Lembro que quando começamos um blog, eu e o Carlão, era pra gente botar nossos textos, idéias e shows que a gente faz por aí. Uma maneira de divulgar a coisa toda. Nada melhor pra encerrar as atividades do "Qualquer Merda Que Der na Telha" que um flyer de um show. Então foi...Iris...

rkjazz - 24/02/2005 às 11h12 PM
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A fé continua inabalável. Mas não a fé por um deus, ou o temor a um deus qualquer. A fé em pequenas coisas, essa permanece enquanto estiver por aqui. A fé nos amigos. É muito importante Ter amigos. Pra confiar uma parte da nossa vida. Pra dividir o que quer que seja...um brinde! Sempre me pego rezando baixinho antes de cada show. Pra que tudo dê certo. Para que as pessoas dêem certo. Daí penso que não acredito no que acabei de fazer. Que só tenho três ou quatro amigos pra confiar lá em cima comigo. Que temos que dar o melhor de nós. É nisso que penso depois da prece. Penso que se não fossem essas pessoas que ficam ali na frente, ouvindo e vendo o que a gente tá fazendo, nada disso faria sentido. A música não existiria. Também penso muito que tudo tem uma hora pra acabar. Talvez seja agora. Abraço a todos os amigos...foi divertido isso aqui.
rkjazz - às 05h32 PM
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Estou trabalhando em dois discos, ouvindo muita música...ensaios...e o ar tá meio pesado. Um dia eu volto.
rkjazz - 23/02/2005 às 06h36 PM
[ envie esta mensagem ]Para ler ao som de Damien Rice...Volcano.
Você está acostumada a esquecer as coisas? Você acha que isso é ser forte ? Isso não é ser forte, isso é ser médio. Você é média. Mediana. Não gosto de ver a porta fechando atrás de mim. Acho que é desperdício de vida e o desperdício se transforma em mágoa. Você sabe do que eu estou falando? Hoje você está com as suas coisas arrumadas em um canto. Um canto que você escolheu. Não fico bem ali. Que merda você acha que escolheu? Você não percebe que vai continuar sozinha? Percebe sim, mas precisa de motivos pra isso. Não vou te dar motivos. Não preciso de motivos. Nem de você.
rkjazz - 22/02/2005 às 04h25 AM
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Esqueci de dizer que é para ler ao som do Divine Comedy...there is a light that never goes out...do The Smiths...
Tenho andado muito pela cidade. Uma cidade apagada. Uma cidade sem brilho. Uma cidade sem ajuda e sem piedade. Tenho olhado para cima, em busca da luz que vem das janelas. Sei que você está atrás de uma delas . Mas isso não importa mais. Realmente não importa. Não me sinto melhor por isso. Só vazio. O quê um cara com bolhas nos pés pode mais querer? O quê um cara sem nada pra oferecer pode querer? Só posso prometer e não cumprir porra nenhuma. No fundo somos uma grande farsa, mas quem é que liga pra isso agora? Seja infeliz a sua maneira, eu sigo sozinho. Mais agora do que nunca.
rkjazz - 21/02/2005 às 03h16 PM
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Para o meu irmão Mário Bortolotto...porra cara, você é o cara.
Um dia vou deixar tudo isso de lado. Mas não quer dizer que eu vá esquecer de alguma coisa. Só vou deixar de lado. Não significa nada além disso. Só espero que meus amigos estejam bem e possam levantar um brinde. Daqueles que dure a noite inteira...
rkjazz - às 02h28 AM
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Não vou a enterros. Não faz sentido ir. O último enterro que fui foi do meu grande amigo Serafa, que era sim um anjo deslocado, caído prematuramente e não por sua escolha. Ele tinha sempre a mão, dentro do guarda-roupas, uma garrafa. Quando eu passava por lá ele sacava ela lá do fundo e gente ia até uma praça ali por perto e ficava conversando e bebendo. O Serafa nunca aceitou as merdas que aconteciam com ele. Mas não era uma cara melancólico o tempo todo não. Não mesmo. Lembro que ele sempre se vestiu muito bem. Ele era mais velho e tinha um vocabulário diferente do meu. Falava bem e era muito educado. Ficou internado um tempo por alcoolismo. Entrava e saía. Quando saia a gente aprontava pesado. Eu sempre falava pra ele que, diferente dele, eu conseguia parar com as coisas que a gente tava fazendo a hora que eu quisesse. Essa era a nossa diferença. Que burrice. Eu não tinha uma mente tão perturbada quanto a dele. Nunca entendi o meu amigo. Nem quando o cara me ligou e eu não fui ao seu encontro na noite que espatifaram ele em frente a minha casa. Eu, babaca, tinha arrumado uma merda de um trabalho e me achava melhor que ele. Só isso. Assim mesmo, melhor que ele. Quando fui ao seu enterro, percebi que já não tinha mais nada pra fazer lá. Aquilo lá não era o cara que eu bebia e conversava e fazia planos. Todos os caras estavam lá, com seus papos de enterro. O Serafa...bom...definitivamente não estava lá.
