Rubens k - Qualquer Merda que der na Telha

Vai aqui uma palhinha de No Entanto, do Pork-A-Light, do grande Rodrigo Carneiro. Não paro de ouvir essa... Por que será?

 

No Entanto

Rodrigo Carneiro

Há dias que eu te amo
Noutros eu cito: moi non plus
Há dias que eu não durmo
E tomo condimentos do mal
Há dias de benesses
Encanto virtuoso e afins
Há dias de panfleto
O fetiche é a questão social
Há dias só consumo
Inerte deixo tudo passar

Hoje eu nem sei de mais nada
Hoje eu já nem sei

Há dias sou verdade
Mas a dissimulação é real
Há dias valoroso
Noutros valho nem um tostão
Há dias sou etéreo
Noutros mais pesado que o ar
Há dias me desculpo
E o júri fecha cara ao votar

Há dias te desprezo
Noutros quero ser o seu cão
E ao fundo um rock triste
Que mais parece samba-canção
Há dias sou mistério
Noutros eles sabem quem sou
Há dias me tens nos braços
Porém, sou fuga, fuga, fuga
E quem vem?

No entanto, há o engano
Eu te engano, eu me engano

 

 Pra ouvir essa e mais Bolor? e Suplica de Verão é só clicar aqui

rkjazz - 25/02/2006 às 02h56 PM

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E mais umas do Pras Bandas...esse cara, o Douglas, manda bem...

by Douglas Fróis

 

rkjazz - 24/02/2006 às 12h20 AM

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by Douglas Fróis

rkjazz - às 12h12 AM

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by Douglas Fróis

 

rkjazz - às 12h10 AM

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by Douglas Fróis

 

 

rkjazz - às 12h07 AM

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Chegaram algumas fotos do festival Pras Bandas, que o TG participou. Vou colocando aqui aos poucos devido a correria animal...

by Douglas Fróis

rkjazz - 23/02/2006 às 05h06 PM

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Deus me esqueceu, ou foi o diabo? Mick Jagger rebolando aos sessenta. Eu devo estar louco. Ou envelhecendo mesmo. Será que ainda estou por aqui? Não sei. Tenho mais ou menos uns trinta centavos na carteira, eu sei, eu sei, escolhi isso pra mim, não posso fazer mais, ou posso? Gostaria de estar em uma dessas festas onde a bebida é grátis. Costumo ficar bêbado muito rápido e acabo perdendo todo o resto. Eu no banheiro ou no meio do salão, vomitando tudo mais rápido do que entrou. Esse sou eu, não sei me divertir. Mas que merda é se divertir afinal? Ficar pisoteando na areia? Ser assaltado? Ter de dormir em cana? Sei lá.  Deve ser alguma coisa perto do Mick Jagger e sua Bigger Bang Tour. Prefiro o Keith cantando. Já arrumei algumas confusões por isso. Que se foda. Mas ele cantou mal. Isso me aliviou. Pensei que só eu fazia cagada. Ele também faz. Isso me aliviou. Só queria ter um pouco mais de dinheiro. Eu ia ficar bêbado bem rápido mesmo...

rkjazz - 19/02/2006 às 02h03 AM

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estes são os textos meus, que os caras do Radiocaos vão mandar domingo...

Morte

 

Tenho tentado falar com deus todas as noites

Por trás da minha mediocridade e dos meus  pecados

Tenho ficado bastante tempo em silêncio

Tentando ouvir um sussurro que possa ser dele

Tenho mantido meus pensamento afastados nessa hora

Tenho procurado pensar em coisas que ele possa achar boas

Prá que eu mereça um pouco da sua atenção

Tenho tentado ficar seu amigo

Tenho tentado admitir algumas coisas

Tenho tentado esquecer outras

Tem coisas que ainda me perturbam quando eu tento rezar

Tenho tido muito medo

rkjazz - às 01h10 AM

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Billy the kid

Quando eu tinha três anos de idade, eu andava armado...

Hoje não mais

Têm caras que tem todos os dentes e um bom emprego

Eu não...

