que serão montados do Jockey Club da cidade.

Portal Terra

rkjazz - 14/09/2004 às 03h24 PM

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Ele era aquele tipo de pessoa que vivia com medo de tudo que fosse "sobrenatural". Tinha aquelas coisas "feng shui", ou sei lá o que, pregadas na porta do apartamento. Tinha as paredes pintadas com as cores do seu signo e as pedras "energizadoras" ou " do bem", como ele mesmo falava, espalhadas pelos cantos certos: o da amizade, o do trabalho, do emprego...bom, vários cantos. Todos com a supervisão daquele guru renomado que assina aquela coluna naquela seríssima revista esotérica que a mãe dele fez assinatura pra ele, de presente de aniversário. Ele, inclusive mudou a data do aniversário dele, pois segundo a sua "numeróloga", dava azar aquela data que ele tinha nascido e era por isso a falta de dinheiro, de cabelo...bom, de várias coisas que estavam erradas com ele. Não que os cabelos ou o dinheiro tivessem voltado, não, era preciso passar primeiro o "karma" pelos anos em que ele jogou a sua "energia" em uma data que...bom, vamos pular esses detalhes. Então, essa mudança, a da data de aniversário, também gerou uma série de equívocos pois os parentes e amigos, não os novos amigos, feitos em um fórum da revista pela internet e que ele nunca vira a cara de nenhum , não esses não, os outros amigos, os "kármicos" ou o diabo que os carregue e os parentes "jucas" do interior que insistiam em ligar dando os parabéns na data errada, bom, na certa, mas errada segundo a "numeróloga"...tá entendendo? Pois é ... caramba... isso levou ele a romper com os parentes e mandar os amigos "kármicos" pra uma dimensão dentro do "djiu pu", ou sei lá o que é isso também. Bom, segundo as cartas que ele enviou pra "taróloga", da revista é claro, e ela respondeu que era por isso que ele não tinha ainda conseguido a sua passagem para "mestre" nessa vida...ia precisar nascer umas trinta vezes, sei lá, acho que era mais ou menos isso...tá...como aconteceu? Foi pela manhã, assim que eu o vi pegando a sua assinatura daquela famosa revista, seríssima por sinal, na caixa de correio. Achei que era o momento Doutor, ele precisava nascer de novo, então isso não é um crime, tecnicamente falando...bom, todos aqueles "karmas" e tal...e eu simplesmente não agüentava mais aqueles "UUUÓÓÓÓÓMMMMS" constantes com aquelas músicas "energizadoras", tudo regado a muito "incenso", indiano eu acho. Atirei na cabeça Doutor. Não sabia se era o lugar certo pra "desencarnar" o cidadão, mas enfim...Atirei na cabeça...

rkjazz - 12/09/2004 às 09h56 PM

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Isso é só pra vocês terem uma idéia do "paraíso" que é o Caribe. Na Jamaica foram 16 pessoas mortas por essa catástrofe. Ao todo já são 41 pessoas mortas pelo furacão Ivan em seu trajeto sinistro. Eu sempre achei que essa história de furacão era meio ficção, mas agora, com a minha irmã lá no meio deles todos (ela mora na Flórida), sei que é bem real. Só resta rezar muito, pois ainda não é possível saber o que vai realmente acontecer, para onde ele irá se dirigir. Na escala que mede os furacões, que vai de 1 a 5, esse é 4 agora. Chegou a 5 na Jamaica. Só resta esperar...