Meu tio faleceu nessa madrugada. Homem morre de madrugada, falava Astor Piazzola. E meu tio foi um homem até o final. Sei muito pouco dele. Família é assim, se distancia na primeira oportunidade. Sei que era um cara calado, alto e forte, louro e com um vasto bigode parecendo aquele cara da propaganda da Camel. Não foi esse cara que encontrei , já com a doença. Nunca reclamou, que eu saiba, do câncer que tava corroendo ele por dentro. Visitei ele a algum tempo atrás, mas como era um cara calado, não consegui ouvir muitas histórias. A morte de alguém que você viu falar e andar e te olhou nos olhos causa uma sensação estranha. Um alerta. Um dia seremos nós. Ok, espero ser como meu tio, forte até o fim. Não fui ao enterro por que sei que ele também não estaria lá. Boa sorte cara, que a dor não te acompanhe.
+ ???? - 19/02/2005
rkjazz - 19/02/2005 às 12h33 PM
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5/8
Conheço caras que, quando dormem, sonham com mulheres fantásticas, com belas pernas, braços firmes, lábios carnudos, seios fartos e uma bunda grande e empinada. Conheço caras que, quando dormem, sonham que estão dirigindo carros poderosos em alta velocidade. Mas não estão necessariamente em fuga, é que a velocidade é a sua droga. Conheço caras que quando caem no sono, sonham com a tacada perfeita, o golpe do século que irá torná-los os novos fodões do pedaço. Então esses caras, fodões, irão comprar aquelas máquinas poderosas e andar a 240 km por hora em ruelas estreitas, sendo chupados por mulheres maravilhosas. Acontece que também conheço uns caras que sonham em voltar pra casa. Sonham em Ter uma casa pra voltar, daquelas com tudo dentro. Com lençóis limpos, uma garota feliz e seu vestido de alcinhas voando enquanto ela estende a roupa recém lavada no quintal. Mas esses caras não dormem nunca, só sonham. Eles perambulam noite a dentro com as mãos vazias nos bolsos. Com suas blusas de mangas compridas. Quando amanhece, eles somem pra relativa segurança de quartos de hotéis baratos, e ficam lá, no escuro, encolhidos em um canto. Quando anoitece de novo, eles voltam imediatamente pras ruas e para os seus sonhos. Com a mesma expressão cansada, as mangas compridas enfiadas nos bolsos. Voltam com algumas feridas a mais nos braços...e na alma.
rkjazz - 18/02/2005 às 01h10 PM
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1:48 a.m.
Começou a madrugada. Mais uma madrugada. A essa hora, as putas já estão mais do que prontas. A essa hora, os otário estão ansiosos por qualquer merda que alguém possa Ter prometido em pacotinhos de vinte paus. A essa hora, os homens e mulheres de bem já fizeram as suas preces. Não esqueceram de incluir os filhos, o patrão e aquele pária da família. Afinal, segundo Cristo, somos uma grande família. A essa hora alguém vai dormir sozinho em uma cama bem grande, agarrado ao travesseiro para não se sentir tão só. A essa hora, alguém deve estar promovendo a maior orgia do século. Mesmo que depois acorde sozinho na cozinha, com a cabeça dentro do refrigerador. A essa hora, o grande predador está pronto. Ele sabe que amanhã depende de hoje, dessa madrugada. Talvez ele também peça perdão, mas nunca vai se sentir totalmente culpado. É a natureza. Não há como reagir a isso.
rkjazz - às 12h46 AM
[ envie esta mensagem ]E essa vai para o Ivan Santos...por ele mesmo...isso ficou lindo cara, lindo. Obrigado Irmão, era isso que eu queria Ter dito...um dia desses...por aí.
