E olha só a puta notícia. O tributo ao Morphine ganhou mais um integrante, um dos melhores músicos que essa cidade e que o mundo tem. É sim, agora o tributo ao Morphine tem sax, tem sim senhor; é o sax do Paulinho Branco, é mole? Quem não quiser ver, que se foda...eu não perco por nada - além do que, vou estar tocando mesmo...vai ser um prazer.
rkjazz - 30/06/2005 às 03h31 PM
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Olha só, os "gringos" se foderam...bem feito..hehehe. Isso é a "capa" do jornal argentino Olé...que ficou sem a matéria da capa. Por que será, heim?

rkjazz - às 03h22 PM
[ envie esta mensagem ]Essa eu faço questão de tocar...que bom se pudesse ter as cordas...o arranjo é maravilhoso, mas vamos dar um jeito. E isso vocês vão poder ver dia 10/07, no Korova, com o Iris.

Dedicated to Mark Sandman 1952-1999
Take Me With You*
Mark Sandman
You want to begin again. Pretend you're innocent.
If you believe, you can convince yourself. I'm sure you can convince yourself.
This town never gave you much back. Just rumors and a whispering attack.
This town is not your friend. Never mind the loose ends.
Take me with you when you go now. Don't leave me alone.
I can't live without you. Take me with you, take me with you when you go.
And I don't care about the things I leave at home.
Cause things can't really keep you company when you're alone now.
You want to burn your bridges? I'll help you start the fire.
You want to disappear? I got the manual right here.
You say you want my help? I can't help myself.
You want my help? I can't help myself.
Take me with you when you go now. (take me with you take me with you)
Don't leave me alone. (don't leave me alone)
I can't live without you. Take me with you, take me with you when you go.
Take me with you when you go now. (take me with you take me with you)
Don't leave me alone. (don't leave me alone)
I can't live without you. Take me with you, take me with you when you go. Ahh.
(take me with you take me with you)
You want to begin again. Pretend you're innocent.
If you believe. You can convince yourself, I'm sure.
You can convince yourself.
Take me with you when you go now. (take me with you take me with you)
Don't leave me alone. (don't leave me alone)
I can't live without you. Take me with you, take me with you when you go. Ahh.
Take me with you when you go now.
*Take Me With You do Cd The Night, Morphine.
rkjazz - 28/06/2005 às 12h21 AM
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Ando precisando de bebida de verdade, daquelas baratas que a gente toma em copos pequenos, em um gole só e sem gelo. Ando precisando de mulheres, daquelas que a gente não se despede com beijo na boca pela manhã. Ando precisando de amigos, daqueles que não tenham manias que incluam as de salvar o planeta e foderem o teu sábado à tarde. Ando precisando andar um pouco a pé. De mandar o meu médico se foder – no meu corpo ainda mando eu. Ando com vontade de escarrar pela sacada, no pátio asséptico do cara e da mulher do térreo – de preferência acertar aquela merda de colie em miniatura bem na testa. Ando precisando economizar dinheiro, economizar palavras, ouvir mais música que não me deixe deprimido – mas música alegre é um saco. Ando pensando em reformar o banheiro, em construir um vaso “king size” e passar o resto dos meus dias lá. Ando precisando parar de fumar pouco. Ando precisando...Ah, vá se foder você.
rkjazz - 25/06/2005 às 03h04 AM
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entrevista
Pra que ter uma banda de rock? Porra, pra tomar muita cerveja com os amigos.Pra poder transar com garotas lindas, e gastar a pouca grana que a gente tem. Pra poder berrar bem alto as cagadas que acontecem com a gente e inventar uma teoria absurda sobre a normalidade das coisas, encher o saco mesmo. Pra nunca envelhecer.
