Rubens k - Qualquer Merda que der na Telha

Saquem só...depois eu conto e ninguém acredita em mim, mas é verdade! Eu juro que é.

"...Eu tava muito bêbado noite dessas e eu não me lembro direito. Só sei o que me contaram. Disseram que colou um cara que ficava cantando uma porrada de merda do nosso lado. E ele tava sem grana pra beber. Então eu perguntei: "O que cê tá bebendo, Cara?" Ele respondeu: "Vodka" Eu disse: "Eu te pago uma, mas você tem que parar de cantar, pelo amor de Deus". O cara bebeu a Vodka e dormiu na mesa, aliviando nosso pobre saco. No final da noite, eu peguei a conta e falei: "Porra, Trovão, que merda de vodka é essa na minha conta?".

Mário Bortolotto

 

O Xico Sá quando encontrou o Reinaldo  Moraes no lançamento do Marcelo Mirisola, gritou essa, do outro lado do bar:

"REINALDÃO FILHO DA PUTA!!"

E o Reinaldo respondeu também aos berros:

"VOCÊ NÃO PODE PROVAR NADA!!"

 

Os cara são assim mesmo, fantásticos, rápidos, cheios de argumentos e de vida. Sinceramente: não sei o que ainda estou fazendo por aqui.

 

rkjazz - 30/11/2005 às 05h16 PM

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O que eu trouxe de sampa na bagagem.

Esse foi uma sorte ter encontrado. Era o último exemplar (lá na Mercearia - valeu Mário). Muito fudida a forma com que o Jorge escreve. Ainda estou lendo (economizando as palavras - lendo e relendo), mas é simplesmente GENIAL. Tentem encontrar, vale a pena. E tomara que seja relançado. O livro e o Jorge merecem.

MAL PELA RAÍZ

EDITORA BALEIA

acredito que está esgotado, infelizmente.

Hunter S. Thompson. Precisa escrever mais alguma coisa?

SCREW JACK

CONRAD LIVROS

 

EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS. Livro mais recente do Marçal Aquino, que é roteirista, escritor e ás vezes aparece ali no bexiga e a gente fica observando e escutando seus comentários entre uma cerveja e outra.

 EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS

COMPANIA DAS LETRAS

 

Este é o que eu considero "mestre". Li todos os outros dois livros publicados aqui  ("Cão Come Cão" e "Nem os Mais ferozes")e fiquei fã do Mr. Blue (Cães de Aluguel - tarantino). Tava na maior fissura de ler o cara  quando cheguei na casa do Bortolotto. Em meio a uma porrada de de livros, estava lá  o" Educação de um Bandido". O Mário ainda não começou a ler. Ele tem vários livros na pilha esperando a vez, mas pelo que eu vi, este tava bem em cima - Marião, não sei se devolvi no lugar o livro, mas tá lá, em algum lugar. Não deixem de ler o cara.

 EDUCAÇÃO DE UM BANDIDO

EDITORA BARRACUDA

 

 

rkjazz - às 04h34 PM

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Segunda a contragosto...

Ducaralho o final de semana em sampa, com o meu irmão Mário Bortolotto e Fernanda D'Umbra. O Reinaldo Moraes é impagável e dono das melhores e mais inteligentes tiradas e histórias que eu já escutei na vida. Assistir a "Homens Santos e Desertores" foi pra lá fudido. Ver o Bortolotto em cena é sempre uma aula. E o Gabriel Pinheiro Também está muito bem na peça. Não percam quando baixar por aí (ainda estou em sampa, na casa da Fernanda) em Curitiba. E Picanha, eu também choro na peça. Tá tudo certo. O show da Patife Band foi, ao mesmo tempo que estranho (o Eduardo Batistela ficou no Rio e não tocou com a Banda) e inusitado, inédito. Eles três – sim, os caras mandaram sem o batera mesmo! – e aquelas canções que eu escutei pela primeira vez em, acho eu, 84,que me influenciaram de uma maneira fudida. Que me fizeram compor uma música “Musica Patife” diferente para a Jully et Joe, que me deixaram de cara, que me fizeram descobrir que a “loucura” é uma virtude quando musicalmente bem escrita, tocada, expressa. Todas aquelas e novas canções foram tocadas no show. Os caras bem pertinho da gente. Um guitarrista fudidasso (André) que não deixava a gente tirar os olhos dos dedos do cara, com medo de perder alguma coisa. Um baixista pra lá de preciso (e o cara me pareceu bem novinho – salve essa juventude talentosa!!!), que eu não me lembro o nome agora, mas depois coloco aqui com um grande pedido de desculpas por estar hipnotizado com a música do genial Paulo Barnabé – que é o irmão do não menos genial Arrigo. A diferença é que a Patife, pilotada pelo Paulo, é como um baque de cocaína, heroína, droga suja e imunda, que te enche de força e vitalidade. Que te faz socar, pular, gastar a sola do pé sem sentir o sangue escorrer. O Bortolotto diz que é a melhor banda do rock’n’roll. Eu discordo. Esse título é do La Carne. Na minha humilde opinião, a Patife Band faz uma música para a qual não existe rótulo. Acho que foi isso que fodeu com os caras quando lançaram o Álbum lá atrás no tempo (Corredor Polonês). Escuto ele agora, em pleno 2005, e me parece que o Paulo acabou de compor tudo. Que eles acabaram de arranjar e ensaiar e este é o primeiro show. Tudo, apesar de conhecido, me soa inédito. Com uma energia que se renova a cada acorde, a cada compasso dividido por uma mente privilegiada. Tocado do por músicos que não são exatamente desta dimensão. Teve uma hora , que o Paulo falou que era a saideira. Ninguém se atreveu a falar nada. Ninguém sabia o que falar diante de tanta novidade. Ninguém tinha um argumento bom o suficiente para fazer os caras voltarem atrás e começarem tudo de novo. Então eles tocaram “Pregador Maldito” e simplesmente pararam. Largaram seus instrumentos em frente a uma dúzia de pessoas privilegiadas com um “acústico” que não é nem poderia ser plastificado com o rótulo da MTV. Então o Mário e o Pinduca (Ademir Assunção) intimaram o Paulo a não parar. A pegar a guitarra e tocar a versão brega da Patife Band (coisas que o Barnabé deve gostar e que poucos sabem disso e ele mostra quando bem entende). Então o Paulo respondeu: “Por mim, se eu soubesse tocar, eu ficaria aqui tocando, numa boa” – algo assim. Daí que um cara que tava escondido numa das sombras do bar mandou de lá “O problema é que você não sabe tocar*, né Paulo”.  Foi a melhor definição que eu vi do Paulo Barnabé. Da música da Patife. Deve ser por que ele não sabe tocar que ele faz essas coisas geniais, que conservam a pureza do inédito, do recém descoberto, do impressionante. Do “inrotulável” ( Mirisola**, me ajude, existe essa palavra?) Deve ser por isso.