"...Nunca mais você vai me ouvir falar assim
de novo
vou viver até o fim dos meus dias
só eu mesmo
nunca mais você vai me ouvir chorar assim
de novo
vou viver até o fim dos meus dias
só eu mesmo"
parte da letra de "Meia Volta" , de Ivan Santos, do Cd "Às Vezes Céu", OAEOZ.
rkjazz - 17/02/2005 às 05h32 PM
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Para o brother Leonardo Vinhas
Quando você for escrever sobre mim, não precisa me poupar não. Pode falar sobre os maus momentos e toda a merda que foram esses dias. Pode falar sobre os meus tantos defeitos, mas também não precisa omitir a parte boa da história. É claro que teve uma. Eu quero que você saiba que vou respeitar os teus sentimentos e tudo mais, afinal, somos bem crescidos agora. Quero que você também saiba que eu sei onde você foi morar e que posso estar te esperando do outro lado da rua. Que quando você atravessar pra me cumprimentar, posso te dar um direto certeiro e te deixar caído ali mesmo. Mas é claro, isso vai depender do que você escrever sobre mim.
(Rubens K)
Somos todos passionais, essa é a história. Recebi hoje o livro do brother Leonardo Vinhas, " As Pérolas que Enriquecem os Porcos", bancado pelo próprio Leonardo ( quem quiser o livro, entre em contato com o cara, tem o link do blog dele aí do lado), que eu tava puta curioso de ler. Ele só tinha um exemplar quando veio pra cá e deu pra outro cara. Tudo bem, ele cumpriu o que prometeu e achou outro "dando mole" por aí e me enviou. Sempre é muito bom ler o que os caras estão aprontando. Dei um tempo do Bunker e li o livro em uma "sentada". Tá tudo ali, os manifestos e indignações, a esperança disfarçada, as paixões e a falta delas, tudo em forma de poesia e belos textos muito bem escritos. Eu sabia que não poderia ser diferente. O Leonardo é um cara muito talentoso e sincero. Dá pra sacar isso quando você conversa com ele. Apesar de Ter trabalhado em fábricas e tal, é um cara muito refinado. Porra, é muito bom falar com uma pessoa que não tem medo de se mostrar e não tem mais necessidade de se esconder. Mas o que me intrigou mesmo, foi o bilhete que ele escreveu. Algo assim "...só não esquece que tem uns textos aí que escrevi com dezesseis anos..." . Porra, isso me fez pensar pra caralho. O quê ele tava querendo dizer com isso? Se desculpar de alguma coisa? Justificar alguma coisa? Situar alguma coisa? Sei lá cara, continuo em dúvida. Só quero te dizer que não precisa de nada disso aí. Essa história dos dezesseis mexeu comigo. Fez eu voltar lá atrás, vinte anos, pra ser exato. Vi que não mudei muito não. Claro, hoje não sou tão ingênuo como naquele tempo, mas ainda conservo uma certa "ingenuidade". Bunker fala um troço assim: "...Estou deturpado e amarrado a coisas demais no meu passado pra poder ser como você. Isso não quer dizer que estou destinado a ser uma ameaça à sociedade...". Isso quer dizer que tem coisas que não dá pra mudar. A gente é assim e pronto. Seja um criminoso, um escritor ou uma puta , não dá pra esquecer o passado e continuar empurrando o carrinho de supermercado. Isso eu só percebi agora, muito tarde eu diria. Mas muito tarde pra quê, afinal? Estamos todos fudidos e vamos continuar assim. O que a gente poderia Ter, era um pouco a mais de grana pra aumentar o valor das apostas e tornar tudo mais divertido e interessante. Mas continuaríamos da mesma forma, nos emocionando com as mesmas coisas. Ao contrário do Bunker, se meu futuro fosse uma sombra do meu passado, não me mataria. Apenas ficaria muito decepcionado por estar cometendo os mesmos erros. Não há nada de errado em Ter dezesseis, em Ter trinta e seis se você ainda consegue se equilibrar sobre as próprias pernas. O que muda é o peso das coisas, e esse jogo não seremos nós que vamos mudar. Não há nada de errado em ainda acreditar no que se acreditava com dezesseis anos, pelo menos eu não encaro desta forma. Fiz minha primeira comunhão, acho que com treze, e deus nunca mais saiu da minha cabeça, me mostrando os pecados que cometia numa ânsia de aprender e crescer de uma vez . Espero que a gente tenha melhorado nesses anos todos. Espero que o medo e a indecisão não nos deixem perder as oportunidades e os amigos que restam. Que os fracassos e as desilusões não nos deixem tão embrutecidos, a ponto de não mais nos emocionarmos com as pequenas coisas que estão do nosso lado. Sinceramente Leonardo, seja bem vindo ao depois dos dezesseis. Vamos beber a isso.