rkjazz - às 02h21 AM
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Os olhos da savana
A porta da cabana estava entreaberta. Era verão na noite da savana e o calor era muito maior do que me falaram, do que eu tinha lido ou visto nos programas do National Geografics. Aliás, onde esses putos se metem pra fazer aquelas imagens? Fui atrás de um sonho. O de conhecer a África e seus grandes animais. Queria registrar tudo, mas, tirando umas zebras e girafas e uns búfalos mal humorados, não consegui nada demais. Perguntei ao guia onde ficavam os grandes felinos, ele sorriu e disse alguma coisa sobre esperar a hora certa, pois eles estavam ao meu lado, só que ainda não sabiam se podiam confiar em mim. Papo de guia pra turista, pensei. Ficamos conversando sobre várias coisas. Sobre costumes do seu povo, sobre costumes do meu povo. Mas não podia esconder a minha frustração por não encontrar o que eu queria ver. Então ele me ensinou uma simpatia que, segundo ele, a sua tribo usa para atrair os espíritos dos grandes felinos. Claro que isso me custou U$ 200, mas sou curioso e meu tempo e paciência já estavam se esgotando. Ele me falou algo sobre ter fé, sobre acreditar na verdade do que ele estava pra me ensinar. Então falou sobre sangue e que teria que ser durante a lua nova. Ele me mostrou uns pedaços de madeira que estavam dentro de um saquinho e que tinham um cheiro de carniça. Depois falou pra eu colocar tudo junto, o sangue e a madeira sobre a brasa. Depois me mostrou uns passos, aquela coisa pra turista, pensei de novo. Mas o que eu tinha a perder? Ele me garantiu que funcionava. Só me alertou pra ficar atento e em um lugar seguro, depois do ritual. Quando ele foi embora, pensei o quanto aquilo tudo era ridículo. O quanto eu era ridículo por prestar atenção numa coisa dessas. Aquilo deveria ser uma coisa tribal, vodu, sei lá. Aquilo do sangue me incomodou. Sou católico. Não exatamente católico fervoroso, mas fui criado dentro dos ensinamentos da religião católica. Não ensinam rituais para atrair feras na primeira comunhão. O único sangue que vemos no ritual católico é uma farsa, é vinho. Um símbolo. Mas para essas tribos da África, sangue e rituais profanos é o que não faltam. Acho até que eles fazem disso, agora que turistas estão atrás de todas as moitas daqui, um meio de vida. Era lua nova. Isso eu sabia. Decidi sair com meu “kit” para atrair feras. Procurei uns gravetos e fiz uma pequena fogueira - Ele não tinha me falado nada sobre ela ser grande ou pequena. Depois que o fogo se foi, ficou um braseiro bastante confiável para o restante do ritual. Peguei o saquinho com a madeira que cheirava carniça, mas não tinha o outro ingrediente, o sangue. Onde poderia arrumar sangue numa hora dessas? No meio de um acampamento solitário na savana. Eu deveria ter pedido o “kit” completo para bruxarias. Bom, fiz um talho no antebraço, o suficiente para umas poucas gotas de sangue. Ele também não me disse nada sobre a quantidade de sangue que deveria ter na mistura. Era tudo muito vago pra mim. Deduzi que só queria uma fera, então não precisaria de litros de sangue e nem de uma fogueira de festa de São João. Até aqui, tudo foi muito fácil e tranqüilo. Chegou a hora daqueles passos. Não tinha certeza se tinha entendido a seqüência, se é que havia uma. Parecia que havia sim um padrão. Então criei o meu próprio padrão; que era o de dar duas voltas para a esquerda e uma pra direita ao redor de mim mesmo e da fogueira, ao mesmo tempo. Era isso que eu mais ou menos lembrava que o guia havia feito. Não sei quanto tempo perdi nisso, mas cansei e nenhuma fera havia se aproximado até então. Fui até a cabana e peguei a minha garrafa de Tenesse Whisky e fiquei observando a noite escura. Não tinha me dado conta da solidão que habita na noite escura. Então pensei em coisas da minha infância, em pequenos golpes e mentiras que eu aplicava junto com meus amigos e irmãos. Não sei porque pensei exatamente nisso. Acho que por falta de companhia. Então pensei que havia mentido sobre os meus pecados para o padre, na minha primeira comunhão. Que depois disso me senti o pior dos pecadores da terra. Que eu realmente tinha dúvidas da existência de Deus e do seu papel como arquiteto do nosso destino e vida. Que por muito tempo cheguei a odiá-lo quando meu pai e minha mãe se foram deste nosso mundo. Então comecei a dar uns gritos pra não me sentir mais tão só. Peguei a arma e disparei até acabarem os cartuchos. Estava mais só do que nunca naquele fim de mundo. Lembro de me ajoelhar e chorar muito. De pedir perdão por não acreditar em nada. De pedir perdão por querer acreditar, mas não conseguir forças pra tal. Bebi muito e deitei na relva. Deus não estava em lugar nenhum daquela savana. Deus não estava em lugar algum do meu corpo. Deus, dizem, criou tudo que conhecemos e que desconhecemos também. Deus nos deu a culpa e o perdão. Deus nos fez grandes e pequenos ao mesmo tempo. Era como eu me sentia agora, bem pequeno em frente aquele par de olhos. Não adiantaria nada correr. Não adiantaria lutar ou sei lá o que mais pudesse fazer. Só esperar. Então os olhos deram a volta, eram as únicas coisas que eu via através da escuridão. Sumiram por um segundo e voltaram a aparecer um pouco mais próximos, mais brilhantes. Pareciam bem interessados em mim. Pareciam sentir o meu medo, a minha fraqueza. Pareciam confiantes, silenciosos. Foi então que comecei a rezar pedindo por um milagre. Então me senti engolido por uma força que eu desconheço o que pode ser. Poderia ser Deus?Achava que ele não existia, não sabia o que sentir, mas não senti medo. Acho que devo ter desmaiado, nunca senti algo assim. Quando voltei a mim, estava diferente. Parecia que não tinha mais peso nenhum pra sustentar. Parecia que podia flutuar e ri com isso. Parecia que toda a minha culpa, tristeza e incredulidade foram tragadas por aqueles olhos da savana. Foi aí que entendi que o perdão e a morte são milagres de Deus.
