São quartos de hotéis, são donas de pensões vagabundas, tão vagabundas quanto às donas. São pratos de comida bem longe de casa e toda essa imparcialidade. São todas essas horas em frente a TV. São papéis de parede com cavalos – Bukowski iria aprovar. São pessoas desesperadas as sete e quarenta e cinco da manhã, pulando o portão, tentando alguma coisa contra a solidão da cidade que nunca vai ter fim – Pelo menos pra mim. São os amigos no quarto ao lado, são os amigos que estão longe, as mulheres que amamos e as que não amamos mais. É o isso e o aquilo - Um pequeno detalhe quando o isso é a sobrevivência e o aquilo é o que desesperadamente corremos atrás. Aqui ninguém me conhece o suficiente pra acreditar no que eu digo. Aqui ninguém me conhece o suficiente pra saber que é muito perigoso me deixar subir até o último degrau do mirante, com a garrafa de conhaque quase vazia, com a alma quase igual, com os sonhos e os olhos embaralhados, a saudade entalada na garganta... Ninguém me conhece...
rkjazz - 30/04/2006 às 08h32 PM
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Fico acordado de madrugada por pura incapacidade de fechar os olhos, de desligar de tudo. Minha mulher dormindo, o gato dormindo, todos parecem dormir por aqui. Alguns parecem fingir, mas já é um bom começo. Minha mãe também deve estar dormindo ao lado do meu pai. É assim por mais de 50 anos. Parece tempo demais. Não há amor que resista todo esse tempo, ou há? Ela agora tem um gato, o Frajola. Minha mãe não queria, mas acontece que chutaram a cara do gato e ela decidiu dar uma chance pra ele. Ele tem o nariz achatado (quebrado) e perdeu a visão central. Só enxerga lateralmente. Então ele se assusta com a maior facilidade, desconfiado de quem se aproxima. Não sei se eu teria uma segunda chance. Temos sempre muita coisa pra perder na vida, além da visão. Quando é que começamos a ganhar alguma coisa? Sei lá. Quem sabe já temos o suficiente. Nunca parece o suficiente. Uns dizem que é isso que nos move. Eu discordo. Acho que é o cansaço. O cansaço de lutar contra tudo e todos. Nos movemos por pura inércia. Então, fico acordado de madrugada, sonhando acordado, relendo meus escritores preferidos na luz do abajur, enquanto todo aquele movimento de sexta-feira a noite passa lá fora. A vida rápida e urgente lá fora. Aqui dentro um certo desespero passando lentamente, entorpecendo, encolhendo as garras pra quando for realmente necessário. É realmente muito bom ter um lugar pra ficar, mesmo que nunca mais adormeça.
rkjazz - 22/04/2006 às 02h55 AM
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Estou esperando ansiosamente essa estréia por aqui (Curitiba). Sei que meu Brother, Mr. Bortolotto vai ver antes. Justo, ele é mais velho e tal, e mora em São Paulo...Que sorte.


Cenas de Estrela Solitária, de Wim Wenders, que tem no elenco o Sam Shepard e Jessica Lange.
rkjazz - às 02h03 AM
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Albert Nane
Se você me perguntar do que tenho saudade, te respondo curto e grosso: Dos dias que não reclamei, que esqueci de tudo e todos, menos de você.
rkjazz - 19/04/2006 às 12h05 PM
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Para matar um grande amor (e fazer uma superbanda de rock)
Márcio Renato dos Santos/revista Idéias
Não podia deixar de comentar aqui a entrevista do TG que gerou artigo na revista Idéias (já deve estar nas bancas). Tudo começou num bate papo antes de mais um show - Normal, tem sempre alguém interessado no que você possa estar fazendo. Acontece que o Márcio (Márcio Renato dos Santos) fez um artigo profundo e genial. Sinceramente, me emocionou em ver o TG na ótica dele. O texto é inteligente, muito bem escrito e traz à luz o ponto de partida do trabalho do TG e suas referencias - Do por que da união desses quatro caras. Posso afirmar aqui, sem nenhuma dúvida, que o Márcio também está se tornando “invisível”
mais detalhes: www.tg.mus.br
rkjazz - às 11h31 AM
[ envie esta mensagem ]Foram-se as cordas, ficaram os amigos.