 

*Foi a primeira vez que eu vi (soube) que o Paulo Barnabé toca guitarra. Ele tocou pracaralho no show. É claro que ele sabe tocar. É obvio isso, mas será que a gente sabe entender o que ele tá tocando, o que ele tá cantando? Às vezes tenho a nítida certeza que não.

 

** Não posso deixar de citar que sexta-feira, teve o lançamento do livro “Joana a Contragosto", que foi, conforme soube por diversas fontes”,IM-PER-DÍ-VEL e IM-PA-GÁ-VEL". Mas eu não estava lá. Vamos torcer que o Mário resolva contar isso tudo pra que vocês tenham uma pequena noção o que é estar perto desses caras.

 

 

rkjazz - 27/11/2005 às 09h57 PM

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Se Deus quiser...ou avisem o Jordão!

 

Tenho trabalhado pra caralho. Isso é foda. Mas ta tudo certo, a cerveja ta gelada. Espero que tudo dê certo pra que sexta-feira a gente se mande pra sampa. Quero ver o show da Patife Band (O Mário colocou lá no blog que vai rolar sábado, no Juke Joint) e de quebra ver o Bortolotto e sua talentosíssima esposa, e minha Sister Morphine, Fernanda D’Umbra – Fernanda, também estamos cegos e doentes de saudades de vocês dois. E de quebra encontrar o pessoal de sampa. Tomara que o Mirisola esteja por lá. Quero ver o lance do Reinaldo Moraes na Casa das Rosas. Alguém avise o Pinduca que quero que ele me conte mais sobre aquele mosteiro no alto da montanha, às 4:55 da manhã, naquela porra de cantinho do nordeste que só o Bortolotto consegue encarar. Quero ver “Homens Santos e Desertores” mais uma vez. Não me canso desta obra-prima do Bortolotto, com direção irretocável da Fernanda. Quero ver se o Negão ta no boteco. Quero ver se...porra...esperem todos aí. Nem pensem em se mandar da cidade este final de semana, viu Linari? Abraço a todos os meus grandes e bêbados amigos de além Br-116. Sem vocês, tudo seria muito mais chato.

rkjazz - 22/11/2005 às 02h18 AM

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Kansas Trip

 

Alguns dias antes de querer meter uma bala na cabeça, eu pensei que seria bom a gente se encontrar de novo e conversar um pouco. Queria saber se você tem visitado os seus pais, lá em Nebraska. Queria saber se você tem notícia das crianças. Eu tenho andado muito por aí. Tenho feito algumas coisas que me deixam, de certo modo, envergonhado, mas não vamos falar disso. Sabe, um cara lá do Kansas disse que queria que eu compusesse umas canções pra ele e sua banda, “Os estrelas Solitárias”. Ele me disse isso enquanto a gente mijava lá fora. Os banheiros dos bares do kansas são os piores que já vi em toda a minha vida. Mas isso não me incomoda não. O que me deixou meio irritado, foi que o cara ficava olhando pro meu pau enquanto eu mijava e dando um sorrisinho idiota. Então bati algumas vezes a cabeça dele na parede. Depois peguei a grana que o cara tinha na carteira, uma bela Glock .357, e deixei uma letra no bolso de trás da calça dele. Duvido que um dia ele acorde pra ler a canção. Foi a melhor coisa que fiz na vida. Antes pensava que ia me dar bem fazendo canções. Que alguém ia sacar a coisa toda e que a vida seria fácil pra mim e pra você. Com a pistola, sobrevivi até agora. Sei que tem uns caras lá do norte e uns tiras que querem o meu pêlo, mas tem que me pegar primeiro. Conheci um padre que me deixou usar a igreja dele durante um tempo. Só me botou pra fora quando me convenceu a confessar. Eu tava num puta porre e acho que inventei algumas coisas, só pra impressionar o desgraçado, mas ele foi implacável. Você me conhece. Não costumo deixar testemunhas. Ele agora deve estar realizado o seu maior desejo, o de falar pessoalmente com Deus. Consegui um emprego num “Cemitério de Automóveis” – um desmanche de carros. Claro que a coisa é ilegal, eu sempre soube disso. Mas ninguém me fez qualquer pergunta, a não ser se eu sabia usar uma arma e os punhos. Joe, o grandalhão estúpido, que era o braço direito do chefe, até agora quer arrancar as minhas bolas. Antes ele resmungava alguma coisa ininteligível, agora nem isso faz depois que eu parti o maxilar dele com uma barra de ferro. Tenho saudade de passar as tardes olhando pro seu corpo. Ele ainda está em ordem? Pelo que me lembro, você era a melhor da cidade. E era minha. Também tenho saudade das crianças. Me lembro que eram bem pequenas quando eu me mandei. Fiquei muito puto com você quando soube que tinha deixado elas num orfanato.  Pensei em voltar e arrancar a sua cabeça. Agora sei que fez a coisa certa. Elas vão ter uma chance melhor longe da gente. Bom, estou lubrificando a pistola, é uma boa arma. Nunca me deixou na mão. Só quero ter a certeza que ela não vai falhar justamente agora.