Têm caras que quando me vêem, atravessam a rua

Vão para o outro lado da calçada

To começando a me achar indigno de andar do

Mesmo lado que eles

De olhar pras suas mulheres esguias

De me ver refletido no vidro dos seus carros caros

De não Ter nada prá levar nas mãos

Nem nos bolsos

De não poder usar o mesmo banheiro

To pensando e tenho pensado muito

Em recuperar os meus revólveres

 

rkjazz - às 01h09 AM

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Eu e a minha vida pequena sabemos que você tem muitos livros na estante. Eu e a minha vida promíscua sabemos que você tenta, a todo custo, pedir perdão pelo sexo bizarro de ontem à noite. Que a sua família vai ficar chocada se um dia vier a saber que é assim que você ganha a vida. Mas por que eles saberiam? Talvez aquela puta que você chama de amiga tenha a manha de contar. Talvez eu deva estrangular ela e seus amigos entendidos. Talvez eu inclua aí os jornalistas, os motoristas de van e os advogados. Quem sabe eu inclua você. Talvez eu deixe pra lá mesmo e procure uma pessoa sem tantos problemas existenciais. Tenho que te dizer que tirei vários dos teus livros da estante. Não vou devolver. Eles ficam melhores comigo. Digamos que é a minha parte nessa relação - Os livros. A outra parte?  Bom, talvez você, num momento de plenitude da tua culpa, doe tudo pra um asilo. Doe pra um bando de crianças que não deveriam estar por aqui. Doe pra um bando de vagabundos, desses da rua mesmo, ou até para alguma dessa Ongs que são incapazes de salvar as pessoas e o planeta juntos. Quem sabe assim eu ganhe mais um pouco da tua singela atenção.

rkjazz - 18/02/2006 às 06h18 PM

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Estaremos todos, os velhinhos, lendo poemas. Aqueles que a gente fez e aqueles que a gente gosta de ler e tem raiva por não ter feito, no especial Radiocaos Geriátrico deste domingo 19-02-2006 às 19:00 na 91.3 MHz . Dá pra ouvir pela Internet (tem link aqui do lado). Divirtam-se. 

rkjazz - 17/02/2006 às 01h15 PM

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O Terminal Guadalupe está concorrendo, junto com outros artistas, no site do LABORATÓRIO POP, ao prêmio de melhor disco independente do ano. Se você acha que a gente merece, acesse o site - é bem simples e fácil votar – e vote no nosso trabalho (está o nome da banda lá). Você também pode escolher outro artista de sua preferência, só não deixe de dar essa força pra banda/artista que você gosta.

 

Abraço.

 

http://laboratoriopop.uol.com.br/pagina.php

rkjazz - 16/02/2006 às 12h04 AM

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E o Léo Vinhas manda a lista, dele, dos melhores de 2005. Grande Léo. Você faz falta por aqui, brother. Abraço.

Eis a lista aqui

E o blog do Léo aqui

 

rkjazz - às 11h42 PM

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Valsa n° 1...e que se foda.

Não tenho dormido. Não tenho sonhado. Não tenho o que você quer. Não tenho uma boa imagem nem um bom passado. Acredito em coisas controversas que podem te “deixar de lado”, mas tenho uma boa garrafa de uísque aqui do meu lado e para ela eu não consigo mentir. O que você, garrafa, quer saber? Ela me diz que quer saber por que eu me comporto tão mal em relação a união entre duas pessoas...vai se fuder garrafa do caralho, começou mal. Outra. Ela quer saber por que eu sou tão canalha em relação ao que eu falo e ao que eu penso...garrafa paraguaia, só pode ser!  Ela quer saber por que eu volto pra casa e desmaio ás 6 da manhã. Essa é fácil e óbvio – estou com sono e totalmente embriagado. Poucas coisas me interessam nessa vida, uma delas é não ter que dar satisfação pra porra nenhuma nem pra ninguém. Acredito nisso e tenho grandes mestres que me influenciaram e me influenciam até hoje. Não sou eu sozinho e nunca fui. Eu seria incapaz disso. Também acho que a gente, ás vezes, deveria ficar quieto – estou tentando, mas não consigo totalmente. Tenho 37 anos e isso não interessa pra ninguém, nem pra mim. A minha urgência não é com a idade nem com datas a serem lembradas e esquecidas. A minha urgência é com a s pessoas. Em ter com elas alguma coisa que nós, cúmplices, possamos nos lembrar... E dar risada e chorar e beber de novo e cagar com tudo. Não moro em nenhum outro lugar, moro aqui mesmo e sempre, pelo visto, e contra a minha vontade, vou morar. Respeito quem dá o fora, mas vá tomar no cú antes que comece o sermão. Por que escrevi isto? Pra você ter o que ler, talvez. Pra você ver que não deve falar comigo de manhã cedo e me colocar problemas tão surreais. Pra você ter , quem sabe, a coragem de dar o fora o quanto antes. Vou ficar torcendo por você.

