Um calor desgraçado faz nesta cidade
Um calor desgraçado faz nesta cidade. Sufoca, estrangula. A garrafa vazia dá um desespero velado. O telefone que não toca, também. Achei uma velha Remington dentro do armário. Não sabia que você tinha uma. O que mais terá você escondido este tempo todo? Boto duas rodelas de limão no gim. Duas pedras de gelo - Penso na Fernanda D’Umbra e seu jeito cowboy de enfrentar a vida. Meus amigos, meus poucos amigos, estão espalhados ou se espalhando pelo mundo. Chegou à vez do Lique vim ver qual é deste calor insano. Destes mosquitos carnívoros, destas meninas e suas saias muito mais curtas que em qualquer outro lugar que eu tenha passado, destas praias cheias de cadáveres espalhados – Pelo menos é a sensação que tenho. Não acho papel pra escrever na velha máquina. Botei um rolo de papel higiênico e estou tentando não parar mais. Estou deixando pra lá os acentos e a conjugação correta do verbo no transitivo. Estou rezando pra que tenha mais outro rolo deste pra que eu possa ficar aqui dentro, sem falar com ninguém, sem ter de descer ao mercado comprar mais bebida, sem ter de te convencer que nem eu nem a vida que você ta prestes a escolher, é a melhor saída. Que a falta de ar não só sufoca, mas liberta pensamentos estranhos que invertem o sentido real da situação. Penso em Kerouac. Não conheci Jack Kerouac pessoalmente. Penso no Kerouac do Bortolotto. Penso no Kerouac encurralado pelos seus próprios demônios, sozinho na sala escura, com uma velha máquina de escrever, como esta, e a bíblia ao lado. Penso em Kerouac enlouquecendo por ter escutado aquelas vozes todas que vem de dentro da cabeça. Penso em Kerouac e Neal Cassady rindo alto enquanto o asfalto tentava freá-los, derretendo, entre o México e a rota 66. Penso que todos estamos meio Kerouac. Penso que deveria tentar quebrar todos os vidros, mas assim o gás escapa, o calor entra. Acho melhor mesmo sentar neste sofá, completar o copo e esperar que este sono de morte chegue, lentamente, então penso em Kerouac soprando a chama que acende a vela.
rkjazz - 30/10/2006 às 04h16 PM
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Já to de volta do Rio, da gravação
Já to de volta do Rio, da gravação. Caramba, o disco ta muito foda. O Tomás é, além de uma grande figura e irmão, muito competente. Foi mais ou menos tranqüilo a session do primeiro dia - Muito arranjo a gente fez na hora (vou ter de tirar o disco, que coisa!), mas ficou “tudo certo”. O segundo dia foi babinha e quase deu tempo da gente ver o Vascão meter três naquela porra de time do Flamengo (heim, Raoni? Em pleno Maraca!). A bateria ta poderosa e foda pra caralho (timbre muito diferente do que eu to acostumado de escutar aqui por Curitiba – Quem me conhece sabe que odeio som de tom-tom... Esses tão muito foda.). Agora é a vez da “porra” do Japa gravar. Quando saí de lá, o cara tava trocando cordas de umas guitarras que ele vai usar na gravação. Um setup bem interessante. Pelo que eu vi e conhecendo o Japa, hummmm, que delícia, heim Japa? Muito papo com o Tomás e te digo: O cara é um dos melhores produtores de rock do Brasil. Isso porque ele ta por aqui – Por enquanto. É de uma competência absurda e de uma criatividade idem. Ele te fez render muito no estúdio. Estou ansioso pra ver a coisa pronta e botar no sonzinho aqui de casa, abrir uma gelada e dar risada. Ah! O Rio de Janeiro continua lindo...
rkjazz - 28/10/2006 às 01h29 PM
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Entrevista que o Dary deu pra Rock Press.
Confiram Rock Press
rkjazz - 27/10/2006 às 09h34 PM
[ envie esta mensagem ]Rumo ao Rio de Janeiro, gravar os baixos do TG...
Rumo ao Rio de Janeiro, gravar os baixos do TG...É um prazer. Vou sentar a bunda na Toca do Bandido e rever o grande irmão Tomás Magno...Será que no rio tem um costelão? Aos que ficam, grande abraço...Eu volto...A se volto...
rkjazz - 25/10/2006 às 12h43 AM
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Só existe uma maneira de saber se estou certo.