rkjazz - 17/11/2005 às 06h10 PM

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Hora de começar a beber. Fico com pena de ver as garrafinhas sumindo da geladeira e indo para o lixo, vazias. Mais ou menos como eu me sinto, vazio. Depois de uma pizza congelada, dessas de mercado que a minha mulher deixou no congelador prevendo que eu seria incapaz de gastar dinheiro com essa extravagância, boto o Nick Cave pra gritar Black Betty e tomo uma ducha fria. Então as garrafinhas vão se empilhando, como fantasmas, como carcaças vazias da guerra do Golfo, sem gênio nenhum, sem pedido nenhum, só vão se acumulando ao meu redor. Um dia, todas elas vão estar vazias. Eu acho que consegui isso antes.

rkjazz - às 05h23 PM

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De volta do inferno. Inspirado nessa foto aqui, que o Pierre colocou lá no blog dele

 

 

Estava num desses balneários fudidos, onde os pobres construíram seus barracos e acabaram com a vista. Então as grandes imobiliárias e a prefeitura se encarregaram de enterrar o lugar para sempre. Ninguém conhecia Angel por ali. Claro, ela tinha me passado um endereço qualquer e eu, como bom investigador, engoli. Meu parceiro estava morto. Dois russos e um dono de bar também estavam. Eu consegui sair vivo disso, mas as marcas pelo corpo inteiro e os ecos daquela noite jamais vão sair por completo. Queria encontrar Angel pra encerrar o caso.  Um caso só acaba quando encontramos o contratante e dizemos isso na sua cara. Então entregamos o que temos e pegamos parte da grana que temos direito.  Pensei se devia entregar o pote de cerâmica com as cinzas do Jack.  Deixei meu carro por cinco segundos sozinho, com as cinzas do Jack no porta-malas, e um desses pixadores desgraçados escreveu um palavrão nele, bem no capô. Tudo bem, isso pode se tornar a minha marca por aí “Motherfucker”. Uma boa marca. Entrei num botequinho que vende até bebidas, ali por perto. Gosto de beber no balcão, mas o negrão que estava atrás dele me sugeriu gentilmente que ficasse numa das mesas. “ É melhor amigo. Os caras, às vezes, passam atirando por aqui”. Sentei numa mesa e fiquei sonhando com o dia em que a vida seria uma vida, não uma sucessão de pesadelos. Conhecia uma música com esse nome – Patife Band me veio à cabeça. Fiquei uma meia hora rindo sozinho e o negrão me gritou lá de trás. Gritou é modo de dizer, acho que o cara tinha mesmo um vozeirão.  “ Ta tudo certo aí, amigo?" Tava sim, o mundo parecia que, dessa vez, estava certo. Eu era o errado. Então fui mijar a cerveja e aproveitei pra vomitar um pouco. Sempre vomito quando fico ansioso. Isso já foi muito constrangedor no passado. Agora nem ligo mais. Não sabia por onde começar a procurar aquela puta de merda que ferrou comigo e com Jack. Decidi tentar a minha sorte com o negrão ali. “Escuta, você conhece essa garota?” Sim, eu tinha uma foto dela. Não era muito boa, mas pior ainda foi a cara que o negrão fez. “Amigo, acho melhor você sair logo daqui.” Fiz que não entendi. Perguntei o que foi, tirei a carteira, mas ele nem me deixou pagar a cerveja. Notei que fez um sinal estranho na testa.  Vodoo – não sei por que pensei nisso. Não tinha mais nada pra fazer ali, a não ser que eu quisesse alimentar os urubus. Sou vascaíno, detesto urubus por tudo que eles representam. Estava a mais ou menos uma hora e meia da capital. Tinha um amigo onde podia ficar até as coisas baixarem um pouco. Comprei uma dúzia de long necks e peguei a estrada pra São Paulo. Talvez possa contar a história toda pra esse meu amigo. Talvez ele conheça alguém que me faça chegar até Angel. Talvez ele escreva um livro com a minha história.

rkjazz - às 02h07 PM

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Pedra que "Rolla" não cria limbo...ou qualquer coisa assim.

 

Então, gostaria de agradecer a todos que votaram no TG para participar do festival Rolla Pedra, que vai “rollar” em Brasília, terra das maracutaias “valerianas” e “delubianas”, terra que projetou grandes bandas do cenário musical, principalmente na década de oitenta. Não sei ainda como vai acontecer a bagaça, mas o cara da organização (também não sei o nome dele ainda) disse que fomos uma das bandas mais votadas, tanto pelo público, quanto pela comissão julgadora do festival. Isso nos enche de orgulho e de responsabilidade. Sinceramente, muito obrigado a todos que deram um pouco de seu tempo e nos colocaram lá, representando Curitiba (aquela cidade que não tem banda descente que faça rock’n’roll, pop rock de qualidade pro resto do Brasil, aquela cidade que é fria e nada acontece, aquela cidade onde as pessoas não prestigiam as bandas locais), mostrando a nossa música simples praquelas pessoas que vão estar lá, tocando, curtindo, sei lá mais o quê. As musicas do TG selecionadas foram: “O Bêbado de Ullysses” e “Esquimó por Acidente”. O show de lançamento “rolla” em dezembro, mas tem ainda a coletânea, que deve sair em março e incluir essas canções. Com isso, mais um show em Brasília por esta data, com muito prazer – já estou pensando em pleitear um ministério, pode ser o da contracultura, no lugar daquele bosta do Gilberto Gil, sei lá, qualquer coisa assim. Grande abraço a todos e mais uma vez, muito obrigado. A gente vai se esforçar pra fazer “bunito” lá. Podem ter a certeza.

