Rubens k - Qualquer Merda que der na Telha

E agora vem você e me fala que essa merda é perigosa. Porra, não tô atrás disso. Mas por que tudo que eu faço, e que a gente faz, é perigoso? Mas que merda! Não consigo nem mais atravessar o sinal na faixa que me parece muito perigoso. Aquela bebida meio colorida no final da noite, quando já não sobrou mais nada pra beber, me parece perigoso. Abastecer o carro num posto desqualificado, me parece sim perigoso. estou com uma espécie de síndrome, se é que posso chamar assim. Não procuro o perigo. Ele que pula das prateleiras e entra, sem eu perceber, escondido naquele edredon florido que você colocou ontem sobre a cama. Ele que atravessa o papo e se apresenta e quando percebo, estou falando coisas da minha infância. Percebo ele entre seus dentes, ao lado daquele fiapo de carne. Perto daquela coisa verde que você comeu na hora do almoço. Eu nú, percebo que ele se instalou confortavelmente na minha barriga, bem perto do umbigo, o desgraçado. Não sei não, mas acho, tenho quase certeza, que você está escondendo ele dentro de umas das portas do armário. Não sei, posso estar me tornando maníaco - obsessivo com essa história...agora mesmo ele está queimando ali no cinzeiro. Quando você vai me contar a verdade?

rkjazz - 31/03/2005 às 02h45 AM

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Nosso meteorologista de plantão, "Seu" Jorge La Carne, mandou essa...a previsão do tempo pra sampa no dia 01/04/2005 a 03/04/2005...fiquem atentos.

jorgeLC @ 2005-03-29 12:46 said:

Como o Carlão (da mala) pediu, aqui está a revisão do tempo em São Paulo para este final de semana:
Nesta sexta-feira na capital paulista está previsto a chegada de uma massa pesada e ruidosa vinda do sul do país. Esta tempestade passará desapercebida pelo trânsito da cidade só despejando seu trovões na região central da Capital. Mas não ficará estacionada. Os frequentadores da Rua Augusta sentirão sua presença durante a madrugada de sábado e ninguém sabe ainda quais serão as consequências. Mas, bons ventos levará esta tempestade para a região periférica da Capital fazendo com que estacione na cidade de Osasco já com características de uma boa brisa fresca com garoa. Mas será apenas uma trégua para recuperar a força e transformar-se em uma nuvem carregada de energia estática da onde surgirão muitas trovoadas. Deixando um rastro de destruíção, esta tempestade deixará a região Sudeste em direção ao Sul novamente, onde continuará aparecendo em formato de furacões.

Hehehe...grande abraço "Seu" Jorge...

rkjazz - 30/03/2005 às 10h32 AM

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Foto do show do Terminal no  7° Curitiba Calling/ no 92°

acho que a foto é do Feféu, se não for, desculpa ae...

E tem Terminal Guadalupe na capa da Trama Virtual...é só clicar e ver qualé...

Trama Virtual

 

rkjazz - 29/03/2005 às 07h58 PM

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Love Cats

Eu não costumo sair de dia. Pelo menos não de maneira voluntária. Prefiro sair a noite, quando a maioria das pessoas está em casa, se preparando pra dormir. Pra Ter sonhos com a mega - sena. Pra Ter sonhos com a bunda da vizinha enquanto abraça a mulher. Mas isso não quer dizer que eu seja daqueles caras que se vestem só de preto. Que deixa os cabelos perecidos com o Robert Smith. Que eu seja uma pessoa triste e deprimida. Não, não sou. Só acho que a noite tem mais espaço. Os supermercados são vazios a noite. Posso levar bastante tempo escolhendo o sabor do macarrão pra semana toda. Posso Ter certeza que, a essa hora, a cerveja já gelou. Que a caixa, apesar de estar louca pra ir embora, vai estar solitária a minha espera. Que não vou Ter problemas para achar uma vaga na garagem ou coisa parecida. Claro, também tem outras coisas legais da noite. O silêncio. Mas se você prestar bem atenção, tem um leve sussurro. Uma coisa que vem e vai com o vento. Meio hipnótico. Chamo  a isso do pulso da vida. Da vida nascendo, dormindo, existindo e morrendo. A morte é silenciosa como um gato. Bukowski sabia disso. É preciso aprender com ambos. Com os gatos e com a morte. É preciso aprender com os gatos como se anda sobre os telhados. Como se acha uma fêmea. Como se luta por ela. É preciso aprender com os gatos como poupar "as vidas" pra quando for realmente necessário gastá-las. Os gatos entendem a vida. Mais que isso, entendem o momento - e é deles que se faz a vida, não é mesmo? Gatos de apartamento são gordos e preguiçosos. Não precisam correr risco, e eles sabem disso. Mas nem por isso eles são totalmente dóceis, como os humanos gordos de apartamento. Gatos de apartamento tem as patas macias – aquelas almofadinhas que eles tem nas patas. Gatos de apartamento se divertem com mariposas desavisadas que entram pela janela. Nem por isso são tristes ou deprimidos. Eles entendem que isso também pode ser bom. Que dá pra ser feliz olhando a rua da sacada. Eles realmente tem a "manha". Quanto a morte, Bukowski sabia mais dela do que eu...tá tudo lá. Podem conferir. Ah! Ele também entendia de gatos. Pode crer.