 

rkjazz - às 01h51 AM

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A primeira foto com o "filho novo" - e como estou orgulhoso dele...hehehe. Foi lá no Xaxim, bairro aqui de Curitiba, no festival PRASBANDAS2.

por Patricia Pauls

Mais fotos do PRASBANDAS2 aqui

 

rkjazz - 15/02/2006 às 08h12 PM

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Bortolotto's Song - e que grande blues...

Estou de volta à casa de minha mãe. Nunca gostei da casa de minha mãe. Saí de lá com 12 anos. Minha mãe está morta. Morreu há muito tempo. Desconfio mesmo que foi de sofrimento e entrega. Mais do que da doença. No enterro eu não chorei e nem quis ver seu corpo no caixão. Lembro de ter chorado horas antes, num bar, escondendo meu rosto na frente da namorada. Meu pai também morreu alguns anos depois, atrofiado numa cama de hospital, vitimado por excesso de bebida, anos luz do homem forte que era. Não fui no enterro. Recebi a notícia por telefone e fui pro bar beber. Nunca gostei da casa dos meus pais. Nunca tive nada contra os meus pais. Talvez alguns relâmpagos de minha adolescência tempestuosa, mas como toda tempestade, um dia acaba. Meus dias de chuva, por mais tempestuosos que fossem, costumavam ser curtos como chuvas fugidias de verão. E minha alma podia requerer de novo passaporte pra alguma espécie de paraíso. Eu desconfiava que o passaporte era forjado por meio de um arrependimento precipitado. Tempos depois percebi que não era assim, e que Deus afinal não precisa fazer acordos com ninguém, muito menos comigo. Não gostava da casa de minha mãe. Um dia disse pra minha mãe que queria ser escritor. Ou apenas mencionei, com certa ênfase, é claro. Ela não entendia nada disso. Apenas me olhou com seus negros olhos tristes e sorriu. Ela tirou todas as suas economias da caderneta de poupança e comprou pra mim uma Olivetti Lettera 82. Eram realmente todas as suas economias. Eu não gostava da casa de minha mãe. Não me sentia bem lá. Meu pai um dia apareceu com um violão em casa e me deu. Ele comprou de um cara que tava vendendo na rua. Ele pensou assim: "parece que meu filho gosta disso". Meu pai não era dado a arroubos de carinho. Eu estranhei e pensei "ok, tudo bem". Na verdade, eu estava feliz, mas não sou de dar o braço a torcer. Não vou deixar que percebam que estou feliz. Eu tenho esse violão até hoje, apesar de amigos dizerem que o violão é uma merda. Faço aulas de guitarra e toco "Ain't nobody home". Nunca gostei da casa de meus pais. Nunca me senti bem lá. Eu nunca me senti bem na casa de ninguém. Não sou de me sentir bem no mundo, mas faço um esforço danado. Que é que o mundo tem a ver com isso, não é? Não vou deixar que percebam quando estou arrasado. Ando dentro da minha kitchenete. Minha casa. Depois de mais de 40 anos me sentindo estrangeiro e indigno. Faço um café e preparo um sanduíche. Escrevo um pouco. Coloco alguma roupa pra lavar e sintonizo uma rádio de blues na Internet. Escrevo mais um pouco. Deito na rede e assisto um trecho de algum filme ou alguma animação japonesa. Tenho uma coleção deles. Escrevo mais um pouco. Tiro a roupa do tanque e penduro no varal. Os amigos não entendem porque não me entusiasmo com suas idas ao Mercado Municipal. Escrevo mais um pouco. Leio um trecho de um dos quinze livros que estou lendo ao mesmo tempo. Tento escrever mais um pouco. Não sai merda nenhuma. Então faço algo mais cerebral como tentar adaptar os quadrinhos do Kitagawa. Faço outro café e vou até a janela. Escrevo mais um pouco. Ando pela kitchenete, deito no ladrilho e fico olhando o teto. Call it stormy monday. Tomo um banho e vou pra rua. Encontro os amigos no bar. Eles contam piadas e falam de seus projetos. Gosto deles. Não sei se bebo muito ou não. Deixo que noite decida por mim. Não tenho nenhuma ansiedade, então bebo pouco, muito pouco. Eles auto-rotulam seus romances e riem e choram de maneira escandalosa. Não vou deixar que percebam minhas pequenas idas ao inferno. Meus instantes de abdução. Bebo com eles e até me atrevo a dizer o que penso. Não gosto de ser mal entendido, mas minha opinião não precisa  exatamente ser levada em conta. Gosto de pensar que não sou tão importante assim. Gosto de pensar na minha mãe comendo um cachorro quente na Rua Sergipe. Ou alguém acha que às vezes ela não era feliz? Varo as madrugadas jogando bilhar, quase sóbrio, e espero o dia amanhecer pra poder voltar pra casa. Minha casa. Vejo o cachorro destroçando meu chinelo. A casa de minha mãe, onde eu nunca me senti muito à vontade, mesmo que essa casa seja hoje apenas um terreno baldio onde não há a menor pressa de se construir porra nenhuma. O importante é que estou de volta, quase sereno, como noites que não acabam. Como o exílio depois do sétimo dia. Como o filho que nunca vai voltar e apenas olha fotos antigas, com um sentimento que ele sabe como explicar perfeitamente, mas que não faz esforço nenhum pra isso.