rkjazz - às 12h35 PM

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Quem é o idiota aqui? Tenho dez reais na carteira pra passar o mês, mas ele não passa. Então que se foda, a cerveja está em promoção. A mulher que estava ao meu lado, pegando gasosa, falou que o macarrão também. Disse que prefiro a cerveja. Consigo viver sem macarrão. Sei que consigo, mas sem cerveja, fica difícil. Olho para os lados e todas as pessoas parecem gordas no mercado. Acho que as gostosas devem ir a outro lugar que deve ter mais produtos “lights” nas prateleiras. Ando mais um pouco entre os corredores. Minha mulher está viajando por um país da América do Sul e não manda notícias. Não sei nem se ela chegou na merda do lugar. Mas se ela chegou, está no melhor cinco estrelas do lugar. Eu estou aqui, perdido entre as prateleiras, tentando me arrepender de só ter cerveja e pão de leite na cestinha. Devia comprar comida como todo mundo faz, mas não consigo; e o cachorro quente em frente ao puteiro, do lado do bar do Beto, é só “dois real”. Ta tudo certo, mas a sensação de instabilidade e impotência em relação aos fatos da vida não me deixam fechar os olhos. Fico virando a noite inteira. Eu e o gato. Descobri que temos mais coisas em comum do que eu sabia.  Ela agora está cagando um pouco de sangue. Eu vomito sangue todo dia. Levei ela no veterinário. Me falaram que deve ser giardíase ou alguma coisa parecida. Tem tratamento. É só levar o cocô dela pra moça simpática e gostosa avaliar. Quanto ao meu vômito de sangue, o veterinário não cuida disso, sou de uma outra espécie. A que corre atrás da destruição, da autodestruição, de preferência

rkjazz - 16/11/2005 às 07h18 PM

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Quem acredita em Papai Noel? Sei que estamos a um pulo do natal (que é o lance do Cristo ter nascido, da estrelinha no céu e tal) e eles começam a aparecer pelas lojas, nos odiáveis Shopping Centers da vida, pelas ruas, com uma temperatura de 35 graus, o dia inteiro no sol com aquelas roupas do pólo norte (ou européias mesmo), anunciando cigarros, bebidas, drogas leves e pesadas ou apartamentos no bairro mais burguês da cidade. Sei que eles estão ali comendo a puta do lado do meu quarto. Escuto ela gritar pedindo pra ele meter até o saco. Isso não me parece ser brincadeira não. Sei que o Papai Noel aparece no inconsciente daquelas criancinhas do sinal, que olham pro boneco novo do He-Men (ou sei lá o que vai estar na moda agora) do teu filho e te pedem uns trocados pro rango, pra não levarem umas bolachas na cara quando voltam pra casa de mãos vazias, ou pra comprar uns cigarros de brown e cachaça, ou ainda uma lata de cola ou até mesmo uma bola, dessas de jogar futebol mesmo. Que se foda o que elas fazem com o dinheiro e aquelas placas da prefeitura desestimulando a esmola nos sinais. O cara que tem uma perna de pau e pede esmola no sinal também está fantasiado de Papai Noel em pleno novembro. Desejando feliz natal e próspero ano novo. Mas o cara ta tão fudido que acho que ninguém aceita os votos dele. Com a cara arrebentada, com o bafão de cachaça. Esse é o nosso Papai Noel. Meio pirata, de calça rasgada pra aparecer a perna amputada abaixo do joelho, com a camisa do “Atrético” (é vermelha), com uma toquinha daquelas com pompom na ponta (não consigo descrever a cor da porra da toca, um dia ela foi de alguma cor, isso eu sei). Esse é o nosso Papai Noel, precisando urgente de um dentista, de um dermatologista, de um psiquiatra, do cara que mete o dedo no teu cú e diz que você não tem câncer. Esse é o cara, mas ninguém acredita mais nele. Deve ser pelos outros dias do ano ou, quem sabe, Papai Noel não pode ter a perna amputada? Ou por que ele assusta as criancinhas? Não sei. Quem acredita em Papai Noel que responda.

rkjazz - às 12h31 PM

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Segunda-feira de sol, escutando Rodrigo Garcia. Cerveja na geladeira. Os problemas de sempre mas dessa vez não abri a porta pra que eles entrem e sentem no sofá, com o controle remoto da vida na mão. O feijão cheirando um cheiro gostoso pela casa toda. O gato de barriga pra cima, aproveitando o sol. Com seus dentes limpos e brancos. Acho que ela ficou bem mais tranqüila depois dos dentes terem sido limpos. Ou não esqueceu o efeito alucinógeno da anestesia. Vai saber, os gatos estão sempre na deles, por isso são bacanas. Segunda-feira de sol e os aviões sobem e descem incessantemente em frente a minha janela. Ela fica bem na rota deles. Quem sabe um deles não levou a Rosi pra São Paulo e depois pra Venezuela. Gostaria de poder viajar também, mas fica pra outra vez. Segunda-feira agradável sem ter nada pra fazer a não ser se preocupar em não fazer nada, ficar como o gato, de barriga pra cima no sol. Desliguei o telefone de casa. Os chatos não tem o número do meu celular, então posso ficar em paz, sem doações, sem  as novas tecnologias da telefonia, sem enganos ou achados de última hora. Segunda-feira atípica. Não estou correndo de baixo para cima em busca de alguma coisa que só vai acontecer sexta ou sábado. Só a merda da minha multa por avançar o sinal vermelho que tentou avacalhar com a coisa toda. Amassei a porra do papel, nem isso vai me tirar de uma segunda tão bacana como a de hoje. Sabe, estou quase gostando da segunda-feira. Sempre tive implicância com esse dia. Sempre ficava puto no domingo, pois sabia que segunda era levantar de manhã e dormir de madrugada, sem nada nos bolsos ou nas mãos. Segunda-feira. Segunda-feira. E amanhã, terça, é feriado. Deve ser por isso essa tranqüilidade toda! É por causa de terça! Eu sabia! Segunda-feira, você quase me enganou

rkjazz - 14/11/2005 às 04h00 PM

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O meu irmão, Mário Bortolotto, falou que já saiu por aqui a Autobiografia do Edward Bunker. Eu sou um desgraçado de um desligado e não tinha me tocado disso. Sei que li os dois livros do cara que saíram por aqui, “Nem os mais ferozes” e “Cão Come cão”.  É simplesmente genial. Se você leu algum deste, não marque e corra comprar “Educação de um Bandido”, editora Barracuda. Lá se vão meus últimos trocados pra passar o mês. Que se foda, tudo por uma boa história.