rkjazz - 23/06/2005 às 12h31 PM
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Leiam isso, músicos do Paraná...
http://tudoparana.globo.com/cultura/geral/conteudo.phtml?id=471111
rkjazz - às 03h35 AM
[ envie esta mensagem ]Damien chegou em casa por volta das 20:30. Depois de acender a luz, verificou as janelas, checou cada grade e a porta de ferro que dava para o pátio do fundo. Olhou atentamente para ter certeza que nada fora forçado.Então urinou e ficou um tempo olhando para a sua urina na privada, antes de dar a descarga. Depois voltou à porta da entrada, fechou-a com a chave, depois com o ferrolho e, por fim, com uma trava de ferro que mandara fazer dias antes da próxima lua cheia, tirou a chave da fechadura e colocou-a numa gaveta. Então colocou um filme sobre lobos no vídeo, sentou-se no sofá e aumentou o volume o suficiente para que os barulhos do filme encobrissem os seus.
rkjazz - 22/06/2005 às 01h57 AM
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Essa semana vou postando algumas das fotos do show do TG no Era só o que Faltava. É só ir no fotos grogues/rkjazz, com link aqui do lado. Confiram. Aliás, Allan, de quem são as fotos?rkjazz - 21/06/2005 às 09h35 PM
[ envie esta mensagem ] E tem site novo na área. É o Tinidos ( tá linkado aí ao lado), do pessoal do FM Zine, o Fernado Souza e o Marcelo Urânia, mais a Fabiana Bubniak, o João Marcelo Gomes e uma rapaziada bacana trazendo as notícias do mundo da música pra gente. Sorte aí pessoal.rkjazz - às 02h12 PM
[ envie esta mensagem ]Pra reforçar: O CD do TG já chegou. E como o Pierre me lembrou, também tem o CD do Iris ainda.
"Você Vai perder o Chão" - Terminal Guadalupe R$ 5,00 (CD + revista poster)
"Bizri" e
"Solitude" - Iris R$ 10,00 (sim, é um Cd duplo)
É so mandar e-mail pra rkjazz@terra.com.br que eu mando as bolachinhas. Abraço e, se possível, espalhem a notícia.
rkjazz - às 01h48 PM
[ envie esta mensagem ]E sexta-feira, espero estar bem melhor pra poder ver esse puta show do Guvox, que vai rolar na "A Grande Garagem que Grava".
Grande abraço ao mestre Alberto, ao Flávio "Jazzcobsen", ao Rodriguinho e ao monstro da guitarra, a lenda, Walmor Goes. Estarei lá velhos. Vão gelando as cervas, que se foda a gripe...e abraço também ao Jair (guitarrista original do gruvox), que tá numa boa lá pelo litoral paulista. Volta pro frio, viado.
rkjazz - às 01h13 PM
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Outro livro que estou lendo é o "Achei que meu pai fosse Deus", contos escritos por várias pessoas (comuns), que o Paul Auster organizou e lançou em livro. Muito legal também.

Um pouco da história sobre livro e autor está aqui Companhia das Letras.É só procurar pelo título na busca do site. Boa leitura. Eu e minha gripe, embaixo das cobertas, com a Dusty ao lado, estamos tendo sim umas tardes bem bacanas.
rkjazz - às 12h56 PM
[ envie esta mensagem ]É o que estou lendo. Estou gostando muito do universo maluco de Neil Gaiman (Sandman). O Eduardo Féres fala melhor dele - livro - do que eu conseguiria. Confiram, tem o link aí embaixo. O meu predileto é o "Mistérios de Assassinato".

rkjazz - às 01h48 AM
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Bom, apesar dessa gripe desgraçada que se apossou de mim desde sexta, estarei hoje, 20/06,às 23:30, lá no Era Só o que Faltava, na segunda que eu gosto, junto com o pessoal do Black Maria, fazendo o show do TG. Lá também estarão os CDs do TG pra venda (R$ 5,00). Apareçam.
Eis o set list
Mármore gelado
Bêbado
Que saudade de vc
Esquimó
Canção pra lena
Tambores
Língua dos cachorros
Lorena
Uma polegada
Breu
O peso do mundo
Lexicon*
Aneurysm*
Era só o que faltava
Av. República Argentina, 1334.