 

Mário Bortolotto

rkjazz - às 12h42 PM

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"Não vou a enterros e nem em casamentos. Não acredito nessas duas coisas. Quero continuar assim".

        

De minha parte, eu ainda acredito em enterros. Acredito em "Blind Boys of Alabama" cantando com Ben Harper "There will be a light". Acredito em solidão em quartos vazios. Pode ser em Paris ou em Londrina. Não acredito em aniversários e não acredito em nariz de palhaço, mas acredito em amigos bebendo juntos até o sol nascer. Não acredito em ligações noturnas, mas até acredito em paciência e certa dose de ternura. Não acredito em sexo, mas acredito em fuga. Não acredito em sedução, mas acredito em recolhimento. Não acredito em santos de papel, mas acredito no Sermão da Montanha. Não acredito em amor, mas acredito em elegância e bondade. Não acredito em abdução, mas sei que o inferno está sempre por perto. Por isso mantenho o whisky na geladeira. E sei que isso só tem me prejudicado. Não acredito em "estar na pior". Eu acredito em seguir as instruções. Não acredito que amanhã as coisas vão melhorar. Eu só acredito em esparadrapo e suturação. Só acredito em melancolia e desolação. Não acredito nela dormindo no sofá-cama. Mas acredito sinceramente em "poder de sugestão". Quero muito que você me entenda que não acredito em "desejo", mas que existe, ah, isso não tenho a menor dúvida. Não acredito em "ordem e progresso", mas sei que ainda persisto por algumas horas. Ainda acredito em mim. De minha parte, eu ainda acredito em enterros.

 Mário Bortolotto

rkjazz - 10/02/2006 às 01h18 PM

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"Envelhecer, pra mim, é um objetivo, e eu juro pelo que há de mais sagrado que eu vou conseguir, e já estou conseguindo. Deus me livre de ficar eternamente jovem..."

Guilherme Arantes

O Dary postou um texto muito bacana do Guilherme Arantes,  vale a pena conferir. Vocês não sabem quem é Guilherme Arantes? Puxa, desculpe jovens, não é do tempo de vocês.

http://www.terminalguadalupe.com.br/index.php

 