 

rkjazz - 11/11/2005 às 05h36 PM

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Eu e a minha incansável sina, colecionando desafetos. Esse ainda ficou barato.

 

Então do nada o cara do lado – eu estava no meu costumeiro lugar do balcão, conversando com o bartender – perguntou: Então você é músico? Sou, sou sim. Por quê? Por que estou procurando alguém pra fazer a trilha sonora do meu filme. Hum, sei. É uma coisa meio futurista, sabe? Imagino. Você toca teclado? Não, toco baixo. Ah! Baixo. Daí é difícil, né? Como assim, difícil? O baixo é um instrumento meio limitado, não é? Não tanto quanto alguns cineastas, pode acreditar.

rkjazz - às 05h00 PM

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18:30

 

Nessa hora, sei que tem pessoas que estão deixando o trabalho. Estão indo a pé para casa. Com o coração apertado. Como se estivessem em uma lata de sardinhas. Mas acontece que essas mesmas pessoas, querem que a vida seja assim. Uma vida de sardinhas, amontoadas aos milhões, aos milhares em um convés de navio. Se debatendo com a falta de ar. Esperando que a morte chegue rápida e certeira. Acontece que nem sempre ela vem e você é lançado de novo ao mar com o balanço do navio. O que você prefere? O cardume de tubarões, a morte por asfixia e ser colocado em uma lata com molho de tomate ou, quem sabe, migrar para mares menos turbulentos? Você que sabe.

 

rkjazz - 10/11/2005 às 06h30 PM

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Meu sêmen não presta. Do meu fígado ainda resta um pouco – mas logo dou jeito nisso. Meu coração às vezes falha. Minha cabeça não lembra, mas meus braços te abraçaram. Disso não resta dúvida. Fico olhando esses aviões que não param de descer o tempo todo e pensando o que foi que fiz de errado. Fico procurando uma relação com a descida e com a queda. Na verdade são a mesma coisa, só que uma é mais suave que a outra.

rkjazz - às 06h15 PM

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Talvez eu deixe para amanhã essa coisa de pensar no hoje. É mais prático, mesmo que eu saiba a resposta. Amanhã sempre foi mágico, mas não quando você tem a certeza do que vai acontecer. Daí amanhã passa a se transformar no dia de hoje. Deve ser assim que as mulheres enxergam a coisa toda. Elas vêem o amanhã, o nosso amanhã de homens, mas continuam do nosso lado. Não gostaria de ser mulher. É muito foda ver que o cara que você gosta não passa de uma merda de um bêbado e fodido. Que nunca vai chegar ao ponto certo - Para elas, as mulheres. Deve ser por isso que elas não largam da gente. Instinto maternal.

rkjazz - às 06h08 PM

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Me falaram alguma coisa sobre os homens mexilhões. Eu tava numa dessas cidades a beira mar. Tava, quer dizer, minha mulher tava visitando uma tia que se mudou pra lá e eu fui junto. Fui direto prum botequinho que me pareceu bem simpático. Fica quase dentro da água e tem um lugar pra amarrar os barcos ali perto. Eu e os cachorros vagabundos estávamos ali, olhando o paraíso a distancia quando um velho veio e começou a puxar conversa. Geralmente sou amigável com estranhos e deixo me perguntarem o que quiserem. Mas o cara queria detalhes das coisas que eu fazia, então falei que não fazia nada. Ele me olhou incrédulo e disse que quem não faz nada é morto. Pois então morri e não sei – respondi. Só queria ficar ali e olhar a porra do mar insistindo no seu trabalho incansável, só isso. Então ele me falou dos homens mexilhões. Olhei de canto de olho e disse  Ah! Tá. Contou que numa determinada lua, esses caras, os mexilhões, saiam da água e assumiam a forma humana. Então eu falei “E pegam as meninas e engravidam, não é mesmo?” O cara ficou puto. Falou que essa era a lenda do Boto cor-de-abóbora, eu acho. Ele me disse que se eu não acreditava, podia vir na lua certa que ele mesmo me levaria pra ver os caras mudando de “roupa” e tudo o mais. Perguntei se era só isso que eles faziam. Saiam do mar e viravam gente pra quê? Pra nada, ele respondeu. Mas a carne deles é bem mais suculenta quando eles estão na forma humana. Não sei bem por que, mas achei melhor voltar pra junto da minha mulher, da tia dela. Sei lá o que me deu.

rkjazz - às 05h21 PM

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Pôr os livros no lugar, jogar uma bolinha de papel pro gato ir atrás e se divertir um pouco. Beber uma cerveja gelada com conhaque, deixar o ar entrar na cabeça, devagar. E assim o dia vai passando. Como uma lesma pegajosa. Com o Nick Cave cantando algumas canções, com os aviões descendo de tempos em tempos. Poderia arriscar até a dizer que seria perfeito se não fosse real. Eu sei que a perfeição não existe. Eu e o gato sabemos.

rkjazz - às 05h05 PM

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Puxa, pensei que tinha ensaio hoje a noite, então estava tentando ficar sóbrio pra isso. Pra que ninguém me encha o saco e eu tenha que mandar à merda. Tenho algum dinheiro comigo, então estou a caminho do mercado, do outro lado da rua, comprar uma garrafa de conhaque e algumas cervejas. Estão convidados, mas não apareçam.

