Estou lendo de novo. Só Bunker pra me fazer sentar e ler a noite inteira.

rkjazz - 28/12/2006 às 12h54 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]
TG no KOrova
Então, apesar de uns probleminhas com a voz, o roque rolou e bem alto, como eu acho massa. Foda-se o ouvido dos desavisados. O bar de MPB é na outra quadra, eu acho.
by Gabi
rkjazz - 24/12/2006 às 03h22 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]
Quando eu não tinha amigos, ficava de canto. Olhando. Ficava imaginando qual era o papo. Ficava pensando se alguém podia mesmo ser tudo aquilo. Quando eu não tinha amigos, voltava pra casa chutando pedras e conversando com meus amigos imaginários. Eu ainda volto pra casa sozinho. Eu ainda imagino um bom papo. Eu queria ser tudo aquilo, mas não foi desta vez. Volto abraçado com o volante do carro, olhando pros caras no ponto de ônibus, esperando o madrugueira. Eu sei o que é isso. sinto uma ponta de inveja quando passo, abraçado com o volante, dos caras lá, esperando o próximo ônibus. Não tenho boas intenções. Só quero chegar e deitar ao lado da minha mulher. Eu sei que isso tudo um dia vai acabar.
rkjazz - 21/12/2006 às 05h13 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]
E TEM TG NO PRÊMIO APCA
Bonde do Rolê, Poléxia e TG. O que tem em comum? bom, leia aqui
rkjazz - 14/12/2006 às 06h25 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]
Demorei muito pra encontrar o velho. Foram mais de 5000 quilômetros. Posso dizer que agora sou uma cara que viajou bastante. Ele estava lá, como sempre lembrei dele, sentado numa dessas cadeiras de palha que os índios fazem e vendem na beira da estrada. Fumava um cachimbo. Tinha o chapéu branco de cowboy enfiado no cabelo escuro e pastoso. Ficou imóvel enquanto eu estacionava o velho Chevrolet. Era dele o carro. Me deu antes mesmo de eu entender o que significava um presente do velho. Antes mesmo de entender que aquilo era o mais próximo de qualquer explicação ou adeus que eu não iria ouvir. Sentei ao seu lado e ficamos assim, quietos. Um coiote uivou perto dali. Meu velho pai coçou os olhos, colocou o cachimbo de lado e disse: A última coisa que lembro dela é que tinha dedos muito finos e unhas bem feitas, longas e vermelhas, e da fumaça do cigarro saindo devagar pela porta.
rkjazz - 13/12/2006 às 05h42 PM
[ envie esta mensagem ]Trabalho com cobranças. Vinte anos que faço isso. Antes trabalhava de segurança em uma boate. Isso não dá grana nenhuma, no máximo um boquete de uma loura com pretensões artísticas. O cara da boate me chamou prum serviço que envolvia muita grana e uma dose extra de violência. Aceitei, não tinha merda nenhuma a perder. Ganhei uma bereta 9mm e um taco de baseboll autografado por Cornell Atkins. Esse cara foi o pior rebatedor da liga do leste em 68. Uma vergonha. Aceitei a bereta e deixo o Cornell sob o banco do motorista. Sempre trabalhei sozinho. Prefiro assim. Parceria acaba se tornando algo muito pior que um casamento. Um dia, o cara da boate, meu chefe, arrumou um cara branco e barbudo. Disse que ele ia ser meu parceiro daqui pra frente. Não discuto ordens. Apelidei o cara de Jesus e tudo ficou certo. Andamos bem ocupados fazendo o nosso serviço. Eu e Jesus descendo o pau nos filhos da puta branquelos e crioulos que atravessavam nosso caminho. Enquanto você lida com brancos e negros, ta tudo sob controle. Foda são os coreanos e os japoneses. Esses caras são imprevisíveis. Tem que tomar muito cuidado com os amarelos. Eles tem aquelas porras de artes marcias e espadas e códigos de honra e sempre andam em bandos. Os caras são perigosos de verdade. Eu luto boxe, ando armado e odeio lâminas. Jesus é do tipo sádico. Carrega uma navalha afiada pra caralho no cinto. Coisa que aprendeu com putas e travecos. Um dia fomos escalados prum armazém perto do cais. Era um negócio com os amarelos. A gente sabia que não podia vacilar. Jesus escutava Frank Sinatra nos fones. Aquilo me emputeceu. Não consigo e não gosto de relaxar antes dum negócio deste, principalmente com os chinas. Mas o filha da puta do Jesus ta cagando pra o que eu acho. Chegamos na porta do barracão e o viado assoviando “My Way”. Pára com essa merda, falei. O barbudo nunca gostou de receber certas ordens. Tem problemas com autoridade, por isso tem esse trabalho. Acontece que o desgraçado puxou a navalha pra mim. Encostou ela no meu pescoço e disse em alto e bom som que ia me cortar feito um porco. Tenho 2,15 de altura. Peso 130 quilos. Tenho uma esquerda da qual me orgulho. Também me orgulho dos meus dentes. São brancos como a neve. Modéstia a parte, sou um negrão charmoso. Senti um filete de sangue escorrer do meu pescoço. É a primeira vez que uso essa camisa. Custou 150 paus. Esse barbudo filho da puta nem sabe a diferença entre seda e um saco de estopa. Me desvencilhei do desgraçado e mandei dois tiros, um em cada joelho. Jesus desabou e ficou lá praguejando. Então fui até o carro pegar o Cornell. Cornell sentiria orgulho de como uso o seu taco. Talvez ele tivesse se saído melhor na temporada de 68 se tivesse visto como se faz. Talvez eu não tivesse perdido os 180 paus que botei nos Dodgers.
rkjazz - 06/12/2006 às 08h21 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]
Minha avó falou que era para eu seguir meus instintos, se quisesse continuar vivo. Os dois chegaram pela manhã, bem cedo. Escutei o barulho na porta. Entraram. Eu comia torradas com geléia de morango e café preto. Vieram buscar a geladeira por falta de pagamento. Mastiguei um bom pedaço da torrada e engoli com outro bom gole de café preto, sem açúcar. Não gosto de doce, mas a geléia quem fez foi a minha mãe. Ficaram ali, parados, bem em cima do tapete azul, esperando que eu dissesse alguma coisa. Então perguntei de quanto estávamos falando. O baixinho disse que era por volta de 700 paus. Isso é ridículo. Ninguém vem a este lado da cidade buscar uma geladeira velha por causa de 700 paus. Ele disse que era isso mesmo que estavam fazendo. A TV devia valer pelo menos uns mil. Podiam ficar com ela. Não queriam nada com a TV, tinham vindo pegar a geladeira. Achei o cara bem estúpido. Olha, vocês levam a TV, deve valer mil pratas, vendem e ficam com a grana. Isso dá 500 paus pra cada um. E o que vamos dizer pro gerente? Que eu morri, porra. Que não me acharam, que mudei, sei lá. Isso não me parece certo - O baixinho era, pelo jeito, o cérebro da dupla. E o que seu amigo acha? Me parece que você ta decidindo tudo por aqui. Ele não acha nada. O cara tava me dando no saco. Olha, não vai dar pra ser a geladeira. Onde vou pôr a comida? Na TV? Isso é problema seu. Ta certo! Ok! Você ganhou amigo. Vou pegar a grana e vocês dão o fora daqui. Ninguém na vizinhança da a menor importância pra barulho de tiro. Aqui tem isso o tempo todo. As crianças nem param a brincadeira. Por isso adoro este lado da cidade. Era pra ser um dia tranqüilo, mas agora vou ter de cortar este dois filhos da puta. Isso vai dar um trabalhão. Vai levar o dia todo e fazer muita sujeira. Geralmente faço o serviço no barracão no final da rua. Estão lá todas as coisas que preciso. Outra merda é que a geladeira ta cheia. Não tem lugar pra guardar mais dois corpos.
rkjazz - às 01h07 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]
MAIS SHOWS NO KOROVA