rkjazz - às 04h32 PM
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" E quando o sol vier socar a minha cara, com certeza você já foi embora..."
Cazuza
Enquanto eu vomitava as tripas no banheiro do quarto, ela estava no outro banheiro. Podia ouvir o barulho da água caindo e os pequenos barulhos do banho. Enquanto isso, o animalzinho verde que mora dentro de mim, deu mais um chute no meu estômago. A resposta do golpe veio em jatos fortes de toda a sorte de merda que eu pude ingerir uma meia hora antes. Merda líquida saindo pela boca, pensei. Então parei de escutar os barulhos do outro lado da parede. Ela entrou pela porta aberta e pulou sobre as minhas pernas. Passou seu perfume favorito, colocou um anel esquisito e fez uma observação sobre o "desodorizador de ambientes" em cima da privada. Desodo....o quê? Tá certo. Quando você voltar, tudo vai estar em ordem. Mesmo que eu não esteja mais por aqui, tudo vai estar em ordem.
rkjazz - às 02h12 AM
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Ficção é o caralho. Escrevemos sobre a realidade mesmo. Usamos um prego e uma parede de concreto pra isso. Às vezes colocamos um pouco de tinta nankim na ponta desse prego e escrevemos nos braços, nas pernas e aonde a mão alcançar. Conheci um maluco que, com cacos de espelhos, escreveu a história toda nas costas. Isso sim é literatura.
rkjazz - 16/02/2005 às 01h15 PM
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Todos os caras que eu conheço querem Ter uma garota quando voltam pra casa. Quando saem de casa, nem sempre pensam nela. Pensam em estratégias para conseguirem o primeiro milhão de dólares, pensam em escrever alguma merda que valha a pena, em alguma letra ou música que sejam boas o suficientes pra continuarem vivos. Ninguém, nenhum desses caras pensa que existe uma garota esperando em casa. Que ela pode estar sozinha também. Que pode estar querendo mandar tudo à merda. Que está desconfiada que o cara da sua vida está de sacanagem com ela. Que esse cara pode sair levando só o que pode ser levado nas mãos e um largo sorriso. Que pode foder com tudo e magoar mais outra garota. Então são duas garotas. Duas garotas que vão ficar muito putas e querer ir a forra. Duas garotas é algo que todos os homens sonham, é tipo um fetiche. Agora, duas garotas muito putas com um cara, isso é encrenca da grossa.
rkjazz - 15/02/2005 às 11h32 PM
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Acontece que, de uma hora pra outra, fiquei vazio. Junto com o tambor do revólver, fiquei vazio. Não conheço essas pessoas, nem preciso. Só sei que o último estampido ainda está atrás da minha orelha, indo e voltando. Atenuando em cada volta. Só sei que não consigo girar os calcanhares sair pela porta e ir comprar cigarros. A vida pode ser muito pequena quando não se tem a ambição certa. Pode ser perigosa também. Preciso de um trago de qualquer coisa amarga que embrulhe o estômago. Não consigo mais sentir o mal-estar de antes. Tô precisando de aditivos.