rkjazz - às 04h36 PM

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Estava investigando o negócio de tráfico de escravas brancas. Não tenho certeza, mas acho que foi umas das garotas que me colocou no caso. Seu nome era Angel. Que tipo de mulher tem o nome de Angel? Enfim, ela deve ter escapado do tal esquema e resolveu me colocar no olho do furacão. Claro que aceitei. Ela tinha várias fotos, documentos, passaportes falsos e tudo o mais. Era coisa pesada. Fomos, eu e o meu parceiro Jack, pra tal cidade. Era em algum lugar do interior da antiga URSS. Não sou bom em geografia, só sei que o pessoal falava russo, era um frio dos diabos o tempo todo, e a gente demorou uns dois dias pra chegar na merda do lugar. Claro que sacaram de cara que éramos investigadores. Jack usava aquelas capas que os investigadores de filmes usam. Falei pra ele jogar aquele lixo fora, mas Jack era do tipo que se apegava as coisas. Se apegou a mim; a pessoa errada. Progredimos relativamente rápido e, claro, os caras estavam na nossa cola. A cidade só tinha um hotel mais ou menos, então era muito fácil controlar os visitantes. Os indesejáveis, de preferência. A máfia tinha vários negócios, mas o de mulheres era nojento. Eles tiravam as meninas, sim meninas de doze, dez anos, dos pais no interior, com a promessa delas seguirem a carreira de modelo. Davam uns mil rublos e tudo se resolvia rapidamente. Mil rublos por uma vida inteira de escravidão sexual; desgraçados. Alguém deve estar perguntando: e a lei do lugar? Lei? Vocês não sabem o que é a máfia. Ela tem policiais, delegados, deputados, senadores, até presidentes em seus quadros. É uma coisa que você não resolve com um telefonema. É uma coisa que, quando você entra, é pra matar ou morrer. Mataram Jack numa emboscada, perto de um galpão, onde escondiam algumas das garotas. Descobrimos o local, tiramos fotos, mas Jack era teimoso, disse que ia voltar lá e soltar as garotas. Falei que era suicídio, mas Jack se apegava demais as coisas erradas. Quantas balas é preciso pra matar um homem? Uma, você deve e ter respondido. É verdade, mas usaram umas mil no Jack. De diversos calibres. Não sobrou muita coisa dele ali pra ser reconhecida. Sabia que era ele pelas circunstâncias e pela capa de detetive de filme - que antes era bege - vermelha, toda recortada pelos tiros. Sabia que isso podia acontecer. Era um risco. A idéia era de juntar mais algumas evidências e sair fora dali o quanto antes. Não era soltar ninguém, não era dar uma de herói ou coisa parecida. Então fui pro salão – era assim que eles chamavam o bar do lugar – e meu novo amigo Nilov, dono do lugar, me deu uma garrafa pra que eu tentasse raciocinar melhor. Lá pelas três ou quatro da manhã, eles entraram no salão. Eram dois apenas. Vieram direto pra cima de mim e tiraram suas 9mm. Colocaram num lugar onde eu pudesse vê-las bem, ou seja, bem na minha testa. Falaram alguma coisa em russo e depois na minha língua. É claro que eles não estavam felizes. Nem eu estava feliz. Na verdade, estava pouco ligando se estourassem a minha cabeça ali mesmo. Devia isso ao Jack. Falaram das fotos que a gente tinha tirado, das provas que, porventura, tivéssemos conseguido juntar. Falei que eles não sabiam nada de armas. Que aquelas merdas de 9mm emperravam no frio. Que bom mesmo eram as 45, como a que eu tinha no coldre. É claro que eu estava só enrolando, buscando tempo pra pensar em algo, mas o uísque já tava todo nas minhas veias e não me deixava enxergar o problema claramente. Só as duas pistolas na minha cabeça. Então Nilov apareceu com uma escopeta, dessas pequenas, e colocou bem na cabeça de um dos caras. Escutei ele falar em russo com eles. Vi eles baixarem as pistolas e falarem, muito putos, de volta pra Nilov. Então saíram olhando para trás. Perguntei o que tinha acontecido ali e Nilov respondeu que ninguém ia atirar em ninguém dentro do seu bar. Que se eles quisessem me matar, que fizessem lá fora. Agradeci e coloquei outra dose e fiquei pensando em como é quente nessa época do ano na América do Sul.  Tudo fica diferente, tem um gosto diferente, quando se sabe que vai morrer.

rkjazz - às 02h09 PM

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Ela dançava sozinha. Não gostava que ficassem apertando a sua cintura. Não gostava de ser guiada pra lá e pra cá no salão. Não gostava de rosto colado. Não gostava da quantidade de gim em suas doses. Não gostava de pessoas que dançavam com tênis e calças jeans. Ela colocava seus brincos de diamante, seu vestido vermelho sem sutiã, sua calcinha fio dental, ligas, meias, saltos quinze, sua boca de batom. Ela colocava todo mundo pra fora da pista quando dançava. Algumas pessoas não entendem que, às vezes, a solidão é uma coisa boa, agradável, que não deve ser compartilhada.

rkjazz - às 12h35 PM

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“Onde fica Constantinopla?” O ascensorista me perguntou isso quando entrei no elevador. Não sei – respondi. Mas não é perto daqui. “Nada é perto daqui, a não ser o próximo andar” – ele disse e riu. Olhei de novo e não tinha mais ascensorista. Era uma senhora velha, negra, com uma espécie de trapo enrolado que ficava bem alto na cabeça. Ela disse umas coisas que não entendi. Era em outra língua, isso eu sabia. Então me olhou e disse – “ A inveja te cerca e te espreita enquanto você dorme”. E eu – Mas eu quase não durmo e, quando durmo, tem um invejoso me espreitando? Não é possíve! Inveja do quê? Então Sadan Hussein entrou no 18° andar, com a barba por fazer, e disse que os curdos não passam de curdos. Nunca vão ser gente. Fiquei com vontade de mandar ele à merda, mas ele falava em árabe e eu não entendi nada do que ele tava dizendo, ou entendi? Quando a porta do 25° andar abriu, entrou o tubarão do filme “O Tubarão”, fumando um charuto e dizendo pra uma gostosa de micro saia, que parecia sua secretária ou algo assim - “ O problema todo começou quando todos resolveram usar protetor solar, isso diminuiu drasticamente a quantidade de humanos dentro da água”. Quando cheguei ao último andar, era o 68°, eu abri a porta pra mim mesmo. Me olhei sem estranhar, mas parecia que eu estava doente. Estava meio verde e ria só com o canto da boca e ficava babando em russo. Eu servi a mim mesmo de uma chokomilk quente com conhaque de alcatrão São João da Barra, e odiei a segunda-feira.

rkjazz - 09/11/2005 às 12h53 AM

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Gostaria de arrancar as unhas, dos pés e das mãos, com uma pinça. Gostaria de cortar os dois olhos com uma gilete. Gostaria de depois de cortar os olhos, cortar a língua com a mesma gilete. Talvez devesse cortar a língua primeiro, depois os olhos. Gostaria de bater com o martelo, um prego e furar os dois ouvidos. Com uma faca, arrancar as tripas. Com um machado, se ainda me for possível, cortar os pés, pernas, um dos braços, o que conseguir alcançar. Mas não será o bastante, não é mesmo? 

rkjazz - às 01h59 AM

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Eu entendo, Hunter. Eu entendo perfeitamente.