rkjazz - 28/03/2005 às 02h30 PM

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São quase cinco da manhã e você ainda não foi embora desse teu mundo fantástico. Desse teu mundo de faz de conta. Desse teu mundo da casa dos teus pais. Já são quase cinco horas de um dia cinza e você continua fazendo de conta que a vida não é com você. Que não foi culpa sua se ela foi embora te deixando com a caixa de fotografias. A essa hora, os caras do cais já fizeram alguns rabos de travestis e tão vestindo o macacão pra começar a merda toda. A essa hora, alguns casais estão rolando suave, em meio a muito vinho...e a felicidade mudando a cor das paredes. A essa hora, aquele garoto quieto e reservado está pendurado no chuveiro ao som de "The End" do Doors. Ele sabia que não ia dar pé essa história toda de bom moço - pelo menos por muito tempo. A essa hora, os caras do bar já esqueceram porque é que estão ali e decidiram que vão continuar por ali mesmo. Que se foda o trabalho hoje. Que se foda a vida hoje. A essa hora, os padres já estão pedindo perdão a deus pela ereção a noite. A essa hora, um árabe maluco está "esquentando" mais um carro que irá fazer garotinhas e boas senhoras e guardas de transito em pedaços. Já tá mais que na hora de você crescer e parar de olhar a vida pelo espelho retrovisor. Já tá mais que na hora de você decidir qual é o trem que você vai embarcar e quando. Só me faça um favor: não me mande postais.

rkjazz - 22/03/2005 às 05h13 PM

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Não vou nem pedir...roubei mesmo...puta texto desgraçado de sincero...daqueles que enche os olhos de lágrimas e de orgulho por conhecer todas essas pessoas que fazem essa vidinha ser bem mais suportável...Um brinde sim, Marião! Um brinde mestre Linari! Um brinde Fernanda! E o Jorge e o Carlinho e o Sidney e o Carlão e a Patrícia e o Ivan e a Adri e o Igor e o Fabiano E o Ramiro e o Zóio e o Camarão e o Lúcio...a todos, um brinde...porra...tô emocionado pacas...e nem bebi nada ainda...o Linari fiadaputa...