Fone: (41) 3342 0826
ingresso: R$ 10,00
rkjazz - 20/06/2005 às 06h07 PM
[ envie esta mensagem ]"...I’ve got another confession, my friend: I’m no fool
I'm getting tired of start it again somewhere new..."
caiu como uma luva...essa é uma parte da letra de "Best of You", do Foo Fighters...
rkjazz - 18/06/2005 às 12h50 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]
E teve ainda o disco "Você Vai Perder o Chão", do TG, de fundo - Trilha sonora - para o programa enfoque de 17/06, da Tv Educativa do Paraná. Segunda -feira, eu o Allan e o Fabiano vamos gravar uma entrevista para a TVE-Pr., falando sobre o disco e sobre a nova tecnologia de gravação de Cd, o SMD ( o TG é a primeira banda brasileira a prensar Cds em SMD). Aviso aqui quando for ao ar a entrevista e assistam para ficar por dentro de como se utilizar dessa nova tecnologia também.rkjazz - 17/06/2005 às 08h28 PM
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Então, o Allan acabou de sair daqui de casa e me deixou 50 cópias do disco "Você vai Perder O chão", do TG, é óbvio. Quem se interessar, é só me mandar um e-mail Rkjazz@terra.com.br que a gente combina a entrega e tal. O preço? Módicos R$ 5,00 - cabe em qualquer bolso. Cara, o que dizer - Tezão. Aos amigos, espalhem a notícia, serei muito grato.rkjazz - às 04h53 PM
[ envie esta mensagem ]![]() |
| TECNOLOGIA-O cantor Ralf tem a patente internacional de nova mídia para gravação de discos Horizontes que se ampliam |
Independente
É de Curitiba a primeira banda independente a experimentar o SMD – a Terminal Guadalupe, que lançou recentemente, no formato, Vc Vai Perder o Chão. Já com as gravações em andamento, o vocalista Dary Jr. ficou sabendo do SMD e investigou minuciosamente a nova mídia. “Fui ver a idoneidade da empresa, chequei com técnicos de som a qualidade do resultado, testei o disco já gravado em vários aparelhos de som”, conta.
Comprovada a qualidade do material e sabendo que gastaria menos para produzi-lo, a banda investiu pesado na produção do registro no formato, priorizando a aplicação dos recursos na garantia de uma boa gravação e mixagem, e contratando, como produtor, Silas de Godoy, cujo currículo inclui trabalhos com Jota Quest, Raimundos e Caetano Veloso (do qual foi engenheiro de som do CD Livro, vencedor do Grammy).
Pela primeira tiragem de Vc Vai Perder o Chão, de 2 mil cópias, os integrantes pagaram R$ 4.200 (R$ 2,10 a unidade) – mil cópias de um CD não saem por menos de R$ 5 mil. Eles já estão pensando na segunda tiragem, de 3 mil cópias, e querem chegar às 20 mil necessárias para conseguir a distribuição em bancas. Por hora, o SMD do grupo pode ser comprado no site do Terminal Guadalupe ou nos shows (ao preço de R$ 5).
Outra queda de braço que o Terminal Guadalupe propõe é contra uma idéia vigente nas relações de consumo, que teima em afirmar que o que é barato não presta. “Essa tecnologia prova o contrário, dá para fazer algo bom, barato e bonito. Afinal, foi com o material em SMD que fomos selecionados por dois importantes festivais este ano (Claro Que É Rock, etapa de Florianópolis, e Festival da América Latina, em Cuiabá*). Ou seja, a qualidade sonora recebeu aprovação de profissionais da indústria fonográfica”, diz Dary.
Adriane Perin
* Só uma correção: O Festival América do Sul foi em Corumbá, MS, e não em Cuiabá, como citado na matéria.