rkjazz - às 11h36 AM

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Agora vou por a culpa nos deuses, porque eles nunca estão por perto quando a coisa toda aperta. Agora vou por a culpa nesses meus dedos finos, que se partem por qualquer coisa. Agora vou por a culpa nessas falsas amizades, que perguntam a toda hora por onde é que eu tenho andado...o que lhes interessa? Agora vou por a culpa na falta de açúcar no café...e na minha dor de estômago. Agora vou por a culpa nessas pessoas que escrevem coisas idiotas e que publicam essas coisas idiotas e falam idiotices e vendem bem as idiotices pra um bando de idiotas completos que ficam em volta da mesa - em que essa pessoa escreve seus garranchos milionários - dando pulinhos. Agora vou por a culpa nesses apresentadores gordos que esbanjam em seus relógios caros e seus filhos gordos e seus equívocos e seus sei lá o que mais que possa vir daqueles corpos gordos que ocupam toda a tela e são grotescos. Agora vou falar um pouco dessa coisa bizarra que é sair de casa pra trabalhar e encontrar pessoas que simplesmente não entendem nada e acreditam que estão fazendo a coisa certa e ainda acham motivos, todos muito sérios, para criticar o teu excesso de vida e de anti-vida também...que se dane o mundo e suas coisinhas insignificantes...

rkjazz - 10/09/2004 às 08h23 PM

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Eu que fico preso a todas essas partes do teu corpo

Eu que não respiro

Dia a dia no teu encalço

Eu não preciso da tua sina

Que me domina

Que desperdiça todo o meu encanto

Eu que acordo tarde sem teu prestígio

Sem teu suor

Eu que ainda respiro

Ainda estou vivo

Parte a parte

Todo a todo

Eu ainda estou vivo

Enquanto houver essa tua sorte entre nós

Eu sobrevivo

rkjazz - 08/09/2004 às 11h57 PM

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É a primeira coisa que estou escrevendo nesse velho computador. Quer dizer, depois de muito tempo que ele estava parado. É uma felicidade, apesar de ter de aprender de novo como é que se fazem as coisas por aqui. Também é muito parecido com uma máquina de escrever - guardadas as devidas proporções...é lindo apertar o (') e o (c) para conseguir um (ç)...lindo...não sei como, mas parece que sou uma pessoa melhor agora. O meu pentium IV vai ter que abrir espaço pra essa maravilha do começo dos anos 80. Lento e teimoso. Me sinto a vontade com ele. Só falta mesmo o velho e bom rolo...indo até o fim pra você por ele na próxima linha e continuar a coisa toda...fluindo...mas em uma velocidade mais controlada, mais a ver com o momento de agora, que a gente não chega, sem algum sofrimento, aos cento e sessenta por hora. Estou maravilhado sim, em como era escrever nessa velha máquina...ter o trabalho de salvar naqueles disquinhos (disquetes) pra poder fazer qualquer coisa ou evitar que o velho amigo desse fim as longas horas escrevendo sobre a vida...pretendo continuar assim. Minha mulher riu muito da coisa toda e falou que se recusa a dividir espaço com a "carroça" ...pois eu gosto do passado e não vou mudar isso. Me sinto vivo relembrando das coisa que passaram por mim...é teimosia eu sei, mas ela vai ter de aprender alguma coisa de MS Dos se quiser conversar daqui pra frente. Estamos entrincheirados...eu e meu velho computador...sobreviventes de um tempo de juventude e felicidade...envelhecendo juntos...não funcionando mais tão bem assim, mas ainda por aqui...com os olhos bem abertos...e tem esse espaço todo em branco pra preencher...

rkjazz - 07/09/2004 às 04h51 PM

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Estou vendo melhor do que nunca. Ao contrário do que todos estão pensando, e  alguns até desejaram,  não fiquei cego porra nenhuma. Odeio a piedade dos outros. Acontece que a coisa está aqui, mas se cuidada, fica na dela. Andei muito desleixado com a saúde por muito tempo, então é normal que algumas peças comecem a sentir o desgaste da falta de manutenção. É basicamente como um carro velho esperando a hora de encostar definitivamente mas, enquanto ela não chega, um bom par de pneus e umas lâmpadas novas vão resolvendo o caso. Também tenho me divertido com os exercícios que o "oftalmo" me passou. É sério. Nada melhor que levar na boa, sem aquela coisa da obrigação. Duas vezes por dia, o colírio azul, depois o outro, se eu sentir que pintou aquela coceira insuportável. Liguei na hora pro "oftalmo" e ele disse: Normal. Isso está limpando seus olhos. Normal? Que bom, disse eu. Essas coisinhas estão limpando meus olhos! Maravilha! Acontece que é verdade. Tenho notado uma melhora quando fico lendo ou quando estou na frente do computador. É só sair quando a coisa começa a queimar. Já aprendi isso. E as dores de cabeça pararam. E eu que pensei que era por causa das cervejas a mais de todos os dias! Grande "oftalmo", me fez sentir vontade de ficar um pouco  mais nesse grande bar que é a vida.