Esse cara aí é fóda. Ator, escritor, vodkalista de Blues e o dramaturgo mais cool do país. Já essa mina...Essa mina é fóda. Dança, escreve, bebe uísque sem gelo, e é a melhor atriz de teatro da nossa geração. Não é exagero não. É fato. Mário Bortolotto e Fernanda D’Umbra, do grupo Cemitério de Automóveis. Conhecê-los foi, pra nós do LC, de uma felicidade e honra indescritíveis. Pra mim em particular, uma influência decisiva no jeito de escrever e compor. Acho que foi em 2001 quando conhecemos o Cemitério de Automóveis. Marião nos mandou e-mail, leu algo na revista Bizz, comprou CD pelo site (o cara quis “comprar”!, vai vendo só o cara...), e aí ficamos nessa de trocar e-mails com ele e com a Fernanda um tempão. Mas nós nunca imaginamos que eles dois eram do “tiatro” nem nada disso...naquela época eles não tinham blog, site, nada dessas coisas...Quanto a mim, o “Tiatro” era um negócio que...um negócio meio esquisito, digamos. Daí um dia abro o jornal...Caderno 2...”Nossa Vida Não Vale um Chevrolet” no Teatro Sérgio Cardoso. By quem? Mario Bortolotto! Produção de Fernanda D’Umbra! Na hora, me veio na mente o óbvio: “Mas que filhodaputa, escondendo jogo...” Fiquei sabendo pelos jornais...vai vendo só esses caras... Daí que num domingão, lá fomos nós pro Sergio Cardoso. Fica no Bixiga. Tinha nós do LC e mais meia dúzia de gatos pingados na platéia. E uma goteira num balde. No palco, não tinha nada. Nem uma cadeira, uma mesa, nada. Eu tinha tomado uns tinguá no restautante ao lado, pra ficar no grau – tava nervoso, nunca tinha ido ao teatro, porra! Nós e nossas mulher lá. E a goteira cumendo solto. Tudo preparado. Que as luzes se apaguem... Aí aconteceu.Saindo da coxia, uma bela moça, de saia e coturnos pretos, ambos de couro, na mão um pequeno porta-retrato...veio em nossa direção: ("Começou", pensei.). A moça se aproximou de nós, e disse: “olha só rapaziada...vocês desculpem... mas hoje não vai rolar espetáculo...por causa do bactéria...pois é,... o cara da iluminação, ele não veio... bactéria ele furou...hoje não vai rolar... etc etc...explicou lá, algo sobre bactérias. Era a Fernanda D`Umbra. Demorou uns segundos pra me cair a ficha. Fiz cara de paisagem. Mas daí quando “entendi” a situação que tava rolando...véio, eu achei isso...ducaralho. Eu só tinha visto isso acontecer em show de rock à noite... tipo o “baterista não veio”, “queimou o ampli”...”, ou “os fiscal do ECAD tão aí”...etc...No teatro eu nunca imaginei que rolasse isso também! E a Fernanda lá, segurando aquele porta-retrato, entre grave e sorridente...”Não vai rolar espetáculo.” A gente falou Magina, tudo bem. Já gostei à partir daí. Pensei: “mas que puta esculacho!” Daí a gente meio que se apresentou pra Fernanda, e ela nos levou ao camarim. E lá estava o enfant terrible , com aquela camiseta preta de monstro que ele não tira, um coturno todo fodido e aquela voz cavernosa...”E aí Linari? Certo? Ó os La Carne aê...” A conversa que se seguiu...porra, não adianta... o Mario é um cara sangue bom de verdade. Sabe das coisas. Leu todos os Beats, ouviu Antonio Marcos e Tony Lemos, adora Blues, bebedeiras e rock fuleiro...um cara inteligente, autêntico, briguento e engraçado - e ainda escreve uns puta livro (“Bagana na Chuva”, “Pros Inocentes que Ficaram em Casa”, ...), e umas peças cabulosas, ...(peças? peraí, mas não teve peça nesse dia, porra!) Esse foi nosso primeiro contato com o Cemitério de Automóveis. Saquei que o lance dos caras era roquenrol pra caralho! (Ah, sim...quando já estávamos indo embora, quem é que aparece? O Bactéria).

 Linari, do fotoblog dos La Carne ...

 

 

rkjazz - às 02h24 PM

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Depois, dia 01/04 - é verdade isso, tem esses shows aqui...obrigado mesmo ao pessoal do La Carne - Carlinho, seu Jorge, mestre Linari e Sidney, ao pessoal do FUD e ao meu grande irmão Mário Bortolotto, valeu Marião -vamo fazê um Saco de Ratos aqui em Curitiba? é só vcs falarem ae.Cara...já tá dando um friozinho filha da puta na barriga...e com essa turma ae...que noite...que venha a noite!!!

 

 

rkjazz - 18/03/2005 às 01h07 PM

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E assim caminha a humanidade...

O Terminal Guadalupe estará se apresentando dia 28/03, às 19:00 horas.

Não marquem e venham conferir as novas patadas da banda...

Mais informações: 41-223-5982

e no http://www.92graus.com

 

 

 

 

 

rkjazz - 17/03/2005 às 03h11 PM

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Lembro que o Mário tem um poema bacana pra caralho que é "Os que vão viver, tu sacaneia". Tem uma parte que fala dos "comunistas"...então...inspirado nessa parte..."Os caras do PT"...