rkjazz - às 02h44 PM
[ envie esta mensagem ]Tentei esperar pacientemente a máquina de lavar roupas parar de fazer todo aquele barulho, mas minha cabeça parecia fazer mais barulho que ela, não sabia qual desligar primeiro. Então saí de casa andar um pouco, me distrair pra ver se a ansiedade dava um tempo, me faria bem. Na esquina tem aquela banca de revistas. Toda esquina tem uma banca de revistas. Dentro delas, aquelas revistas com mulheres nuas que me olham assim que passo de fora pra dentro. Me sinto intimidado, sou tímido com mulheres. Nunca dei um beijo ou uma trepada. Minto, beijo já dei, mas puta vale? Bom, entrei e cumprimentei uma delas, aquela loira que tem uns peitos do tamanho de melancias, a da capa de fevereiro. Ela, como todas as capas, me ignorou. É por isso que sou tímido com mulheres, elas me fazem pensar que não sou digno de olhar pra elas, pros olhos, peitos e bundas delas. Saí da banca humilhado. Andei mais um pouco - Mas peraí! Criei coragem e voltei pra banca, fui logo pegando a revista na minha ânsia pela loira com os peitos de melancia.Senti o meu rosto queimando, o barulho voltamdo na minha cabeça, mas era agora ou nunca. Minha timidez não ia me atrapalhar. Estava decidido pela loira com peitos de melancia. Deixei logo o dinheiro em cima do balcão. Não gosto do dono da banca, aquele velho pervertido, com seu bigode pontudo, com sua careca coberta por aquele bonezinho de velho aposentado – Pervertido! Isso sim que ele é. Notei que ele me olhava fundo, e eu com a cabeça meio baixa, tentando evitar o olhar rançoso dele. Mas ele me olhava procurando meus olhos. Desgraçado, bastava pegar o dinheiro, eu nem queria o troco. Então ele abriu aquela boca aposentada e deu um sorrisinho. O que ele queria dizer com isso? O que ele queria que eu fizesse? Que retribuísse? Saí o mais rápido que pude pra minha casa, pra minha segurança. Podia sentir a minha nova amante através do plástico, mal podia esperar pra olhá-la em todos os detalhes. Passei rápido pelos “Ois” e “Como vai, seu Roberto?” Bando de vagabundos, não tem o que fazer então ficam bisbilhotando a vida alheia com seus ois e como vai. São pretextos pra invadir a intimidade de quem pára e responde. Eu não, passo direto. Subi pela escada para evitar algum inconveniente no elevador. Desgraçados – disse ofegante. Abri a porta e senti o suor descer da minha testa. Estava seguro agora. Só eu e a loira com peitos de melancia. Então aconteceu uma coisa terrível.Reconstitui mentalmente todos os meus movimentos, não poderia eu ter errado. Só pode ter sido coisa daquele velho pervertido. Só pode ser coisa dele. Então peguei o trinta e oito na gaveta do criado mudo. As cinco balas estavam lá. Desci pela escada ignorando os degraus, praticamente corri até a esquina, até a banca. Tinha uma mulher com uma criança lá dentro. Esperei elas saírem e entrei. Joguei a revista no balcão e gritei pro velho – Seu filho da puta pervertido. Você achou engraçado isso? Viado é você. E mandei as cinco balas no peito do velho. O boné de aposentado voou pela banca. Não ouvi os estampidos, só vi o rosto assustado do velho e ele tombar sobre o balcão, sujando tudo. Então olhei pras prateleiras e a loira com peitos de melancia estava lá, mais à esquerda do que antes, me sorrindo, ao lado das revistas gay. O filho da puta havia trocado as revistas de lugar de propósito - só pode ter sido isso.
rkjazz - às 02h21 PM
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A queda de Manfred Von Richthof
Hoje eu gostaria de esquecer que sou toda essa lenda que cerca a minha vida. Gostaria de tomar café sem nenhum plano mirabolante na cabeça. Gostaria de olhar lá pra fora através do vidro sujo e ver o que está lá fora, não o que eu quero que esteja lá fora. Gostaria de ser simples, de ter pretensões simples de um homem simples. Tem muita coisa errada comigo, eu sei disso. Tenho um passado que me atormenta, dores terríveis de cabeça que me lembram quem sou e o que fiz por ser assim. Tem as fotografias na parede. As provas do tempo que eu achava que era alguma coisa superior, um enviado de deus na terra, um justiceiro alado que libertava as pessoas dos demônios - Um anjo. Tem meus olhos em todas essas fotos me inquirindo, me cobrando, me assustando. Ouço vozes quando deito sozinho na cama. Que falta você me faz nessa hora. Sei que você, no fundo, não concordava com nada do que eu fazia, mas éramos jovens e cheios de esperança. Fomos levados pelas circunstâncias, por um líder maníaco que queria que acreditássemos em suas verdades – e acreditamos. Eu acreditei e aqui estou, velho, aleijado e sozinho. Ainda tenho o velho avião vermelho lá no paiol, mas já não tenho mais a mínima alegria em voar, em estar mais próximo de deus. Não tenho mais.