Pois é, show na Fenac do TG e da Poléxia. O Odair José? Então, o cara passou mal e não pode comparecer. Espero que ele fique bem. A Poléxia mandou muito bem, como sempre. Músicos novos, mas muito competentes. Mais que isso, talentosos mesmo. É um prazer tocar ao lado dessa rapaziada. Pra quem não sabe, o Rodrigo Lemos (Vocalista e guitarrista da Poléxia) deu aquela mão pro TG no “Você Vai Perder o Chão”. Pegou uma pedreira – Banda começando, primeiro CD com a formação atual, algumas incertezas, muitas idéias e poucas soluções. O resultado disso: melhor CD independente de 2005, pelo Laboratório Pop. Outro que só tenho a agradecer é o Rafael, baixista da Poléxia. Meu amplificador queimava, ele emprestava o dele. Meu baixo pirava, ele emprestava o dele. Não foi diferente hoje. Minhas cordas me deixaram, (sim, estourou a sol do baixo. Fui botar uma nova e ela também arrebentou na hora de apertar a tarracha, coisa do demo) tava lá o Rafa e seu baixo fretless na mão, pronto pra quebrar o galho desse maluco aqui. Cara, nem sei o que dizer desse brother. Mais e mais sucesso, talvez. Esses caras merecem - Pelo talento, qualidade, simplicidade e amizade. Talvez a festa tivesse sido melhor se o Odair pudesse ter vindo. Talvez. Talvez o show do TG fosse melhor se as cordas não fossem embora. Talvez. Pois eu achei tudo certo. Até o Denis (técnico de som da Fenac) pedindo pra gente baixar o volume. Até isso tava certo.
rkjazz - 18/04/2006 às 11h47 PM
[ envie esta mensagem ]O que você chama de solidão é o que me completa. É o que me faz fazer as coisas que eu faço, do jeito que eu faço. É o que me mantém longe dos grandes bares iluminados, dos grandes críticos eloqüentes. É o que me mantém a salvo dentro desta grande jaula. Quanto a você vir morar aqui? Tem certas coisas que devem ser deixadas do jeito que estão.
Quando eu morrer, vão saber quem eu fui e quem eu tentava ser. Vão entender a coisa toda. Quando eu morrer, os amigos vão beber em minha homenagem - Sem a minha presença?! Isso que eu chamo de inimigos... Quando eu morrer, minha mãe cuidará para que eu tenha uma bela lápide de mármore negro sobre o gramado verde, com o meu nome nela. E flores amarelas – Não me pergunte o porquê do amarelo. Quando eu morrer, alguém sentira minha falta nesse grande vazio que eu chamo de vida. Quando eu morrer, minhas coisas pessoais serão doadas a mendigos e velhos sem dinheiro – Eles também não vão entender por que tenho tantas camisas na cor laranja. Mesmo assim obrigado por cada uma delas, mãe. Quando eu morrer, ficará a pergunta: Terá valido a pena? Cada segundo, pode acreditar.
rkjazz - 17/04/2006 às 12h28 PM
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Graças a UOL, vou ter de restringir os comentários aqui. Tem muito idiota na net e resolveram expressar seus pontos de vista por aqui. Uma merda isso. Não faço questão nenhuma de ser "legal" então vão tomar no cú com seus achismos e comentários retardados. Nem sei se vou continuar com essa bosta de blog agora.
rkjazz - 15/04/2006 às 12h33 PM
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O céu me parece nublado. Dia ruim. Tarde cinza. Cinzas de crematório. Cinzas de verão. Cinzas de inverno. Cinzas de tudo que eu conheço. Amanheci amargo, incerto. Gostaria de vomitar tudo isso e voltar a dormir. Você vai mesmo casar hoje? Não é um bom dia...puxa...
rkjazz - 10/04/2006 às 01h23 AM
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Chagaram mais fotos do show do TG no Rio - show de encerramento das seletivas pro MADA. É só entrar no site do TG, seção fotos, Laboratório Pop. Tem mais fotos de outros shows e tal. Vasculhem que tá bem bacana. Abraço.
rkjazz - 08/04/2006 às 12h19 PM
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E dando uma volta virtual pelos blogs - adoro passeios virtuais, não suam, não cansam e você não tem que voltar pra casa - achei no Blog do Paulo Pessoa um link pro site do John Coltrane. Vou dividir essa, com prazer.