Os caras do PT se apropriaram do vermelho e colocaram uma estrela amarela. Ótimo, gosto do preto e branco e preto no branco. Os caras do PT são incapazes de se divertir em um filme divertido. Vêem problemas no roteiro quando aparecem em cenas os "companheiros" trabalhadores. Os caras do PT gostam de citar escritores engajados com a causa. Mas que bosta de causa é essa quando a gente tá falando de diversão? Os caras do PT devem ser terríveis na cama. Os caras do PT jogam futebol, mas não aquele bate bola saudável que qualquer ser humano com o mínimo de inteligência também gosta. Eles decidem o rumo da nação em bate bolas. Decidem cargos e apoios. Os caras do PT foderam com o bate bola. Os caras do PT não andam mais em Kombis. Tem BMWs e Mercedes agora. É a tal da ascensão social. Os caras do PT também compraram uma fazenda, e agora se recusam a plantar a soja não transgênica. Deve ser para preservar um pouco o comportamento transgressivo do passado. Realmente, eles não sabem o que querem. Os caras do PT me enchem o saco quando acordam às sete da manhã e ligam a TV no "Bom dia Brasil" com a porra do volume alto; ainda por cima são surdos esses caras. Não percebem que as noticias são as mesmas de ontem. Os caras do PT posam ao lado da Gisele Bündchen, da Cicarelli, até da Hebe. Os caras do PT estão apelando. Pra eles eu digo, vocês não perdem por esperar. Daqui a dois anos, a gente se fala de novo.

 

rkjazz - 15/03/2005 às 12h58 PM

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O lado escuro da cidade não aceita a prazo. As calçadas esverdeadas e úmidas são o ambiente perfeito pra toda sorte de parasitas que trafegam prá lá e pra cá oferecendo prazer barato e uma volta rápida pelo paraíso - com direito a uma segunda chance. Em nenhum lugar do mundo a luz do dia é como aqui. Em nenhum lugar do mundo se fala essa língua. Em nenhum lugar do mundo se sofre tanto em busca do prazer. Aqui é o outro lado da vida. Aqui é onde você tem que conseguir. Falta ar quando começa amanhecer, mas essa é a melhor hora pra ver os pequenos vampiros voltarem pros vários buracos que são os  hotéis baratos espalhados pelos dois lados da rua. Falta ar quando a neblina começa a se dissipar, quando as putas se abraçam e caminham de volta comendo hot dogs e chupando uma coca pelo canudinho. As putas são os olhos, os braços, o corpo inteiro da rua. É assim que eles sabem quando estamos aqui. As putas sabem, então eles também sabem. Cinco voltas pelo pátio atrás da igreja, cinco longas voltas, cinco minutos. Tanto faz quanto tempo demore sempre será uma eternidade. Nenhuma noite realmente vale a pena quando se sabe que o dia vai se arrastar acabando com todas as resistências. Até começar tudo de novo, na mesma hora, no mesmo segundo...o resto dos dias e noites em que vamos nos arrastar por aqui.

rkjazz - 13/03/2005 às 02h10 AM

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Sim eu sei, estou postando aqui de novo. Mais uma promessa quebrada. Estou acostumado com isso. Acontece que Edward Bunker e as coisas que eu estou ouvindo fizeram um estrago de proporções ainda não totalmente calculadas. A vida está uma bagunça desgraçada, mas está tudo mais claro que cristal...estão acontecendo coisas mais rápido do que eu consigo administrar e os sucessivos "Knokdowns" me fizeram sentir o efeito dessas transformações. Acho que saí bem mais amargo disso tudo...mas vou sobreviver sim. Isso aqui embaixo ainda é culpa dos personagens fantásticos do Bunker...peço desculpas...mas não resisto...

Uma história para Bunker...