rkjazz - às 12h33 PM
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O quê dizer? Que o cara passou a maior parte da vida em reformatórios e prisões? Que quando saía delas, acabava se metendo em encrenca de novo? Que saiu, finalmente, de San Quentin, a mais antiga e famosa prisão estadual da Califórnia, aos 38 anos de idade ? Que o cara participou de "Cães de Aluguel", como Mr. Blue, filme de Quentin Tarantino ? Que escreveu roteiros pra cinema e televisão? Seria pouco pra descrever o Sr. Edward Bunker. Bom, enquanto alguns estão presos, outros estão presos e descobrem que podem "pular" o muro de outra forma. Bunker começou a devorar livros ainda no reformatório e viu que poderia escrever a sua história também. Mas não pensem que o cara fica naquela lenga lenga de escrever sobre o sistema correcional da puta que o pariu não. Ele conta histórias mesmo. E que belas histórias. A simples visão da foto dele me levou a escrever esses dois textos aí de baixo. Tive de sair correndo e comprar logo os dois livros dele lançados por aqui. O primeiro romance "Nem os Mais Ferozes", de 1973 - que em 1978 foi transformado em um filme chamado "Liberdade Condicional"( Straight Time), estrelado por Dustin Hoffman – e o quarto livro, "Cão Come Cão", 1996, ambos pela editora Barracuda. Já no início os personagens de Bunker te pegam. O quê dizer? Comprem a porra do livro e tirem as suas próprias conclusões. A vida pode ser pior? Pode, mas também pode ser uma coisa suportável quando você entende o jogo.


Fiz uma pausa, me esforçando para formatar o turbilhão em palavras, com suor na testa e embaixo dos braços. – Você precisa entender que não sou como você. Estou deturpado e amarrado a coisas demais no meu passado para poder ser como você. Isso não quer dizer que estou destinado a ser uma ameaça à sociedade. Se eu acreditasse que o meu futuro teria de ser como o meu passado, me mataria. Estou cansado. Posso ceder o suficiente para cumprir a lei, mas nunca serei como o sujeito que vai para sua casa no vale de São Fernando encontrar mulher e filhos. Queria ser esse sujeito, mas não sou. E suas ameaças não vão me conter. Ameaças despertam fúria, não medo.
Edward Bunker, posfácio de Nem os Mais ferozes.
rkjazz - 13/02/2005 às 05h37 PM
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Para Edward Bunker...ele é o cara.
O quê você esperava? Sou um cara razoavelmente bem nascido, freqüentei colégios razoáveis, sempre escovei os dentes e cortei os cabelos. Nunca estive em reformatórios nem em prisões. O quê você esperava? Que eu te esmurrasse cada vez que chego aqui e te encontro com outro cara? Que eu acabasse com o cara com um tiro no meio da testa? Mas o quê está errado afinal? Trazer flores pruma prostituta ou penhorar o revolver pra comprá-las?
Um cara tem que ser bom em alguma coisa na vida. Em alguma hora ele tem de deixar essa coisa de criança e partir para o ataque. Tem de parar de observar a presa para perseguí-la, cravar as garras fundo e firmes no pescoço. E derrubar e sufocar. E rugir alto pra afastar os intrometidos e oportunistas. Se for preciso matar um ou dois, só pra mostrar que você não está de brincadeira. Um cara tem de ser muito bom em alguma coisa na vida se quiser Ter o seu lugar. Sim, tem de ser bom em alguma coisa na vida, mesmo que seja em acabar com ela.
rkjazz - às 10h48 AM
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Hanna era obcecada por maçãs. Adorava maçãs. Mesmo quando elas sumiam das gôndolas dos supermercados, sempre dava um jeito de obtê-las. Hanna era compulsiva com maçãs. Tapetes de banheiro, imãs de geladeira, geleias, tortas e outras guloseimas, sempre com maçãs. Um namorado lhe deu um livro que falava de um cara que atirava em maçãs sobre a cabeça de pessoas. Hanna nunca mais saiu de casa.
rkjazz - 11/02/2005 às 02h08 AM
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Mais uma dos amigos... Marcelo Medeiros mandando bala...boa sorte cara...Buenos Aires é linda...

rkjazz - às 01h44 AM
[ envie esta mensagem ]Porra, essa nem eu esperava. Olhe só, o cara ganhou um Cd do Iris lá no Curitiba Pop Festival e resenhou a bagaça. Sinceramente, não lembro se fui eu que deu o CD pra ele. Pode ter sido o fabiano mesmo...ele falou que foi quando tava bebendo cerveja...tenho amnésia etílica e isso é mais que sabido...mas então...confiram...bacana seu Luciano.
http://www.toputo.com.br/?show=lerMateria&id_materia=1275
rkjazz - 10/02/2005 às 09h21 PM
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Indies, agora eu quero ver do que vocês são feitos...