rkjazz - 16/06/2005 às 03h19 AM
[ envie esta mensagem ]Batman em Copacabana *
Uma noite dessas eu conheci o Batman. Desde menino eu pensava que ele era apenas uma ficção. Uma coisa da cabeça de alguém que entrava na nossa cabeça e que a gente achava que era verdade. Mas não é. Ele existe sim. De verdade. Com as asas e tudo o mais, eu acho. Acontece que o Batman não é exatamente um cara feliz. Também não é verdade essa história que os pais dele se foderam e ele ficou órfão e tudo mais. Ele me contou a história verdadeira. Acredite, seus pais não morreram em um acidente, ou foram assassinados e tal. É que eles deixaram ele pra lá. Acho que tem a ver que o Batman não é filho do pai dele, entendeu? Acho que a mãe do Batman corneou o pai do Batman e ele acabou nascendo assim, filho bastardo. Na verdade o Robin é o irmão mais novo do Batman, filho legítimo do pai e da mãe. Isso emputece o Batman. Mas ele não desconta no guri não, pelo contrário. Ele me falou que acabou com os dois enquanto dormiam. A mãe e o pai. Que na verdade ele tava cagando pra essa história de justiceiro e tal. Ele só queria vingança. Acontece que uma coisa leva a outra. A culpa. Isso o Batman tem de sobra. Ele se sente culpado por toda a merda que aconteceu na sua vida. De ter acabado com o filho da puta do pai e a piranha da mãe. Então ele montou toda essa história em volta dele. E começou a dar porrada em neguinho só pra esquecer a porra toda. Então ele ficou com a maior moral. Ele nunca quis isso de verdade. Ele treinou o Robin. Educou o guri como ele achava que deveria ter sido educado. O Batman é foda. Acontece que o cara, o Batman, também tem seus dias ruins. Acredite, eu tava até agora tomando umas com o Homem-Morcego. Mas que porra. É verdade!
*Por culpa do sono não coloquei aqui - esqueci - que essa é a versão do Batman por um carioca maluco, cuidador de carros. Genial.
rkjazz - 13/06/2005 às 02h55 AM
[ envie esta mensagem ]Joe estava num bar bebendo um duplo de uísque sem gelo. Era um desses psicopatas incuráveis. Ele adorava acabar com mulheres. Elas nem precisavam ser bonitas. Joe adorava amarrá-las e estuprá-las. Bater muito mesmo e depois rasgar a roupa e cortar primeiro os biquinhos dos seios. Depois retalhava a sua vítima e colocava em caixas que endereçava ao juiz Calson. A vida de Mai Lin estava uma desgraça incurável. Era imigrante ilegal e estava tendo problemas com um cafetão da quinta avenida. Ela tinha desviado uma grana pra mandar pra família lá na China. Mai Lin não ia durar muito nas ruas agora. Sua vida não valia nada agora. Então ela entrou num bar e sentou ao lado de um cara careca de preto. Pediu uma dose dupla de uísque sem gelo, virou tudo de uma vez e olhou pro cara de preto bem dentro dos olhos e disse: Preciso sumir daqui. Não poderia ter sido mais feliz a coincidência.
rkjazz - 12/06/2005 às 09h52 PM
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Vi a derrota de Mike Tyson. Vi o grande campeão negro dar explicações de mais essa derrota. Vi ele procurar pequenas desculpas e esboçar pedidos de perdão Sair de cabeça baixa. Ser vaiado. Ser consolado como um perdedor qualquer. Ser encurralado no córner da vida. A essa hora os irmãos negros devem estar putos com ele. Gastaram muita grana pra botar Tyson em cima do ringue. Acho que desta vez ele não dura muito. Vi um grande músico de jazz ser expulso do bar. Ser insultado como um palhaço qualquer. Ser colocado em uma condição que não tem nada a ver com arte. Perder a mulher e os amigos. Quase ter de entregar a alma pro pop, funk ou o que quer que seja pra sobreviver. Vi um dos grandes do punk rock virar uma caricatura de si mesmo. Viver de contar velhas histórias de quando era um dos grandes. Vi ele olhar pra pequena platéia e não se lembrar o que estava fazendo ali. Vi as pessoas indo embora constrangidas – mas elas estão sempre indo embora mesmo. Vivemos em uma época engraçada onde os grandes ficaram lá dentro do grande museu da memória, juntando poeira, juntando os pedaços que caíram, mas que nunca mais serão colados. Enlouquecendo. Achando que merecem uma segunda chance. Pra quê? Até quando vamos suportar essas humilhações?
rkjazz - às 12h54 AM
[ envie esta mensagem ]Bairro Chinês
Num beco sujo e mal iluminado, Moisés separa comida nas latas lixo, nos fundos de um restaurante chinês. Moisés e seu cão Thor conhecem como ninguém aqueles becos. Sabem onde é mais seguro passar a noite. Onde os malandros não vão jogar querosene em cima deles e atear fogo, só por diversão. Onde podem ter privacidade e alguma dignidade. Onde ficam invisíveis aos olhos nervosos e pouco confiáveis dos malditos orientais e suas máfias. Onde arrumar uns trocados. Moisés e Thor conhecem como ninguém aqueles becos e seus moradores. Da onde então teria vindo a garota branca, de olhos castanhos, de cabelos castanhos que esta enfiada em uma das latas? Mesmo mutilada, ela continua linda. Muito linda.