Alguns dos caras foram para o vale. Disseram que lá sim a vida poderia ser ganha. Num lugar onde ninguém te conhece. Num lugar onde os tiras andam a cavalo e possuem cassetetes, não armas. Esse é o paraíso! - Disse Big Sam. Lá ele poderia começar de novo. Quem sabe escrever suas memórias. Quem sabe arrumar uma garota decente, casar e Ter um par de filhos. Isso sim que é vida, dizia Cooke. Cada vez que Cooke passava por uma casa com cercas brancas, aquelas de subúrbio, seus olhos marejavam. Ninguém ousava comentar o assunto. Fazíamos de conta que nada tinha acontecido. Cooke havia matado a esposa e ela estava grávida. Eles moravam em uma casa de subúrbio com cercas brancas. Cooke mesmo pintou. Desde então Cooke passou por dezenas de prisões e toda a sorte de hospícios. Natan dizia que toda a grana deve ser investida aqui e agora. Que o futuro não existe. Que tudo é instável demais e que, de uma hora para outra, isso aqui, do jeito que a gente conhece, vai acabar. Natan era pastor de uma igreja em uma cidadezinha do centro-oeste. Foi pego por estuprar virgens e roubar o dízimo dos fiéis. Realmente um mau caráter; mas tinha toda aquela coisa sagrada em volta dele. Não tinha como não enlouquecer. Na prisão se diferenciava dos outros por ser mais inteligente. Por ler muito e falar muito. Nunca pregou dentro da prisão. Dizia que não valia a pena. Que nenhum daqueles idiotas teria dinheiro pra comprar uma cova rasa, quanto mais o paraíso. Foi Natan que descobriu esse "lugar encantado", onde Peter Pan e os garotos perdidos iriam começar de novo. A "Terra do Nunca". Realmente acho que a gente nunca cresce. Olhando pra esses caras eu vejo uma trinca de pirralhos com seus revólveres de espoleta na cintura. Procurando por índios "Red Skins". Dentro das calças de cawboy com franjas. Com seus cavalos de pau. Foram pegos a mais ou menos cinco milhas do posto de pagamento. Ficaram sem gasolina. Uma coisa besta pra um bando de condenados querendo fazer a coisa certa. Então se embrenharam em uma floresta de espinhos. Daí descobriram porque a polícia usava cavalos. Além de não existirem postos de combustível por perto, os animais ignoravam os espinhos e iam pra cima com tudo, amassando o que quer que estivesse a sua frente. Os revólveres não adiantavam nada entre o denso espinheiro. Só se ouvia o barulho dos cascos e quando se enxergava alguma coisa ela já estava bem em cima. Não dava pra fazer mira. Sobre os cavalos, os tiras sabiam como usar o cassetete. A cabeça de Cooke foi rachada no meio. Natan se ajoelhou e levantou as mãos, mas não adiantou muito. Um golpe certeiro quebrou a sua coluna bem onde ela se encontra com a cabeça. Big Sam ainda acertou dois tiras e feriu um cavalo antes de ficar sem munição. Aqueles caras do centro-oeste sabem ser cruéis quando querem. Amarraram Big Sam a um garanhão e o puseram em disparada, arrastando à moda indígena. Foi uma cena bárbara de se ver. Então quando o cavalo finalmente parou, não existia muita coisa ali que lembrasse o velho Big Sam. Por quê eu não estava junto com meus parceiros? Bom, é meio embaraçoso...na verdade, peguei uma doença estranha. Minhas bolas incharam tanto que pensei que ia Ter de cortá-las fora. Foi por isso, acredite...

 

 

rkjazz - 10/03/2005 às 12h42 PM

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Aqui perto tem um canavial. Há uns seis meses tinha um cara que morava bem lá dentro. Lembro que esse cara tinha a pele muito queimada pelo sol e os pés, sempre descalços, rachados pelo tempo e pelos golpes do seu grande facão na lida com a cana. Diziam que esse cara não temia nada nem ninguém. Acontece que um dia apareceu, dentro do canavial, o corpo de uma menina de uns sete anos de idade. Tinham abusado dela de todas as maneiras possíveis. Depois fizeram a menina em pedaços e espalharam pelo canavial. Foi o cara que morava lá que achou os pedaços dela. Acontece que a polícia não acreditou na versão que o cara do canavial deu da história toda. Foram horas de horror dentro e fora do canavial. O cara era muito duro até mesmo para os cães da polícia. Fez dois deles em pedaços facilmente com seu grande e afiado facão de cortar cana. Então foi preciso vir reforço da cidade vizinha. Foram usadas armas potentes também contra o mateiro que jurava inocência. Quando ele tombou, a população toda soltou vivas. O comandante da operação foi condecorado e promovido. Então as pessoas, num último ato de vingança, atearam fogo no canavial com o corpo do mateiro lá dentro. Agora o canavial está viçoso, bonito. Acabaram de achar os pedaços do corpo de um garotinho lá dentro. Mas ninguém quer falar sobre isso agora.

rkjazz - 08/03/2005 às 09h52 PM

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