rkjazz - 07/04/2006 às 12h04 AM
[ envie esta mensagem ]Leite derramado no fogão, o pano de prato queimado agora com gelo pra cabeça que queima. O banheiro que você tanto odeia ter de usar. Jornais espalhados sem sequer uma frase que me faça pensar, o prato sujo sobre o Bunker e suas histórias. Uma cena romântica se não fosse só a verdade. Uma bela tomada do Sam Shepard. Alguma coisa boa, se vista da distância certa. Mas daqui do chão é tudo que me cerca, que é meu, minha vida. Quando a chuva cai, o frio entra devagar pela fresta do vidro quebrado, por baixo da porta. Entra sem permissão. Você entrou sem permissão também, mas é bem mais agradável que o frio, que a solidão. Quando chegar a hora, você vai ser a primeira a saber - Se já não sabe. Van Morrison foi presente de um amigo. Coloco no toca-discos, mas não tenho uma boa garrafa de vinho. Tenho um bom conhaque em copos de plástico. Eu sei que você se importa, mas vamos deixar isso de lado agora. Da última vez não gostei dos cacos que você enfiou nos braços, nas minhas costas. Já disse que você se machuca demais? Cabelo cortado curto, quase no mesmo comprimento da tua saia. Essas botas velhas que a gente comprou numa dessas lojas de bugigangas do exército, o casaco preto de lã. Eu poderia fazer um romance agora mesmo só olhando pra você. Nele eu poderia te salvar. Fazer coisas boas acontecerem. Fazer com que você tirasse esses olhos pretos de cima de mim. Eu poderia reescrever toda a tua vida. Nela você teria uma bela casa, com um belo banheiro e todas as outras belezas domésticas. Nela você teria um belo par de filhos bem criados e educados que jamais saberiam o que acontece na parte baixa da cidade. Nela você teria a chance de viajar pelo mundo colecionando bons momentos e histórias. Nela eu tiraria as mãos que apertam o teu pescoço, as tuas olheiras e todo esse teu medo. Gosto quando você vem aqui ver como estou, se estou precisando de alguma coisa. Gosto quando você tira o casaco, desamarra os coturnos e deita aqui do lado como um bichinho. Gosto disso. Gosto do teu cabelo preto e liso atrás da orelha, gosto do canto borrado da tua boca, do teu leve estrabismo. Me sinto melhor quando você está por perto. O que aconteceu ontem à noite? Alguma coisa que já não tem mais importância.
rkjazz - 06/04/2006 às 04h52 PM
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Jack e sua Juke Box. Sons daquele tempo, sons de agora. Jack e sua salada sonora se esborrachando a cento e cinqüenta por hora num poste mal colocado pela prefeitura. Odeio motos. Odeio música ruim também, mas não tenho nada contra Jack.
Sebastião joga vídeo game 24 horas se deixarem. Sebastião não gosta da escola por que não deixam ele jogar durante as aulas. Sebastião não gosta da mãe que lhe arranjaram no orfanato. Seus oito anos lhe deram uma idéia: Cortou o pescoço da mãe adotiva enquanto ela dormia, logo após a novela das oito.
rkjazz - 05/04/2006 às 01h04 AM
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Esse foi um comentário do Fabião (Ouvidos Calados) - falando da volta deles pra Rolândia depois do show do TG em Maringá - lá no bolg do TG. Eles vão estar aqui em Curitiba, dia 9, no Korova. O cara é mais um irmão, desses que a gente vai trombando pela vida. Tem o dom da sinceridade, da amizade e de emocionar com belos textos. Fabião, você é especial cara. Grande abraço.
Fazia frio na beira da estrada, o relógio marcava 4;27 da madruga, os caras sairam do carro para uma sessão de urina coletiva, enquanto a luz vermelha do alerta piscava o vento forte varria o mato, um céu meio rosa queria dar detalhes do dia... as cidades estavam acesas por completo no horizonte, arapongas, apucarana eram uma só e na minha cabeça uma certeza, noites assim são eternas, e a vida perde o sentido sem elas... valeu terminal...
Fábio Mungo
rkjazz - 03/04/2006 às 01h02 PM
[ envie esta mensagem ]Dildos, canudos e copos de plástico, meias de nylon pretas e ela desenhando numa folha de caderno universitário. Não entende por que as suas princesas orientais nunca saem do caderno pra vida real. Devem ter medo das três dimensões ou do vento que vira as folhas do caderno. O cigarro no canto da boca e uma dúzia de histórias com finais não felizes. Uma conta bancária encerrada – Mas ela ainda guarda o cartão. Uma calculadora sem pilhas e pilhas de manuais de como cozinhar no microondas. Um lugar pra morar e o sertão além da janela, do mar. A solidão num pôster com uma cara parecido com Bob Dylan – Jurava que era o Bob Dylan, mas olhando de perto... Ela um dia vai deixar este lugar – Todo mundo deixa. O pai deixou, a mãe deixou, por que ela não? Deixa sim, isso é temporário. O escrivão mijando na pia do banheiro – A privada entupiu. Cinqüenta reais, macarrão miojo, creme de leite, maionese light e Light My Fire, do The Doors. As portas abertas pro vento que assusta as gueixas no caderno. Ela disse sim quando ofereceram da primeira vez. Disse sim depois e depois. Agora só sabe dizer isso – Sim! E daí? O que tem de mau? Nenhum, mas as coisas não são o que parecem. Escreveu uma carta pro pai pedindo pra que ele não a esqueça. Nunca mandou, não tem o endereço. As fivelas de cabelo com borboletas – Madame Butterfly, é o que dizem. Ela sente vergonha quando acorda, mas depois nem liga. Nem quando atravessa a rua. Nem quando pega a correspondência, de quimono, no chão vermelho da varanda. Três cômodos de madeira. Isso não é muito bom. Não tem muita privacidade. Um dia vai construir uma fortaleza, uma muralha da China onde ninguém vai tocar as suas gueixas, nem o vento. Ela disse sim e eu também. Eu a amo, mas um dia ela vai embora. Eu não.
rkjazz - 02/04/2006 às 09h52 PM
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