rkjazz - às 06h03 PM
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Sweet Blues
Um saco de pão amanhecido sobre a geladeira foi tudo que sobrou de todos esses anos de solidão a teu lado. Você deve estar andando por aí, sob esse sol gelado, com a tua blusa laranja de gola alta. Eu sei que você deve estar metida num daqueles cafés que você tanto gosta, sem dinheiro pra pagar a conta, olhando pros lados, esperando um cara entrar sentar na tua frente e Te dizer que vai sim te proteger da vida que você tanto tem medo. Que vai te esconder quando os tiras vierem a tua procura. Que você tem cheiro de anjo. Te oferecer um cigarro. Eu sei que isso pode estar acontecendo agora, enquanto eu mastigo um naco de pão e engulo com água fervendo e açúcar. Como eu gostaria de te pegar pelo pescoço e te jogar pela janela, meu amor. Você não imagina o quanto ...
rkjazz - às 02h15 PM
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Agora que você aprendeu a andar sozinha, vou ficar aqui nessa cadeira de balanço, só observando teus tropeços no tapete, as topadas na cadeira. Vamos ver se você consegue chegar inteira até a porta que leva lá pra fora.
rkjazz - às 10h49 AM
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Ainda to aqui, pensando naquelas curvas todas, naquele pessoal que a gente sente tanta falta. No meu irmão Bortolotto e minha Sister Morphine, Fernanda D’umbra. Porra, não consigo voltar de uma vez quando chego aqui em Curitiba. Acho que é a tal "doença" que o Reinaldo Moraes se refere. É uma ressaca de vida que derruba a gente. Muito bom conversar com o Mário – cara, gostaria de perder alguns dias no teu ap., com aquela porrada de livros e discos. Obrigado por esses aí que você nos presenteou (Uma antologia Bêbada – fábulas da Mercearia, que é um bar , uma livraria e uma locadora, tudo no mesmo espaço, livros e filmes dividindo as prateleiras com ODDs e Diabos verdes, etc., com contos do Reinaldo Moraes e Bortolotto - só pra citar alguns escritores, No banheiro um Espelho Trincado, poemas cortantes do Sergio Melo e o Stocadas, desenhos do pervertidíssimo Paulo Stockler, muito bacanas – o Carlão me deu uns ímãs de geladeira dele, um barato). Quem não conhece o Mário, como a gente conhece, não entende o que é a amizade que esse cara tem pra dividir. Não entende como ele consegue juntar pessoas tão diferentes, a primeira vista, ao redor da mesma mesa. Não lembro quem disse isso lá na mesa do bar, mas vai: "O Bortolotto só deixa gostar dele até onde ele quer". Foi mais ou menos isso. Sinceramente? Me sinto um privilegiado. Conversamos sobre literatura e como os amigos andam encarando a vida, e como nós mesmos estamos encarando a dita cuja. Bebemos cerveja e comemos bife à parmegiana e costeletas de porco, abraçamos amigos e fizemos outros. Porra, o Mário nos apresentou a uma figuraça, o Reinaldo Moraes (escritor de Tanto Faz e tantos outros escritos). A idade não é um problema não, quando você não quer que isso se torne um problema. O Reinaldo dá uma aula de como fazer isso. Valeu a vida Ter escutado um cara desse. Também nos apresentou aos grandes anfitriões Tabata e Gustavo. Pessoas muito bacanas mesmo. Nos suportaram brilhantemente (não era só eu não que tava aos berros tentando ser ouvido naquela mesa, ou era??). E a Tabata ainda nos preparou um jantar agradabilíssimo. Coisa que só a amizade sabe fazer. Bom rever o Marcelo Mirisola e saber que tem coisas que não mudam muito não. Nem devem não, por que daí estraga. Bom encontrar o Batata e o Negão e o Wiltão. E os caras ainda engataram um churrasco no domingo, mas tínhamos que nos poupar pra estrada...ou era ficar mais uns dias, se recuperando da "doença". Impagável a do Negão no fórum Social lá em Porto Alegre. Primeiro que o cara foi parar lá sabe-se lá como. Segundo que, uma dona achou que o Negão era de algum lugar da Africa, sei lá, e solta essa pro nosso super –herói: "o quê vo-cê es-tar a-chan-do do Bra-sil?" e o Negão, vagal que só ele: "gos-tar mui-to, mui-to do Bra-zil" hahahahahahahahahaha!! Por aí vocês já tem uma idéia do que o cara arrumou por lá...figuraça. Pena que foi tudo muito rápido, mas o quê, quando está divertido, não é rápido nessa vidinha? Nem deu pra encontrar os caras da melhor banda de rock do mundo, o La Carne. Mas tem volta, tem sim.