 

rkjazz - às 01h08 PM

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Na década de sessenta/setenta, as pessoas já eram desesperadas. Tinham todos esses sentimentos que você acha que são exclusivos, só que atrás de grandes vidros de Simcas e Aero Willis. Era só essa a diferença. O resto continua igual. O mesmo cigarro depois de uma trepada, a mesma desculpa e os lençóis em desalinho. Tudo igual.  Eu nasci em 68. Sou muito novo pra entender essa merda toda. Mas entendo, do meu jeito, mas entendo. Sempre fui apaixonado por carros. Sempre gostei do vento na cara, como os cachorros. Sempre fui um romântico inveterado. Sempre dei com a cara em todos os postes da rua até a minha casa. Acontece que eu não quero você na minha casa. Acontece que eu não quero mais toda essa angústia que você acumulou todo esse tempo e goza através dela. Não quero. Acontece que o Avon foi embora com seu Simca prateado. Não sei por que, mas imagino ele prateado. Ele fazia questão de abrir o capô do meu carro pra ver o que eu tava levando ali. “É uma máquina quente”, ele dizia. Ele também dizia que comeu a Vera Fischer. Ninguém acreditava. Eu acreditei. Acreditei em cada palavra dele. Por mais que não fosse verdade, era bacana ficar ali ouvindo. Era só isso que eu queria, ficar ali ouvindo. Ele sacava isso. Não sei o que dizer. Não vou a enterros e nem em casamentos. Não acredito nessas duas coisas. Quero continuar assim.

 

rkjazz - às 03h14 AM

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Lou Reed não sai mais da vitrola ou toca-discos (aqueles de agulha mesmo), como você preferir. Antes não dava a mínima pra música simples do cara. Claro que sei que a poesia por trás da simplicidade melódica harmônica (estou dando aulas de baixo pra poder pagar algumas das contas e adoro falar assim com os alunos, dá a impressão que a gente sabe do que ta falando) é fudida. Um cara que vive o que escreve, ao contrário de muita gente, ao contrário de mim. Sou um mentiroso, por isso escrevo. Gosto de inventar, mas tem horas que isso esgota e você acaba contando alguma coisa mesmo. Não nasci em NY. Não nasci no Bronx ou no caralho a quatro de bairro onde estivesse sendo feita alguma coisa que preste. Nada de luta racial ou o que quer que valha a pena. Não nasci onde alguém, mesmo tendo morrido de fome e no anonimato, tenha levado um monte de gente para o mesmo inferno e fim. Não, nasci numa cidadezinha que não serve pra nada, a não ser exportar empregada doméstica. Nasci numa família burguesa decadente. Fui mimado e não sei até agora o que eu quero “ser” quando crescer. Sei que preciso, pois os fios de cabelos brancos estão por toda a parte. Nunca gostei de ficar muito tempo na mesma brincadeira. Tenho problemas de concentração. Deve ser por isso que já tive vários empregos que não iam me levar a nada mesmo. Agora tenho mais um. E tem umas pessoinhas que ficam ali me escutando a falar sobre tônicas e dominantes. A vontade que eu tenho é de falar pra elas que a dominação sexual é uma perversão interessante. Que elas podem usar as cordas do baixo pra se enforcarem na hora que o desespero bater forte e você não tiver nada melhor a mão. Dá vontade de falar uma porrada de palavras, todas de desestímulo. Mandar procurar um trabalho mais lucrativo e descente. Falar pra elas crescerem e deixarem de lado seus brinquedinhos de U$ 2000. Guardem pros seus filhos se vocês forem loucos o suficiente pra botar mais alguém na roubada. Como é que alguém que acredita e pensa no suicídio cinco vezes por dia pode dizer que é melhor começar um solo pelos arpegios? Eu faço isso e me odeio logo em seguida por que o som que sai dessas merdas de arpegios é maravilhoso e eu quero continuar vivo só pra escutar mais uma vez, mais um pouco. Mas puta que o pariu, toquem direito! Toquem direito e vão pro inferno. Eu já estou com os dois pés lá dentro, agora, vocês ainda podem ser salvos.

rkjazz - 09/02/2006 às 01h10 PM

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Amigos - sim, estou colando o texto do Dary -  muito obrigado pelo apoio até aqui, mas a votação continua. Pelo Orkut, vencemos a eleição do Prêmio Laboratório Pop de Disco Independente com relativa folga. Foram 68 votos. Agora a votação precisa ser  confirmada no site da revista http://laboratoriopop.uol.com.br/pagina.php. Basta se cadastrar e participar da votação. Aproveite e vote em nossos amigos da Poléxia como banda revelação. Lembre-se: nossa categoria é "disco independente".

Um grande abraço.

www.tg.mus.br

rkjazz - 08/02/2006 às 04h02 PM

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