 

 

Talvez se eu tivesse uma arma. Mas não tenho. Tenho só os pulsos e é com isso que tenho que me virar. Talvez se eu fosse mais inteligente, no sentido de não cultivar mais tantos sentimentos que me destroem a toda hora pra cada lugar que eu olho. Talvez se eu estivesse em uma cadeira de rodas a vida seria alguma coisa que valesse a pena. Mas não estou em uma cadeira de rodas. Todos os meus membros e órgãos são perfeitos. Onde está a imperfeição então? Num lugar onde ninguém pode ver, mas está lá, escondida, esperando a hora de escorrer pelo nariz, de manchar a camisa. Já usei toda a espécie de drogas que pude conseguir. Nenhuma delas me curou. Nenhuma delas me trouxe paz nem alguma coisa perto do alívio. Sem elas tudo é pior ainda. Não sei se era por isso que eu as usava, paz, alívio, mas esperava que alguma coisa acontecesse. Nada aconteceu. Só envelheci e o veneno foi se espalhando aos poucos, contaminando os membros e órgãos saudáveis. Mas alívio do quê? Alivio do que se espalha lentamente pelo sangue, do que não se pode mudar nem pararnvelheci e o veneno foi se espalhando aos poucos, contaminando os membros saudmas no. talvez , desses sentimentos que me derrubam a toda hora, do que as pessoas vêem, do que elas chamam pelo nome, pelo meu nome e não sou eu. Talvez se eu tivesse uma arma, ela me trouxesse a paz, o alívio, o consolo de ter tudo perfeito.  Seria a droga perfeita. Pelo menos me daria a opção da escolha de que lado eu quero ficar. Já conheço o lado dos vivos.

rkjazz - 08/11/2005 às 12h50 AM

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O Senhor da Montanha

 

 

No começo, eu fazia milagres. Coisas como curar alguém que estava sofrendo de alguma doença física, algum mal da alma. Então me chamaram de feiticeiro, de bruxo, e me expulsaram da vila. Então fui para a floresta e passei a ficar lá, escondido, observando os animais e plantas. Estava feliz assim. Então algumas pessoas passaram a me procurar. Eram pessoas que precisavam de alguma espécie de ajuda, física ou mental. Eu as ajudava com o dom que eu tinha. Não demorou muito para os moradores da vila descobrirem que eu estava morando na floresta. Fui novamente perseguido e, agora, exilado nas montanhas. Não entendo a reação dessas pessoas. Nunca fiz mal algum a quem quer que fosse. A nenhuma criatura viva fiz mal. Aceitei o meu exílio forçado e passei a descobrir coisas surpreendentes lá em cima, nas montanhas. Coisas que fortaleceram meu dom e que me possibilitaram fazer o que antes não fazia.  Então um pequeno grupo de aldeões, que morava ali por perto, passou a freqüentar a minha cabana e, numa noite, eu curei um leproso; pois fiquei com muita pena das suas chagas, da sua vergonha em se expor. Não demorou muito pra que todo o povoado, do alto da montanha e lá de baixo, ficasse sabendo que eu estava praticando o que eles chamavam de bruxaria. Mas não era bruxaria. Era um dom que eu tinha de curar as pessoas e animais, só isso. Dessa vez, eu tinha ficado muito poderoso. Não sei ao certo o que aconteceu comigo, mas à medida que via as tochas subindo, e eu sabia muito bem a intenção de quem as carregava, pois agora podia ler as suas mentes, esperava até que um grande grupo de pessoas estivesse na posição em que o desfiladeiro ficasse bem próximo, então derrubava, um a um, com suas tochas e lanças. Os poucos que poupei, saíram muito assustados e gritando blasfêmias contra mim. Continuo morando no alto das montanhas. De alguma maneira, achei o meu lugar. Eles, sem querer, me mandaram para o que chamo de meu lar, minha casa, minha montanha. Tenho 280 anos e pareço ter pouco mais de 40. Nunca adoeci ou fiquei um dia triste em toda a minha vida. Nestes anos todos, aqueles que eu lembrava, se foram, de velhice ou alguma doença. Eu podia tê-los curado de todos esses males. Mas foi melhor assim. Agora, só uso o meu dom com os animais. Quem subir ao topo da montanha, vai ver que belas aves, que belos animais eu preservei por esses anos todos.

 

rkjazz - 06/11/2005 às 10h26 PM

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Eu não pinto quadros. Não faço isso. Acho que pintar quadros é para alguém atrás de alguma espécie de paz, mesmo que seja na loucura. Eu não estou procurando paz. Na verdade, estou só passando por aqui e quanto mais estrago fizer, melhor. Também não tiro fotografias. Enxergo bem demais a merda toda, por isso sou um péssimo fotografo. Talvez quando a minha visão estiver indo embora eu melhore em relação a isso. Também não estou aqui para salvar ninguém nem montar nenhuma espécie de religião. O último cara que fez isso, de uma maneira fudida, foi crucificado. Não quero ser crucificado pelos pecados de ninguém. Já tenho os meus e isso me basta. Então porque tenho que dar explicações a toda hora? Porra, vão tomar no cú com seus apartamentos de cobertura, com suas vagas na garagem, com seus extratos bancários e roupas da zoomp. Vão tomar no cú com suas inseguranças, com suas dúvidas, com suas fragilidades, com suas falsas intenções e com as verdadeiras também. Com o seu bom caráter, com o seu emprego de merda, com a sua felicidade, com seu ódio. Só isso. Não me peçam explicações. Não as tenho.