rkjazz - 08/02/2005 às 04h10 PM
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De férias...aliás, merecidas. Só tive férias quando trabalhava numa empresa fazendo mapas. Tinha 13°, alimentação e férias. E o direito de ficar calado também. Acontece que não sou o tipo de pessoa que consegue fazer essas coisas por muito tempo - isso de trabalhar com carteira assinada e dizer sim senhor o tempo todo. Não consigo, pra desespero das pessoas que tão do meu lado. Sou músico, fazer o quê? É tarde demais pra virar o jogo e nem to mais interessado nisso. Nem de virar, nem de ganhar o jogo, só de fazer uma boa partida e não ser rebaixado pra "segundona". Só isso. São só dois dias, mas dois dias com o Mário e a Fernanda e a rapaziada de sampa é foda. Não é pra amadores não. Vocês não fazem idéia do que é acompanhar essa trupe aí. Quer dizer, tentar acompanhar. Tenho certeza que o Bortolotto vai apelar praquelas porras de carne seca lá pelas 5 da manhã – tem um lugar lá que serve esses troços a noite toda, e com muita cachaça – só pra foder o que resta do meu estômago & fígado. Tomara que o Pinduca esteja por ali também (Pinduca é o grande escritor Ademir Assunção) para podermos continuar aquele papo zen que a gente começou da outra vez. O Mário é assim mesmo. Não entendo como ele tá de pé ainda. E os caras bebem muito por lá. Inacreditável. Mas dessa vez to prevenido, Bortolotto. Engovs e sal de fruta e aspirinas hiper-mega forte...só assim mesmo. Nós, os normais, não aguentaríamos muito tempo por lá não. Nem pensar.
rkjazz - 04/02/2005 às 11h48 PM
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Meu humor tem piorado. Dia após dia, piorado. Mas também os pneus do carro, meus dentes, as cordas do contrabaixo, a qualidade do ar, meu fígado...parece que isso, piorar, é uma condição subliminar de existir.
rkjazz - às 05h41 PM
[ envie esta mensagem ]Para desfazer todos os esquecimentos...
http://www.retrotv.com.br/agente86/index2.html
rkjazz - às 05h05 PM
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3/4
Eva Brown chegou do mercado pouco antes do almoço e colocou os pacotes sobre a mesa. Eva foi abandonada pelo marido a quatro anos. Ele levou o menino e a menina com ele. Eva separou as cebolas do restante das compras, lavou-as e começou a picá-las. Só parou quando percebeu que, junto com as cebolas, tinha picado os dedos da mão esquerda.
Simom veio de Londres a três anos. Simom é fotografo free lancer, mas vive de dar aulas de inglês em um curso da periferia. Simom queria Ter sido padre. Simom lê a bíblia todos os dias tentando esquecer dos meninos que molestou no passado.
rkjazz - 02/02/2005 às 12h46 PM
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Para Eder Jofre...nosso grande campeão.

Ele era o cara que olhava a vida nos olhos, mandava "jabs" e "uppercuts" e esquivava elegantemente, ignorando a lei da gravidade. Ele era o cara que ouvia o rugido da multidão a cada golpe certeiro, a cada encontro dos seus punhos com o alvo sólido a sua frente. Às vezes esticava os olhos até a primeira fila e via, de relance, a bela garota bem nascida, roendo as unhas, pronta para disparar o seu nome em mais uma vitória, pronta para fazer ele descansar e esquecer dos ferimentos que o ringue proporcionava. Onde estará o nosso grande campeão, agora que o show acabou?
http://www.gazetaesportiva.net/porondeanda/outros/eder_fofre.htm
rkjazz - 01/02/2005 às 03h12 PM
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