rkjazz - 11/06/2005 às 04h02 AM
[ envie esta mensagem ]O velho sacerdote sentou em sua cadeira de balanço. O sol já estava bem vermelho e baixo no horizonte, quando o secretário percebeu a ausência dos seus movimentos. A cadeira parada, o peito parado. O cobertor dobrado sobre as pernas. A cabeça meio de lado como quem adormece e tem bons sonhos. O secretário então sentou ao seu lado, no chão, e ficou olhando o ultimo quarto de sol ir embora. Então perguntou ao velho sacerdote, baixinho, como é o paraíso.
rkjazz - 09/06/2005 às 02h02 AM
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INDEPENDENTE |
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Terminal Guadalupe é uma banda curitibana que tem o jornalista Dary Jr. como frontman. Formada em 2002, ela apresenta o terceiro disco, Vc Vai Perder o Chão, e mostra que deixou de ser o projeto de alguém e ganhou a organicidade de banda. Outra coisa importante é que Dary Jr. se libertou de fantasmas que perambulavam, em alguns momentos, suas obras anteriores, e acreditou num jeito próprio de traduzir em canções as coisas da vida. Está mais fácil apreciar o resultado e, em conseqüência, o amadurecimento musical é mais visível também. É a impressão que se tem ao ouvir o novo álbum, um trabalho cheio de belas canções do grupo que se completa com Allan Yokohama (guitarra e voz), Rubens K (baixo) e Fabiano Ferronato (bateria). A dobradinha com Fabiano Ferronato – parceiro de Rubens na banda Íris – é perfeita também no TG. Allan Iokohama também está fazendo a diferença. Seja nos backings inspirados e inspiradores que contracenam com belos arranjos no violoncelo, como escrevendo, junto com Dary, preciosidades como “Tambores”.
Site: www.tg.mus.com.br.
Blogger: http://www.terminal.blogger.com.br/ Adriane Perin |
rkjazz - 08/06/2005 às 09h10 PM
[ envie esta mensagem ]Olha só o que o Bobby fez com a gente...achei o maior barato - ficaram mais legais que os originais. Valeu cara, gostei dos "caras do Terminal", hehehe.




Da esquerda, acima, pra direita - Rkjazz/Allan "Japa" Yokohama /Dary Jr. e Fabiano "hemp" Ferronato.
rkjazz - às 01h34 PM
[ envie esta mensagem ]A idade é inevitável, o tempo é inevitável ( relativo), a morte é inevitável...e eu não me acostumo a esses conceitos.
rkjazz - às 05h21 AM
[ envie esta mensagem ]Mais um show que eu gosto muito de fazer...
rkjazz - 06/06/2005 às 02h10 PM
[ envie esta mensagem ]São três horas da tarde. Não tenho nada pra fazer. Nem eu nem Chet, que diz que pra ele é tarde demais. Toda vez que chego perto do parapeito e olho lá pra baixo, rio de tristeza pela infelicidade que ele teve. Daqui a pouco pode ser eu mesmo atravessando a rua, ou você e toda essa tintura pra cabelo. Não tenho disposição às três da tarde e isso se arrasta até a noite. Não tenho dinheiro pra repor a garrafa que me trouxe até aqui. Que me fez prestar atenção em contra-baixos, em textos que dissecam a alma, em belos figurinos arranjados em brechós. Se pudesse escolher entre macarrão instantâneo e vinho não teria tantas dúvidas assim, mas vi o exemplo do Nicolas Cage em “Despedida em Las Vegas” e me falta uma Elizabeth Shue. Fico poupando meus “Bunkers” e “Bukowskis”. Sei que um deles não vai mais poder nos mostrar o inferno de perto e o outro ainda está pensando em como voltar lá pra dentro da solitária, pra longe dessa “liberdade vigiada” das segundas-feiras na Califórnia. Do sol da Califórnia e seus vinhos frisantes. Da Califórnia que ele não mais reconhece, que perdeu um pouco da dignidade dos anos 20/30. Da Califórnia e suas mansões-presidios e suas cercas eletrificadas. Nunca fui pra Califórnia. Nunca saí de trás dessas grades dessa cidade dormitório e de homens de negócio. Agora colocaram uma cerca eletrificada no meu prédio e um alarme com múltiplas funções. Agora que eu não saio mais de casa. Agora que os gatos não podem mais andar por sobre os muros, não me interessa o que eles estão fazendo com o mundo além dessas nossas cercas elétricas. Ninguém entra aqui – eles dizem. Eu digo que eu é que não saio mais daqui. “Estou preso em uma cela de seda/ impedido pelos fios de metal/ que cortam o ar a nossa volta/ estou com outros e estamos impossibilitados de saciar a nossa sede/ temos medo de romper o que existe a nossa volta”. São três e vinte e sete e Chet está mostrando como é que as coisas funcionavam antes, quando ele ainda podia andar pelos parapeitos. Quando ele desfiava a gravidade com o seu trompete e a sua voz...