rkjazz - 04/12/2006 às 02h20 PM
[ envie esta mensagem ]Manta Raya -Nene
Grande dica do Neri. Manta Raya é uma banda da Argentina. Escuta aí, Léo Vinhas.Gostei. Abraço.
rkjazz - 03/12/2006 às 02h45 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]
Happy Birthday, Jaco...

rkjazz - 02/12/2006 às 10h38 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]
Tem uma lua cheia du caralho lá fora. Em outros tempos eu não hesitaria. Era sair e deixar rolar o que viesse pela frente. Hoje me sinto diferente. Não tenho aquela vontade de ver as coisas acontecendo. Depressão? Tenho umas fodidas.Doídas pra caralho. Não sei se é isso essa barulheira na minha cabeça. Nunca estive tão solitário. Isso é comigo mesmo. Tem uma porrada de amigos em volta, mas lá dentro estou só. Fico no canto escutando vozes animadas, bater de copos e cumprimentos exaltados. Gostaria de parar essa merda toda, mas ela é mais forte e sabe disso. Nessas horas não vejo glamour em nada. Não me interesso pelo último lançamento do mercado, não dou a mínima se aquele ou aquele outro cara é melhor que não sei quem, não me impressiono com a quantidade de álcool que costumo tomar de uma só vez e nem me preocupo que você esteja enchendo a cara e fazendo merda por aí. Não tenho sentimentos bons, só os que doem. Então é melhor ir pra casa, por meus fones de ouvido, plugar o baixo e ficar ouvindo o que aquele saxofonista mágico tem a me dizer sobre isso. Na verdade, eu e ele sabemos que nada vai mudar, que outra lua, tão imensa e brilhante quanto essa vai aparecer num céu impecavelmente deserto, que as conversas vão acontecer de novo e que você vai continuar, apesar de dizer o contrário, fazendo merda por aí. Te desejo boa sorte.
rkjazz - às 09h01 PM
[ ] [ envie esta mensagem ]