Só existe uma maneira de saber se estou certo. Existem coisas demais pra pensar. Em nenhuma delas estou certo. Tenho os cinco dedos apontados pra lugares diferentes. Eles são a minha referência. Não sou bom em pontos cardeais. Não sou bom com certezas. Duvido sempre. Pra onde isso vai me levar? Não tenho certeza e é isso que me tranqüiliza. Pra um lugar onde todos estão de bermudas e cabelos compridos. Deve ser um lugar ali na esquina. Deve ser um lugar aconchegante. Deve ser um lugar onde vou ter que descobrir. Mas este lugar existe.
rkjazz - 19/10/2006 às 09h57 PM
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E o Maluco do Léo Vinhas
E o Maluco do Léo Vinhas (que disse que vinha e veio mesmo, e acabou ficando um grande amigo do pessoal daqui de Curitiba - a terra que te engole vivo ou morto), está com um novo endereço. Se fodeu, vou espalhar pra rapaziada te encher o saco. Teje linkado! Grande abraço, Léo.
rkjazz - às 05h44 PM
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Me desculpem as puras, mas prefiro as putas...misturadas...
O mundo é dos malucos visionários. Me botaram em um cubículo, mas colocaram um gramado, bem verde, sintético, pra que eu possa me sentir a vontade. Que história é essa? Tem uma geladeira, dessas pequenas, pintada com as cores da década de cinqüenta - Eu, de verdade, não vou conseguir ficar a vontade. Ta cheia de vinho a geladeira. Ouvi um comentário que cerveja é coisa de pobre. Ok!!!! Vinho, então. Botaram umas coisas na grama sintética que daqui eu não consigo saber o que é. Formigas! Será? Uma dessa coroas malucas me falou que tinha transado com um ET. Olhando bem pra ela... Acho que ela deu sorte de dar pra alguém. Nem com muito vinho meu pau levanta. Coroas com vestidinho de garotas de 18 anos. Caras com camisa verde e vermelhas fosforescentes. Os ETs existem sim e estão aqui no hall agora. Tudo o que eu tenho que fazer é manter a coisa toda fervendo. As antenas ligadas. É disso que eu gosto. Então eu faço bem. Uma das únicas meninas de 18 me pergunta se eu estou pronto. Estou pronto. Não sei bem pra que, mas estou pronto. Isso parece uma daquelas caixas transparente com um cara dentro fazendo greve de fome pra uma causa importante. Estou pronto. No três - Avisa a coroa de saia muito curta pra idade dela. No três - Eu penso enquanto um grande gole de um “chateau” não sei o que escorre garganta abaixo. No três - É um período de tempo interminável enquanto o tambor gira e a pólvora explode. No três - Eu tento me equilibrar sobre meus calcanhares. No três - E tudo que eu tenho que fazer é respirar bastante ar contaminado. No três – Ecoa um eco maldito dentro da minha cabeça. No três...
rkjazz - 17/10/2006 às 02h30 AM
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Não preciso mais sair de casa. Tenho pães, ovos, hambúrguer, presunto e queijo, coca-cola, cerveja na geladeira e um serviço de entregas em domicílio fantástico. Nunca vou virar vegetariano, nunca quis salvar o planeta, muito menos as pessoas. Não acho que essa idéia iria dar certo. Mas o mais importante é que não preciso mesmo sair de casa. Isso me alivia.
rkjazz - 11/10/2006 às 03h54 PM
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A poeira tá baixando. Descobri que viemos parar no meio do deserto, eu e você torrando na sombra de cactos malucos. Enquanto você dorme, fico escutando os barulhinhos da areia indo pra lá e pra cá com o vento, o barulho das pedrinhas revirando, da tua respiração. Não posso dormir com todas as serpentes que dizem existir aqui, não seria certo relaxar diante do perigo. Só não sei se ainda estamos vivos pra perder alguma coisa.
rkjazz - 09/10/2006 às 03h56 PM
[ envie esta mensagem ]“Mas a chance é que estejamos todos presos, numa grande música
Mesmo se o show terminar”.
Arnaldo Batista
Estamos trancados dentro do estúdio do Fernando Tupan com o Tomáz Magno, o produtor do disco do Tg. Caramba, o cara é foda. Tenho certeza que a gente vai fazer um grande disco. No mais, noites sem dormir, dias que se arrastam... Espero estar vivo no final de tudo isso.
rkjazz - 04/10/2006 às 06h41 PM
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