rkjazz - 06/09/2004 às 08h53 PM

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O mundo não é um lugar seguro. Mais pelas pessoas que com suas crenças, seitas e "achismos", que isso ou aquilo é melhor ou pior para alguém, que governantes são irresponsáveis a ponto de forjar motivos pra uma guerra, que outros acham nesses motivos outros que tornam impossível o diálogo ou qualquer outra tentativa racional de todos terem seus espaço e crenças e "achismos". Enfim quem acaba sofrendo as conseqüências somos nós mesmos. Somos todos reféns nesse mundo inseguro que nós mesmos criamos. Tenho uma irmã que mora no sul da Flórida. Sim, bem para onde está se encaminhando um furacão imenso. Sim, ela também mora no mais odiado pais do mundo. Sim ela é minha irmã e não tem nada com isso. Nada a ver com a guerra ou furacão ou qualquer decisão que algum insano possa vir a tomar. Acontece que daqui da minha cadeira fico com o coração apertado pensando se tudo vai dar certo. Ninguém entende o que eu e minha família estamos sentindo. Nem eu entendo direito. Quando aqueles aviões acabaram com as torres gêmeas eu vi pela tv. Tava trabalhando e vi a coisa mais surreal da minha vida. Pude experimentar o horror e a incredulidade das pessoas que estavam ali vendo comigo. Pude também ouvir uns "bem feito". Porra, bem feito o quê? Puta que o pariu. Certo, eram os ianques sofrendo baixas e alguns louvaram a atitude de um louco que matou pessoas que eram queridas pra suas famílias. Não posso acreditar que tem gente que olha prum país qualquer e só vê inimigos. Ninguém pensou que aqueles ianques ali - e não foram só americanos que morreram não - tinham família, filhos...uma vida e pessoas paras as quais eles serão eternamente insubstituíveis? Não, pensaram só nos ianques se fodendo. Incrível isso. Hoje, mais um bando de extremistas insanos com uma desculpa de opressão e violência qualquer mataram muitas pessoas na Rússia. Mataram as crianças!!!! Porra, quando é que as pessoas, esses loucos principalmente, vão entender que criança é algo de mais sagrado que existe na face da terra? Que elas simbolizam toda a pureza que perdemos ao longo de todas essas desilusões de cada dia? Meu amigo Jorge tá radiante com a vinda do filho. Dá pra sacar isso. Tenho vários amigos que tem filhos. Eu e a Rosi não temos e não queremos. Não acho justo botar uma criança nessa bosta desse mundo. É só a nossa opinião. Não precisam concordar ou discordar. Então eu fico aqui de casa, com o telefone na mão, morrendo de vontade de ouvir a voz da minha irmã do outro lado do mundo, em cima ou embaixo, não interessa, quando trombo com essa violência toda de um homem olhando pra uma menina morta. Alguém que ele ama, com certeza, e que um filho da puta com pretextos duvidosos tirou dele. Porra, não tenho vergonha de falar não. Chorei pra caralho. Não é pra isso que a gente quer filhos não. O certo seria eles crescerem e seguirem com as suas vidas. Gostaria muito de falar pra esse homem lá da Rússia que o mundo foi muito injusto com ele. Que não foi culpa dele não ele não estar por perto. Minha mãe não dormia enquanto eu não voltava inteiro pra casa. Hoje, vendo essa foto, entendo. Com o passar do tempo a gente saca que a coisa pode ser perigosa. Que comprar pão, ir ao trabalho, pra escola, pegar o carro pode ser muito perigoso. Bom...vou tentar de novo com o telefone...pelo menos sei que a minha irmã uma hora dessas vai atender e falar que não é pra se preocupar, que ela está e vai ficar bem & tal...tomara...

rkjazz - 03/09/2004 às 10h17 PM

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