rkjazz - às 02h03 PM
[ envie esta mensagem ]Martim estava lendo um livro de poemas quando três caras entraram no ônibus. Quando um deles estourou a cabeça do cobrador, Martim estava no meio de um campo de centeio. Quando a velha senhora desmaiou – provavelmente morreu de um ataque cardíaco - Martim estava abrindo os braços e sentindo toda a liberdade que jamais sentiu em toda sua vida. Foi aí que ele percebeu a queimação no peito. O buraco na camisa. A mancha na camisa. A mão no peito. A falta de ar. O formigamento se espalhando. As luzes se misturando. As vozes ao longe. Os ruídos do corpo. Os rostos desconhecidos. O chão sujo. Os sapatos velhos. A maciez da grama. A suavidade do vento. O cheiro das flores...
rkjazz - às 01h53 AM
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02/07/1968
Ando muito interessado nessa doença. Nessa doença que ataca enquanto a gente dorme. Que faz suar frio. Que faz cair e cair e gritar enquanto tentamos agarrar em alguma coisa que não existe. Tenho sentido medo de descobrir a verdade. A verdade que se esconde por traz dos olhares em volta da mesa. Dos olhares que se movem enquanto você passa. Do interesse que desperta a tua presença. Tenho estado cansado a maior parte do tempo. Cansado de estar cansado. Cansado de esperar que ela – A doença - pule de traz da porta. Que saia dos sonhos e venha nos enfrentar em corredores largos, em sorrisos largos e pouco confiantes. Tenho visto muita gente com força de vontade, definhando. Rastejando por traz de um monte de mentiras que tem de ser contadas. Escondendo. Sempre escondendo e esquivando. Tenho pensado que a melhor saída é encher os pulmões de ar e pular desse abismo que construí todos esses anos. Desse abismo chamado vida – Um abismo sem fim. Tenho cortado a pele, raspado o cabelo e tirado as unhas com uma pinça. Tenho cortado as sobrancelhas e tirado os pêlos do nariz. Tenho quebrado os ossos tentando mudar a minha figura, a minha forma. Tenho tentado parecer saudável, mas não é isso que enxergo todos os dias. Não é isso que reflito nos vidros. Não é isso. É uma imagem cansada e doente. Cansada de incessantes tentativas e de só alcançar a borda dos sonhos. Tenho pensado em desistir, mas nem isso consigo. Tenho perdido terreno dia após dia pra essa doença que ocupa todos os espaços de um dia de sol e os olhos dos amigos. Tenho ficado mais velho todos esses dias. Até o fim desses dias.
rkjazz - 05/06/2005 às 08h58 PM
[ envie esta mensagem ]Olha só, tem um papo bem bacana lá no Scream&Yell com a melhor banda de rock'n'roll brazuca. Sim , o La Carne (tem link dos caras aqui do lado). Obra do Leonardo Vinhas - abraço cara. Dêem uma conferida e vejam o que rola. Grande abraço a toda família La Carne - tô sabendo que o Carlinhos tá de "filho novo"...Grande Carlinhos, puta saudade velho, vê se aparece...e o Jorge também.
rkjazz - 04/06/2005 às 09h36 AM
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7 anos
Eu sonhava todo dia em alcançar o céu. Um lugar próximo desse céu sem culpa, sem medo, sem desespero. Um céu cheio de possibilidades e felicidade. Ficava na ponta dos pés na beira do barranco, do telhado. Tudo isso pra quem sabe uma nuvenzinha baixar e eu poder pular nela e ir pra lá, pro céu, ver o que eu imaginava que iria ver. Tinha sonhos estranhos com um touro correndo atrás de mim, me encurralando.Mas na hora agá, a tal nuvenzinha baixava e me tirava do sufoco. Acordava todo suado. Cresci olhando pro céu, pra nuvens salvadoras e esqueci de olhar pra baixo. Esqueci de prestar atenção nos bichos rasteiros que te pegam pelos pés e sobem pelas pernas abrindo feridas, te apodrecendo aos poucos - Os vermes da terra. Aos poucos eles foram se infiltrando. Eu ainda sem saber olhava pra cima, mas já podia sentir o ódio se espalhando pelo meu corpo. Ocupando espaço. Fui ficando incapaz de mexer braços e pernas, mas a cabeça ainda continua olhando pro céu, na esperança da tal nuvenzinha, que nunca veio.
rkjazz - 03/06/2005 às 05h58 PM
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