rkjazz - às 07h39 PM

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Bom, pra variar, acabou o meu espaço. Sempre soube que tinha pouco espaço na terra, agora sei que no blog também. Então, na medida do possível, volto a publicar por aqui. Obrigado UOl.

rkjazz - 05/11/2005 às 03h09 PM

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O Senhor das Armas

Eles estavam vencendo. A gente tinha acabado de marcar um gol, mas eles empataram logo em seguida. Isso é o que de pior pode acontecer. Abala o moral do time. Jogar no deserto não é a mesma coisa que em gramados, mas ninguém aqui jogou em gramados, então a gente não sabe a diferença. Só imagina que as quedas devem doer menos. Isso deve acontecer. Outra coisa que é diferente aqui das peladas normais - que a gente sabe que é diferente - é que os times são de quinze contra vinte, ou nove contra doze. Isso não importa muito. A maioria é de garotos muito pequenos, de uns sete, oito anos, então não importa qual o número deles em campo. São fáceis de driblar e não agüentam um encontrão. E temos o melhor jogador do deserto do nosso lado, o Jarhed. Ele joga como os verdadeiros craques jogam. Apesar de ter só treze anos, pode jogar muito bem contra homens adultos. Não se intimida com falta, com nada. São dele os dez gols do nosso time. A gente não tem uma jogada. O Jarhed pega a bola e vai pra cima. Vamos fazendo tabelinha até que ele manda um tirambaço de esquerda ou direita entre os pedaços de paus, que servem de trave. Acho que é por que os goleiros são muito pequenos que saem muitos gols e eles marcaram tão rápido assim. Acontece que ninguém quer ir para o gol. Imagine ter de se atirar nas pedras pra pegar uma bola no cantinho? Quem é louco pra isso? Sobra para os mais novos e menores.  Então aconteceu o pior. Estávamos atacando e com certeza íamos empatar a partida. Já passava das sete e meia da tarde e no deserto a luz é diferente. É como se fosse noite, mas não é noite. Ainda dá pra ver a bola e os jogadores “sem camisa” do nosso time. Então foi que apareceram os homens do governo. Vieram em duas ou três caminhonetes. Não notamos logo a presença deles, só quando começaram a rodear o campo e disparar seus Kalashnikovs. Acertaram vários dos nossos e dos deles também. Eu caí e fingi de morto. Fechei bem os olhos e não respirei nada, nem um pouquinho de ar. Eles ainda deram mais algumas voltas, atirando e rindo, chamando a gente de desgraçados curdos. Quando eles foram, vi que tinham acertado o Jarhed. Ele estava bem perto do gol, com a bola do lado. Não sei o que senti na hora, mas chutei a bola bem forte pro gol, como certamente ele faria, empatando a partida.  

rkjazz - às 01h30 AM

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Não lembro de muita coisa (pra variar o grau etílico tava foda, altíssimo), mas sei que me diverti como nunca. Foi o último show do TG no 92° (a bagaça vai fechar as portas), então imaginem só o que rolou por lá. Grande noite que teve ainda  os caras do Gruvox e do Popelines (ainda tinha uma outra banda que rolava um som tipo Morphine,com baixo, sax e batera sem muitos pratos, bem  bacana - e fizeram até uma cover deles "Cure For Pain"). Noite perfeita. Se fosse melhor, estragava.

 

Confiram algumas fotos aqui.

rkjazz - 04/11/2005 às 06h00 PM

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Estamos pedindo a sua colaboração (se você gostar da banda e tal). vai ser bacana participar dessa coisa toda. Votem e dêem uma força pra gente. Valeu!!

O Terminal Guadalupe foi um dos grupos vencedores da primeira votação do Conselho Rolla Pedra. Assim, juntamente com mais 19 grupos, estará concorrendo à participação no CD Armazém Rolla Pedra Música do Brasil e nos shows de divulgação e lançamento do disco.

A Votação Eletrônica, que escolherá os dois primeiros grupos que integrarão o CD, já está em andamento no site www.rollapedra.com e será encerrada às 23h59 do dia 10 de novembro de 2005. Os dois grupos mais votados pelos internautas garantirão presença no CD."

 

De novo o link www.rollapedra.com

rkjazz - às 12h43 PM

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E tem show da banda do Carlão, se liguem.Depois do tributo ao Cure, vou pra lá. Jam com a rapaziada.

rkjazz - às 12h40 PM

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Olha só que toque bacana que o Anselmo (Bactéria) deixou aqui nos comentários. Tão bacana que merece destaque. Sim, merece destaque porque, além deles, o Bactéria e o Mirisola, serem nossos amigos, são pessoas talentosas e que tão aí batalhando pelo que acreditam. Vou tentar estar em sampa pra ver de perto isso. Vontade é o que não falta.

 

 

Lançamento no próximo dia 25 de novembro, do novo livro do Marcelo Mirisola, “Joana a Contragosto”, pela editora Record.

 

Local: Sebo do Bactéria. Praça Franklin Rooselvet, 124 Horário: 20:00Hs

 

Obs: funcionamos de terça à domingo das 19:00 às 23:00Hs

rkjazz - 02/11/2005 às 07h03 PM

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Diferente de mim, você tem um passado pra mostrar. Ta tudo lá, naquele seu álbum de fotografias. Diferente de mim você fala o tempo todo, que quando você crescer, vai ser astronauta, como o seu pai. Diferente de mim, você não odeia seu pai e tem um passado que gosta muito de falar e mostrar. Mas olha, eu conheço a lua. Lá também tem uma solidão que te pega e te esmaga o estômago. Lá também tem uma casa onde não existe uma família. Lá tem um dragão enorme que cospe fogo e te chama pelo nome. Lá também tem o medo do escuro, e eu te digo que isso, o escuro, dura muito mais tempo do que podemos agüentar.

rkjazz - 01/11/2005 às 05h09 AM

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